O animal humano sempre foi agressivo, mas com a evolução das espécies, deveríamos ser mais compreensivos e empáticos. Porém existe vários fatores estruturais e comportamentais que criam um clima de hostilidade constante. Pós-pandemia acreditávamos que seríamos mais solidários, mas observamos que estamos mais individualistas e narcisistas. Cada um por si, com pavio curto, agredindo o outro no trânsito, nas ruas com assaltos por um celular ou uma aliança, matando por nada, com a certeza da impunidade e leis frágeis, com brechas para que advogados de defesa e o judiciário consigam reverter situações até graves.
Vamos verificar alguns motivos para que tudo isso aconteça.
A comunicação mediada por telas e redes sociais, impede o contato físico e facial, assim não vemos o desconforto do interlocutor, diminuindo a empatia social e psicológica.
Os algoritmos tendem a priorizar conteúdos que geram reações fortes, criando “bolhas de eco”, radicalizando comportamentos radicais e polarizando tudo não só na política, vendo o outro como inimigo e não adversário que poderia resolver as situações com uma dialética mais humana.
Muitos valores são invertidos e preenchidos com um pragmatismo, na busca de resultados imediatos, onde o dialogo é substituído pela força e violência.
A baixa tolerância a frustrações, com impaciências querendo respostas imediatas e gratificantes, onde as vontades e desejos precisam ser satisfeitos e não compreendidos, com egoísmos frágeis que atingem todas as gerações principalmente as mais recentes Y e a Z e a Alfa.
O estresse crônico e as desigualdades sociais, o excesso de informações, as pressões por produtividade, mantêm o indivíduo em alerta constante, deixando-o mais agressivo ou com mais medos.
As injustiças sociais geram ambientes hostis, com a desigualdade social e financeira, onde o outro pode ser visto como uma ameaça a nossa sobrevivência.
Claro que não podemos generalizar, mas não podemos resolver os problemas alheios, mas podemos controlar a nossa reação a eles, cultivando a serenidade, sabendo que não podemos mudar tudo, mas podemos melhorar o que depende de nós, como diz os estoicos, cada um fazendo a sua parte, buscando evoluir como ser humano, apesar das ameaças e guerras bélicas e comerciais.
A esperança futura seria uma sociedade mais solidária, na maioria e ainda somos, mas uma minoria agressiva, frustrada, ciumenta, invejosa e insegura teima em agredir os mais justos e pacíficos, por isso precisamos de leis mais duras sem impunidades, como nos países mais desenvolvidos. A escolha é nossa entre o amor e a dor, os prazeres e os sofrimentos, temos esse livre arbítrio.
Como na caixa de Pandora, onde todos os males foram soltos, e ainda nos resta a esperança, antes que o animal humano se autodestrua, pois o planeta se recuperara e o único ser que não fara falta é o ser humano consciente.
Marco Antonio Garcia
Psicólogo e psicoterapeuta Junguiano
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