Um tremor de terra é caracterizado quando acontece a liberação de energia das placas tectônicas. Pode ser terremoto, medido pela escala Richter, nome de um dos seus criadores, projetando oscilações entre zero a nove. Agora, com aviso prévio emitido por um sismógrafo político, aguardamos um forte abalo.
As placas tectônicas, capazes de locomover continentes, adquiriram novos formatos no Brasil, movendo-se de forma política, ideológica e, principalmente, corrupta. Gatunos e larápios, de diferentes vestimentas, tornaram-se até aqui imagináveis expoentes da República, incrustados nos Poderes, disfarçando tudo de um “democrático” e iluminado “Estado democrático de Direito”. É justamente esse Estado, como definiu Nietzsche, o filósofo alemão, “o mais frio dos monstros frios”. Chegou a ser chamado de “filósofo do martelo”, por abordar temas relevantes a marteladas. Quem viveu os anos 60, há de se lembrar de Rita Pavone cantando “Datemi um martelo”. Queria batê-lo na cabeça de quem não gosta.
Pois é: a frieza dos monstros de Nietzsche e as marteladas de Rita produzem os tremores brazilienses. Tem gente, por toda parte, com muito medo das delações de Vorcaro, o poderoso chefão do banco Master, caso realmente conte tudo o que sabe, não deixando muitas pedras pelo caminho. O bico, até aqui fechado, caso se abra será regulado por uma lei, 12.850/2013, que deixa muito bem claro: delação não pode ser seletiva, precisa de comprovação investigatória, da qual dependente das apurações da Polícia Federal, a melhor do Brasil. Ah, se não fosse ela... A polícia de Estado, e não de Governo, está recebendo um novo tipo de pressão: a situação pretende que ela seja contida. A oposição quer que ela avance. Vorcaro, que possui vários coelhos na cartola, pretende escolher sobre quem fala e sobre quem silencia. O coelho prefere viver em matagais para se esconder
Impossível agradar a gregos e troianos. Vorcaro, o dono da cartola, desejar impor regras não jurídicas numa seleção bem pessoal - nada impossível, considerando-se o jeito como andam as coisas.
Está aberto o xadrez da corrupção. A rainha vai tentar esconder-se atrás da torre. O cavalo vai dar saltos. Se a corrupção foi derrotada, castelos vão ruir. Se ganhar, a ecumênica torcida ideológica terá de cobrir-se de vergonha e os brasileiros com mais uma decepção. De uma maneira de outra, nosso Brasil nunca mais vai ser o mesmo.
*Jornalista e escritor
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