Passam os dias, passam os anos e a vida sempre nos convida a refletir sobre nossas inseguranças, notadamente quanto as ilusões materiais tais como o poder, o dinheiro, a fama.
Essa reflexão é tema central na filosofia, na psicologia e em relação a espiritualidade. Isso porque, a busca pelos bens materiais frequentemente colide com a nossa vulnerabilidade e, sobretudo, incertezas sobre a própria existência material.
É incontroverso que quando nascemos começamos a morrer, de modo que a vida, tal qual comecemos, é apenas um ciclo na longa jornada espiritual em busca da evolução, do progresso, que é uma regra do universo.
Desde a antiguidade, ao refletir sobre a efemeridade das ilusões e porque não dizer da vida carnal, filósofos estoicos como Seneca e Marco Aurélio, que procuravam manter a serenidade, o autocontrole e a racionalidade diante das adversidades, já argumentavam que o chamado poder e a riqueza são externos, portanto, sujeitos a mudanças fora do nosso controle, e que, em contrapartida, segurança vem do autodomínio e da virtude.
Mais que isso, a psicologia mostra que o “status” material gera somente picos temporários de satisfação e que, desse modo, a busca pela riqueza humana dificilmente resulta em uma paz duradoura porque sedimentada em bases frágeis.
Portanto, muito mais do que uma mera reflexão filosófica, essas certezas cientificas sobre o ciclo e a própria vida, que nunca será um fim em si mesma, deveriam nortear os questionamentos individuais mais profundos sobre o que realmente nos traz segurança e propósito. Aliás, os empréstimos materiais temporários devem ser bem aproveitados, mas nunca a ponto de submeter as pessoas.
Entendendo isso, inevitavelmente, elevamos o propósito de um mero projeto de vida para uma expressão de dons e valores essenciais, de modo a vida que terá um sentido mais profundo, até mesmo diante das adversidades do cotidiano, porque dialogará com o verdadeiro significado da felicidade e da paz duradoura.
Quando o progresso moral mostra quem somos e impacta o nosso tesouro espiritual compreendemos que a vida é um breve espetáculo onde somos os próprios artistas paramos de mendigar aplausos externos e passamos a atuar com autenticidade.
Afinal, quando desatarmos os laços que prendem a alma ao corpo físico, o que ecoará na eternidade será a luz que emanamos e o amor que distribuímos ao longo da nossa jornada terrestre.
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