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Sábado, 24 de Janeiro 2026

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Insistência ou incoerência?

Colunista *José Renato Nalini

Insistência ou incoerência?
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Ninguém mais tem o direito de negar a evidência científica de que o aquecimento global é o causador das emergências climáticas. Estas vão ser cada vez mais fortes e frequentes. E o aquecimento global resulta do uso excessivo de combustíveis fósseis.

            As mentes sensíveis sabem que a descarbonização é meta humanitária. Nem se cuida de política pública, tão somente. É a alternativa ao caos, à superação dos limites que, uma vez ultrapassados, levarão ao termo final da experiência humana sobre a Terra.

            Os cientistas alertaram durante décadas os governos. Não foram ouvidos. Agora a palavra está com a natureza. E ela está muito brava.

            Diante disso, incompreensível a insistência de parte do governo em explorar petróleo na foz do Amazonas. Ouvi de expertos que o tempo da exploração, da prospecção, do eventual e não comprovado encontro do petróleo e as operações necessárias a tê-lo disponível e pronto para uso, levarão décadas. Coincidirão com a data em que o petróleo deve ser banido da face do planeta, por acordo internacional firmado em contratos celebrados em Conferências da ONU.

            O Brasil acenou com a intenção de deixar de ser “Pária Ambiental”. Mas está claudicando nessa incoerente ideia. Os técnicos do IBAMA já rejeitaram os estudos iniciais e os complementares. A região a ser prospectada já teve 95 poços perfurados e uma só descoberta comercial de gás natural. As dificuldades operacionais fizeram com que fossem abandonados 31 deles. Na última tentativa de exploração, a Petrobrás suspendeu a perfuração diante das fortes correntezas. Em outubro de 2024, vinte e seis técnicos do IBAMA, profissionais altamente qualificados, assinaram a negativa técnica, diante da temerária e falaciosa aventura que custará bilhões aos brasileiros.

            Na COP30, o Brasil somará ao lado dos países produtores de petróleo, que esvaziaram o discurso da descarbonização nas últimas três COPs. Andar na contramão do que se deve fazer tem um preço alto. Quanta insistência, quanta incoerência! Adivinhem quem pagará a conta! 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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