Esta geração vive tempos em que o conflito parece falar mais alto pelo conflito do que pelo diálogo.
O ego, enquanto a representação do ‘eu’, parece exacerbado a ponto de derivar para o egoísmo, transformando a autovalorização e busca por bens materiais em uma atitude narcisista e prejudicial ao convívio social. As polarizações têm dividido as famílias, células base da sociedade, criado desigualdades que alimentam ressentimentos e causam guerras que se arrastam por anos, trazendo sofrimento de toda ordem.
Resultado disso é que, em um mundo mais conectado tecnologicamente do que nunca, o ser humano está desconectado de si mesmo e, inclusive, daqueles que lhes são mais próximos e da própria comunidade em que vive.
Isso cria um vazio existencial que resulta em estados de angústia, ansiedade e depressão, que são transtornos psicológicos que desequilibram a pessoa a ponto de gerar uma desconexão com a vida. Estudos científicas indicam que mais de 1 bilhão de pessoas convivem com transtornos mentais, de modo que, com o aumento significativo de problemas relacionados a saúde menta, a humanidade enfrenta uma crise global.
Dessa constatação resta inequívoco que a busca pelo equilíbrio emocional é um desafio a ser vencido por esta geração.
Visando ajudar na solução desse problema global várias intervenções são discutidas a partir de uma perspectiva multidisciplinar e multidimensional. Mas é inegável que a máxima délfica – inscrita no templo de Apolo, em Delfos - adotada por Sócrates como pilar de sua filosofia, focada no autoconhecimento para alcançar o autodomínio, a ética e a verdade, dá um relevante impulso para o abandono da preocupação excessiva - com bens materiais - para focar na ‘alma’ - psique -, contribuindo para o crescimento real do ser.
Se a ignorância de si próprio é vista como a raiz de ações incorretas, a busca pelo autoconhecimento convida o indivíduo a mergulhar em si mesmo, questionando suas convicções, para alcançar a sabedoria e o bem viver. De fato, o autoconhecimento permite ao indivíduo questionar suas crenças, emoções, limitações e virtudes para que possa agir de forma justa.
Assim, a busca pelo autoconhecimento, além de tirar a pessoa da sua zona de conforto, cria um processo contínuo de aprendizado e reflexão sobre a própria essência e existência pessoal, sendo, portanto, ao combater a ignorância que gera o mal, o primeiro passo para o saber e a virtude que promove uma vida mais autêntica e equilibrada.
Dessa maneira, ao invés de negligenciar suas inquietações, encare-as como sinais para o autoconhecimento e perceba que o que conduz a nossa vida são os valores, que são a bussola que orienta nossas decisões e comportamentos.
Enfim, parafraseando Sócrates: Conhece-te a ti mesmo!
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.
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