Numa sociedade altamente tecnológica, o desafio é otimizar as possibilidades da modernidade com a valorização do ser humano, o qual deve estar em primeiro lugar. A felicidade humana vai além do simples ter ao se sustentar no ser. O ser humano vale muito mais do que o ter material, cuja propriedade, de fato, é incerta, pois, sob todos os aspectos, transitória.
A partir dessas premissas é preciso refletir sobre o humanismo, enquanto uma filosofia centrada na razão, na ética e na pessoa humana, e a espiritualidade, que envolve a busca por um sentido maior, pelo sagrado ou por uma conexão além do mundo material. Afinal, pois, ao se fundirem em uma síntese profunda colocam o ser humano e seu desenvolvimento moral no centro da evolução cósmica.
Historicamente, o humanismo colocou o ser humano no centro do universo (antropocentrismo), mas isso jamais significou o fim da busca pelo transcendente. Ao contrário, a vertente do humanismo espiritual propõe a síntese poderosa da valorização da experiência humana como o canal primordial para o sagrado e cria uma dimensão intrínseca da consciência.
Ao conectarmos o humanismo à espiritualidade ampliamos a visão da existência para além da matéria, inserindo o ser humano em uma realidade imortal e multidimensional. O foco muda do além-vida para o aqui e agora, transformando a espiritualidade em uma ferramenta prática para melhorar as relações humanas e aliviar o sofrimento.
Ou seja, no viés espiritualista, o ser humano deixa de ser apenas um corpo dotado de mente e passa a ser um espírito eterno em processo de aprendizado. Isso redefine o conceito de dignidade humana, pois nos conecta ao fato de que todo indivíduo é portador de uma centelha divina; suas dores, potências e aspirações ganham um significado educativo.
A sinergia entre humanismo e espiritualidade, além de criar uma ética baseada na dignidade e na solidariedade, defende que a verdadeira iluminação está em engajar-se ativamente com o mundo, promovendo a justiça social, o respeito à diversidade e o cuidado com o planeta. Trata-se de uma espiritualidade com os pés no chão, onde o sagrado se revela no próprio mistério e na beleza da existência humana.
Ao unir a razão e a fé, o humanismo e o espiritualismo são um convite ao homem para autoconhecer-se, a desenvolver suas virtudes e a transformar a sociedade, em vez de agir por medo de punições divinas, mas pela compreensão consciente de que somos todos irmãos, oriundos da mesma fonte e destinados à perfeição.
Creio que essa seja uma filosofia que dignifica o presente, abraça o ser humano em sua totalidade e enxerga no planeta uma grande escola de evolução e amor.
* Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International
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