A busca de uma nova visão existencial
Com alguma frequência, a mídia tem debatido o papel da ufologia no imaginário popular e como a ciência tem se posicionado em relação a esse assunto.
Notícias indicam que pesquisas científicas focam na busca por vida microbiana em ambientes extremos e em investigações militares ou governamentais de objetos aéreos, tendo como resultante o fato de que o misticismo tem transacionado para a ciência institucional.
A Astrobiologia, por exemplo, concentra sua atenção na detecção de bioassinaturas em exoplanetas e em compostos em luas do Sistema Solar, como Europa, em Júpiter, e Encélado, em Saturno, as quais contêm oceanos de água líquida escondidos sob crostas de gelo. Também há estudos, inclusive por cientistas brasileiros, acerca de micro-organismos extremófilos na Terra — que são seres vivos, na maioria bactérias e arqueas, capazes de sobreviver e prosperar em ambientes com condições severas, como temperaturas congelantes ou escaldantes, alta acidez, radiação e pressão extremas, que seriam mortais para a maioria das outras formas de vida —, que ajudam a modelar formas de vida alienígenas.
Supondo que, sendo desmistificadas questões como essas e comprovada cientificamente a existência de vida inteligente em outros planetas, certamente haverá uma alteração na autoimagem da humanidade e da própria diplomacia global; ou seja, dar-se-á uma profunda redefinição da nossa consciência existencial, que terá de se adaptar a um modelo de vida mais amplo.
Numa revisão paradigmática, para as ciências humanas, a consequência mais profunda seria o fim do isolamento planetário e do antropocentrismo. A humanidade terrestre seria forçada a reconhecer que partilha o universo com outros seres dotados de inteligência. Isso importaria em uma reeducação moral baseada na solidariedade interplanetária, na qual as fronteiras geográficas e as disputas belicosas perderiam completamente o sentido prático.
Já, sob a ótica do espírito, essa revisão deixaria de ser um choque para se tornar o ápice da revelação. A ciência oficial, ao comprovar a existência de outras humanidades, estaria corroborando o princípio da pluralidade dos mundos habitados, postulado por Allan Kardec na questão 55 de “O Livro dos Espíritos” e a grandiosidade da máxima de Jesus no sentido de que: "Há muitas moradas na casa de meu Pai" (João 14:2).
Em última análise, o universo seria visto como uma vasta escola estruturada em diferentes níveis evolutivos e a humanidade seria levada a adotar uma autoimagem mais humilde e realista, criando uma fraternidade cósmica, pois ter-se-ia a compreensão de que todos somos alunos matriculados na grande escola do cosmos, unidos pelo mesmo Criador em diferentes estágios de evolução, na busca constante de progresso moral.
Enfim, a relação entre razão e fé é de complementariedade. A ciência explica o "como" o universo funciona, enquanto a fé responde ao "porquê" de existirmos. Ambas, em conjunto, nos despertam para a maravilhosa sinfonia da criação divina.
*Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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