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Sábado, 25 de Julho 2026
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Álbum completo: missão cumprida

Colunista *OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS

Álbum completo: missão cumprida
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Toda Copa do Mundo de Futebol traz consigo um ritual que atravessa gerações: completar um álbum de figurinhas dos jogadores.

Lembro-me dos álbuns que ajudei meu filho a colecionar. Creio que o primeiro foi em 1994, quando ele tinha apenas 9 anos.

Hoje, porém, faço parte da equipe de assessores seniores. O técnico agora é o filho, auxiliando o neto mais velho de Recife nessa nova empreitada.

Semanas atrás, fui a um shopping aqui em Brasília acompanhando a comissão técnica. Pelo cabelo grisalho, creio que exercia mais a função de olheiro.

O neto mais velho de Recife carregava uma sofisticada caixinha com figurinhas repetidas, controladas por meio de um aplicativo igualmente sofisticado, instalado no celular do pai.

Nem me aproximei da barafunda. Talvez, sem paciência, cedesse logo ao mercado turco das negociações e puxasse do bolso os reais exigidos para obter o tesouro desejado.

Observando de longe, sem participar diretamente das negociações, percebi padrões de comportamento bastante distintos entre os negociadores.

Há os que se divertem apenas por se sentarem à mesa e promoverem trocas quase “elas por elas”. Há os que jogam duro e exigem muito mais do que realmente vale aquele colorido pedaço de papel, embora se satisfaçam em receber, como pagamento, outros pedaços de papel. Há, ainda, os que tentam, gananciosamente, obter vantagens financeiras, vendendo a preços exorbitantes.

E nessa tarefa há técnica. Um analista de mercado se achega discretamente ao grupo para sentir o clima. Se percebe amistosidade, chama o pequeno colecionador para aproximar-se e inserir-se nas conversas.

Após quase uma hora de idas e vindas, era hora do lanche, apito final daquela partida.

Acredito que saímos vencedores. Ao menos o neto mais velho de Recife sorria largamente e não parava de falar das figurinhas que conseguira, das seleções, dos países e das probabilidades.

Faltavam agora apenas oito figurinhas para o objetivo decisivo.

No dia do jogo do Brasil contra a Escócia, poucas horas antes do início da partida, a avó descobriu o Santo Graal: a Banca do Brito, na 106 Norte, onde seria possível fechar o álbum.

Lá se foram o pai e a mãe, em missão urgente, rumo à Asa Norte, determinados a satisfazer o neto mais velho de Recife e encontrar as figurinhas que faltavam — e, de quebra, voltar para assistir em paz ao jogo contra a “poderosíssima” seleção da Caledônia.

Missão cumprida.

Precisavam ver a felicidade da família: avós, pais, o irmão mais novo de Recife, tios, os primos gêmeos — Galeguinho e Cabeludinho, futuros colecionadores — e os amigos.

No fim, percebi que completar um álbum nunca foi apenas colar figurinhas. Há ali lições silenciosas para a vida. Aprendemos que alguns objetivos exigem perseverança e paciência, mesmo quando parecem distantes. Que negociar pede firmeza, mas também moderação, para não confundir valor com ganância. Que é preciso atenção aos espectros que surgem pelo caminho: os oportunistas, os atalhos fáceis e imorais, os excessos que prometem muito e entregam pouco.

Há ainda um aprendizado menos óbvio, mas igualmente valioso. Cada figurinha carrega um país, uma bandeira, uma história, uma cultura. Qual a capital de Curaçao? Onde fica o Uzbequistão? Qual o regime de governo do Canadá? O álbum transforma-se em um quiz estimulante até para adultos.

Enquanto preenche o álbum, a criança começa a perceber como o mundo se organiza em nações, culturas, línguas e identidades. Sem notar, dá seus primeiros passos na compreensão de dinâmicas geopolíticas que moldam o cenário internacional.

No plano filosófico, aprende também que certas conquistas só fazem sentido quando compartilhadas. Talvez essa seja a verdadeira figurinha rara: a capacidade de reunir família e amigos em torno de um propósito simples, mas carregado de afeto.

Porque álbuns se completam, Copas passam, crianças crescem. O que permanece, se bem cultivado, são os valores, as tradições saudáveis e as memórias afetivas que seguimos transmitindo, de geração em geração.

* OTÁVIO SANTANA DO RÊGO BARROS
GENERAL DE DIVISÃO DA RESERVA

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