Muitas vezes me pego pensando sobre a vida: seu significado, seu propósito, sua transitoriedade, suas surpresas, enfim, sua razão de ser.
Creio que essa reflexão possa ser uma das jornadas mais humanas e profundas que existem, porque a vida é algo que se constrói ativamente. Isso porque somos seres em constante construção que buscam um sentido intrínseco, mas também extrínseco, para a existência.
Esse processo de construção nos oportuniza muitas experiências, boas e ruins, mas sempre sob a perspectiva de nos mostrar que a vida material, tal qual a conhecemos, é uma ilusão passageira do mundo físico. Vale dizer, além da sua própria transitoriedade, tudo em nossas vidas é temporário, efêmero.
A única autoridade legítima e, pode-se dizer, eterna que é reconhecida é a moral, conquistada por meio do amor fraternal e da evolução espiritual, além do legado de cada pessoa. Muito além das palavras, que se perdem ao vento, toda pessoa é o resultado daquilo que faz.
Resultado disso é que o chamado poder material constitui oportunidades e ferramentas temporárias de teste e progresso. A realidade é que na nossa vida física tudo se desfaz com o tempo, restando-nos tão somente as conquistas morais e espirituais. Por exemplo, se e quando somos convidados ao exercício de algum tipo de liderança, de fato nossa capacidade de resistir ao orgulho e ao egoísmo está sendo testada.
O ser humano nada mais é do que um mero depositário ou um administrador temporário dos recursos e oportunidades que recebe. A riqueza, os cargos, os bens materiais servem, ou deviam servir, simplesmente como instrumento de trabalho e de auxílio na construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Sempre que tivermos oportunidade, como uma ferramenta temporária de teste e progresso, bem como desafiando nossa resistência ao orgulho, vaidade e egoísmo, devemos agregar o conjunto das pessoas que estão próximas de nós para que a força da união e boa vontade seja uma conquista real e contribua para o desenvolvimento social.
Oportuno lembrar que no poema conhecido como “A Paciência de Santa Teresa “ a freira e santa católica Santa Teresa de Ávila, no século XVI, já dizia e nos alertava que “tudo passa”. Essa ideia também aparece em parábolas orientais antigas atribuídas a poetas persas e ao Rei Salomão, e, mais recentemente, foi amplamente difundida no Brasil por Chico Xavier.
Enfim, como tudo passa, a temporariedade das coisas materiais ensina que os bens terrenos são passageiros e funcionam como um empréstimo divino temporário, e que o verdadeiro valor e sentido da vida está no progresso moral do espírito, conquistado por meio do amor e da evolução espiritual.
“Tudo passa ... exceto Deus” (Chico Xavier).
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se