O advento da pandemia do coronavírus e seu potencial letal foi ou deveria ter sido um duro golpe contra a ditadura do narcisismo, pois a humanidade se viu forçada a mudar seus hábitos.
Enquanto uma necessidade real do momento, com a súbita paralização da vida social ou em sociedade, passou-se a imaginar como seria possível viver melhor individual e coletivamente.
Se tempos de crise, que são de sofrimento e dor, também propiciam a transformação, a evolução. A desordem nas estruturas sociais impulsionava o olhar para dentro de si, a busca do se conhecer ou reconhecer.
As pessoas foram chamadas a refletir sobre a vida e seus valores, porque aspectos que até então pareciam ocultos no cotidiano vieram à tona e impulsionaram ponderações sobre a fragilidade física e do ser humano, o verdadeiro significado dos bens e títulos materiais, saúde e espiritualidade.
Como disse Chico Xavier, “quando descobrimos que nada é definitivo, inclusive a vida, compreendemos a inutilidade do orgulho, a tolice das disputas, a estupidez da ganância e a inocência das tolas mágoas”.
Isso nos fez vislumbrar a possibilidade da construção de uma humanidade que, em se libertando das arramas da matéria, do orgulho e do egoísmo, viabilizaria um mundo mais maduro, ou seja, mais espiritualizado.
Mas, para surpresa, espanto e preocupação de todos, a mídia divulga que alguns poucos homens, por motivos nem sempre conhecidos, novamente dividem o mundo e criam tensão entre nações.
Consequência disso é que, em meio a tanto sofrimento, nos deparamos mais uma vez com a predominância da natureza animal sobre a espiritual e novamente nos vemos apreensivos com rumores de guerra.
A busca da satisfação das paixões materiais, além de gerar incertezas e preocupações, evidencia o estágio do progresso moral do homem. Além disso, demonstra que a postura belicosa somente deixará de existir quando os seres humanos compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus, de modo que todos se aceitem e respeitem como irmãos.
Esse momento se concretizará quando o ensinamento do Cristo, verdadeiramente, for a bússola que levará a humanidade ao porto seguro. Quando todos reconhecerem a imortalidade do espírito; a realidade da vida futura; o processo da reencarnação e a justiça da lei de causa e efeito, o homem não mais provocará a guerra. Nessa época todos os povos serão irmãos.
Enquanto isso não acontece e o homem continuar dominado pelo sentimento de egoísmo e orgulho, tal qual o rei, personagem de Antoine De Saint-Exupéry no livro O Pequeno Príncipe, seguiremos dizendo que “é bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se consegue fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio”.
Nesse contexto, urge que cada qual procure fazer a sua parte, buscando se conhecer ou reconhecer para que, submetendo seus vícios, possa moderar suas ambições e, erguer templos às virtudes, ao desenvolver sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo.
Portanto, ore e trabalhe pela paz em seu coração, rogando todos os dias à espiritualidade para que ilumine e apascente os homens.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca