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Sábado, 24 de Janeiro 2026

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Felizes anos novos

Colunista *Percival de Souza

Felizes anos novos
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Num dos seus sermões, o padre António Vieira, pregando sobre “juízo dos anos que vem”, disse que ninguém almeja somente um feliz ano novo, e sim vários, porque não se satisfaz com um só, mas com muitos. Ou seja: desejamos, na verdade, felicidades futuras. Onde estão nossas esperanças.

Assim é que não resumimos nossos votos não apenas 2026, mas igualmente para os anos vindouros. Planejamento estratégico individual.

O futuro depende de vários fatores e planejá-lo requer examinar o que se passa à nossa volta. É quando vamos nos deparar com gente arrogante, que de nada sabe, embora se diga sábia e esclarecida em tudo. A ignorância letrada se disfarça em civismo, exibindo carteirinha de “especialista” em variadas áreas, embora sem condições de elaborar análise crítica. Tais pretensiosos seres ocupam habitats diversos: Executivo (uso da máquina governamental, descaso com problemas), Legislativo (leis em causa própria e absurdas emendas parlamentares) e Judiciário (sociedade exigindo eficácia com transparência).

Aqui emerge uma face oculta: dependemos de quem para usufruir de felizes anos novos? Das pessoas e instituições que compõem a sociedade. A maioria dos “especialistas” em nada se diz “intelectual”, como status para definir e decidir sobre o bem-estar de todos: conhecer a verdade (racionalidade epistêmica) e defendê-la (racionalidade social). Aí se instala o iceberg da mentira. Filosófico: se dependesse desse tipo de gente, nem Sócrates, Galileu ou Coopérnico escapariam da morte, mesmo com a terra, indiferente, continuar a girar em torno do sol.

A categoria pensante determina coisas pelas quais nunca pagam o preço, como é o caso de certos intérpretes da lei. Custam bem caro as consequências de algumas duvidosas decisões. Impressiona o déficit que nunca vai para a conta deles. Seria como admitir a venda de carne estragada num açougue. Mutatis mutandis, considere as semelhanças. Insistem em continuar errando com bizarrices importadas em sarcófagos. Parece até um imenso mercado bizantino.

Neste 2026, gostaríamos que os pensadores fossem de fato capazes de usar o cérebro. Nosso Brasil está repleto de problemas de tudo quando é tipo. Carece de paz, segurança social, menos gritantes desigualdades, ideias que resultem em ações práticas, império da ética, sem corrupção asfixiante. Felizes anos novos bem que poderiam ser assim. É o que desejo para você.

*Jornalista e escritor

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