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Segunda-feira, 24 de Agosto 2026
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Quero de volta o meu Rio de Janeiro

Nunca fui um escritor ou um articulista, mas sempre fui um estudioso e amante da vida.

Quero de volta o meu Rio de Janeiro
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Nunca fui um escritor ou um articulista, mas sempre fui um estudioso e amante da vida. Com essa parada que tivemos, acordei inspirado e decidi escrever algo totalmente dissociado de minhas atividades laborais. O tempo passa de uma forma impiedosa, É como um líquido precioso escorrendo por nossas mãos. Chega-se em uma fase na vida, em que os filhos estão criados e nos sentimos, até certo ponto, estabilizados. Neste momento, alguns valores, que outrora não eram tão apreciados, ascendem em nossa escala de prioridade anteriormente liderada pelas atividades profissionais e outras prioridades características da juventude. Muitas vezes até contrariando as hierarquias de Maslow. E, neste momento da vida, pode-se reflexionar: “será que apliquei bem o meu tempo?

Responder a este questionamento não é fácil... é muito pessoal e complexo”. Pois a vida é como um rio em seu leito, muda a cada instante, nunca é o mesmo. E não esqueçam: o tempo é tirano, não perdoa e não volta...Mas, nunca é tarde para reavaliar e reordenar os polinômios da vida.

Em tempos de coronavírus, no alvorecer de 2020, a sociedade mundial se vê diante de uma situação sui generis. Uma doença avassaladora, ainda sem cura confirmada, espalha-se de forma assustadora, colocando à prova os líderes mundiais, os governantes, a ciência, a medicina, os profissionais de saúde e administradores de uma forma geral. Todos empenhados em buscar a melhor solução para neutralizar este vírus, prevenir, evitar sua proliferação e mitigar seus efeitos. Tais medidas, que são indubitavelmente necessárias, criam uma nova realidade, que para os atuais habitantes do Planeta Terra não é de fácil enfrentamento, pois nos transformamos literalmente em “animais sociais” e o isolamento imposto nos faz prisioneiros dentro do espaço que mais amamos: o nosso próprio lar.

Aparentemente, é ótimo: trabalhar em casa, perto da família, com a desnecessidade de deslocamento para o local de ofício. Mas não é simples assim... Além do que, a internet, com suas ferramentas e redes sociais, nos traz conteúdos de todas as partes do mundo, em tempo real, mas apresenta verdades e inverdades. Portanto, ao mesmo tempo em que ela nos informa, também assusta com uma enxurrada preocupante de pontos de vista, às vezes questionáveis e declarações que levam alguns confinados à beira do pânico.

Focando, agora no brasileiro, com as características que nós tão bem conhecemos, este isolamento é torturante (repito, mas necessário neste momento). Chegar à sua janela em um dia de sol, com aquele céu azul e não poder nem sair à rua para caminhar, nem contemplar a floresta ou o mar, aperta o coração do brasileiro, do carioca, especialmente daqueles não tão jovens como eu, pois o tempo está passando e cada minuto é precioso. Não vejo meus filhos, meus familiares nem meus amigos, ah... mas você pode vê-los e ouvi-los pelo computador ou celular. Claro, é uma forma de contato, mas meus caros, é muito diferente, falta o sorriso, ao vivo e a cores, o abraço, o aperto de mão, o beijo no ente querido, o neto no colo, aquele calor humano que nos faz humanos. Como faz falta meu caro leitor, não faz? Claro que sim. E como, pois somos brasileiros.

Já passamos por inúmeros desafios e crises ao longo da história de humanidade e esta também, vai passar. Como dizem os velhos marinheiros: “depois da tempestade, vem a calmaria”. Ela vai chegar e a aguardemos, com tranquilidade e sabedoria, sem alarmismos. Aí, abraçaremos forte nossos pais, filhos, familiares e amigos. Daremos mais valor a algumas “coisas”, que por serem rotineiras, têm passado despercebidas e como estão fazendo falta, mesmo em tão pouco tempo. Agora sabemos. Foi um alerta: precisamos de menos WhatsApp e mais abraços, temos que tentar. Sairemos melhores e mais fortes após este isolamento social.

Quem diria, sinto saudades do engarrafamento na Presidente Vargas, daquele tumulto na entrada do Maracanã, da fila para tomar aquele chopp no meu barzinho predileto, daquela praia apinhada de gente, sem lugar para a minha barraca, da minha casa cheia de amigos e familiares, daquele movimento feliz que só o meu Rio tem... Que saudades, quero a minha vida, o meu Rio de volta.

Não podemos esquecer o trabalho silencioso dos profissionais das áreas de saúde (estes de forma muito especial), da segurança, defesa, indústria, transporte, logística, finanças, agronegócios, imprensa, abastecimento, entre outros. Estes homens e mulheres tomaram as medidas preventivas recomendadas, mas não podem se isolar e seguem em  seus ofícios, pois o nosso Brasil não parou e não pode parar. A eles proponho o nosso aplauso, de pé.

Vamos dar tempo ao tempo. Preciso tempo. Que Deus ilumine as decisões de todos os que participam como protagonistas neste momento: nossos governantes, cientistas, médicos, profissionais de saúde, entre outros. Que a calma, a sabedoria, a compreensão e o bom senso imperem e estejam todos unidos, navegando na mesma direção. Assim, brevemente, poderemos abraçar forte o nosso Rio de Janeiro, “cidade maravilhosa de encantos mil, coração do meu Brasil”. Vai dar tudo certo! É uma questão de tempo!

*Presidente do Tribunal Marítimo

Vice-almirante Wilson Pereira de Lima Filho

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