Vivemos um tempo desafiador, marcado pela hiperconectividade digital que oferece oportunidades e facilidades na interligação global em tempo real, mas que, em contrapartida, tem gerado impactos negativos à saúde mental e rupturas nas relações humanas mais simples como o respeito, a escuta, o cuidado com outro.
Essa situação tem dividido a sociedade em nichos de interesses e, desse modo, influenciado na discussão sobre os valores sociológicos desejáveis e que equilibram os interesses individuais com os comunitários, que viabilizam o bem-estar coletivo.
Diversas áreas do conhecimento estão preocupadas com essa nova realidade e estudam os efeitos subjetivos que esse processo acarreta à forma de vida humanidade, debatendo, inclusive, sobre o vazio existencial decorrente da busca incessante por uma validação atitudinal.
A antinomia entre o avanço científico e tecnológico com a necessidade de que o ser humano se aprimore no aspecto moral cria o grande desafio da reflexão sobre a forma de compreensão dos fenômenos sociais e seus impactos, os quais devem ser enfrentados pela humanidade.
Há até quem rispidamente diga que o humanismo - centrado na valorização do ser humano, na sua racionalidade e suas capacidades -, deixou de existir.
Acontece que, por sua própria natureza, o ser humano é gregário e, portanto, tem necessidade de viver, conviver e interagir em comunidade compartilhando conhecimentos e estratégias, criando proteção e organização coletiva para enfrentar desafios e criar o bem comum. Inquestionavelmente, os aspectos individuais e sociais se interpenetram e se complementam formando a base da existência humana.
Decorrência disso é a evidente necessidade de conciliar a tecnologia e a hiperconectividade que, muitas vezes, privilegia o orgulho, a vaidade, enfim, o materialismo, e, como consequência, nos afasta da missão de evoluirmos como seres morais, com a preservação dos valores humanos – éticos e morais - básicos.
A humanidade há de compreender que ambos os progressos, intelectual e o moral, são fundamentos da evolução humana e que somente haverá progresso pleno quando a potência das máquinas ou a precisão dos algoritmos estiverem equilibrados com a capacidade do ser humano viver e conviver em harmonia consigo mesmo e com o outro.
Se a ciência é um meio, a moral é um fim. Desse modo é preciso que a inteligência humana seja guiada pela moral para que se atinja o progresso completo. Assim, o desafio desta geração é submeter o aprimoramento da inteligência ao filtro da moralidade, que se constrói no íntimo e também no coletivo.
Enfim, será a partir de cada individualidade, agindo com mais caridade e menos egoísmo, que os sinais do verdadeiro progresso serão percebidos e todos compreenderão que são agentes ativos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.
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