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Quinta-feira, 04 de Junho 2026
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Otoridade manda

Colunista *José Renato Nalini

Otoridade manda
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                  O Brasil de 5.570 municípios, 5.570 Câmaras Municipais, 27 Estados, Distrito Federal, é o país da autoridade pública. E embora a República resulte de um gesto de sublevação contra o Império que culminou em 15 de novembro de 1889, ainda há resquícios monárquicos no protocolo vigente.

                  Há uma volúpia em cercar qualquer autoridade de afagos, elogios e vassalagem, assim como o hábito de se considerar tudo isso algo natural. É a Corte que sobrevive, senão como farsa, com tons evidentes de comédia.

                  Uma das características é a “tática das homenagens”. Mal chega alguém a assumir um cargo considerado de relevo, e será laureado com títulos, comendas, banquetes encomiásticos, tudo para convencer o neófito de que ele é o maior, sem igual e sem concorrência.

                  O interior é também pródigo dessas praxes e de outras que mereceriam análise antropológica. Isso já acontecia no início do novo regime, de como é exemplo o comportamento do General Siqueira de Menezes, que o Marechal ermes da Hermes da Fonseca fez governar Sergipe.

                  Dele se dizia ser soldado honesto, mas atrasadíssimo. Apaixonado por cinema, duas ou três vezes por semana ia assistir um filme em Aracaju. Quando isso acontecia, era um tormento para os espectadores. A chegar à sala de projeções, o filme era interrompido, as luzes acesas e a orquestra atacava o hino sergipano. Quando o espetáculo recomeçava, o público se via na contingência de assistir de novo o que já havia sito. Ainda que a película estivesse em seu final, voltava o filme a correr, desde o início.

                  O apelido do General Siqueira de Menezes no Sergipe era “bacoa”. Por que? Nas procissões, nas festas cívicas, nas solenidades, havia naturalmente aglomeração popular. Todos queriam se aproximar dele, tocar nele, o que o irritava. Quando isso acontecia, ele não pedia para qualquer subalterno afastar os esfomeados por proximidade com a “otoridade”. Ele mesmo se levantava de sua cadeira, ou saía do seu lugar e empurrava com suas mãos o povo, exclamando: - “Anda! ...Fasta, Fasta... Bacoa, Bacoa! E o povo, obediente à “otoridade”, se afastava e evacuava.

                  Hoje as seguranças, sempre zelosas, cuidam de salvar os homens públicos do excessivo aconchego de sua legião de fãs.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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