O escritor e poeta Augusto Branco, em seus ensaios e com sua sensibilidade, olhar crítico e linguagem poética, certa vez escreveu: “Retribua com flores as pedras que te atirarem. Haverá um momento em que as pedras dos teus inimigos acabarão e, assim, eles somente poderão atirar em você as próprias flores que receberam de ti”.
Essa abordagem reflexiva me remeteu ao ensinamento cristão “amai aos vossos inimigos” que, quando mal compreendido, é de difícil aplicação no cotidiano. Para mim, parece que essa lição nos indica um caminho e uma maneira diferente de sentir, pois nos mostra que é possível superar os vícios do rancor e do mal-querer, tornando-se uma ferramenta essencial para a evolução espiritual.
Se é óbvio que é difícil querer bem a um desafeto ou a alguém com quem inexista afinidade, simpatia e comunhão de ideias, por outro lado, é absolutamente plausível nutrir sentimentos de perdão incondicional e o desejo de retribuir o mal recebido com o bem. Amar um desafeto significa perdoar sem condições, banir o rancor, desejar o bem e orar por quem nos aflige. Antes de tudo, e muito mais do que uma mera afeição romântica por quem nos faz mal, é uma medida de higiene e saúde espiritual, representando uma das formas mais elevadas de caridade e uma vitória sobre o egoísmo e o orgulho humanos.
Superar o desejo de revidar é uma oportunidade de evolução espiritual, pois protege o indivíduo de cultivar sentimentos destrutivos dentro de si mesmo. Assim, evite nutrir emoções inferiores como vingança e mágoa; procure ajudar o desafeto quando houver oportunidade, sem nunca o prejudicar; busque a reconciliação sempre que possível e ofereça-lhe suas boas intenções sem o desejo de humilhá-lo.
Longe de ser um contrassenso, “Amar os Vossos Inimigos” é a mais sublime aplicação do princípio de “Amar ao Próximo como a Si Mesmo” e a vitória do indivíduo sobre seus próprios sentimentos negativos
Martin Luther King Jr., pacifista e pastor batista que liderou a luta contra o racismo e a segregação e foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1964, resumiu o poder transformador dessa atitude dizendo: “O ódio paralisa a vida; o amor a liberta. O ódio confunde a vida; o amor a harmoniza. O ódio escurece a vida; o amor a ilumina."
Portanto, vá além do seu ego e como disse Jesus: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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