Aguarde, carregando...

Sábado, 22 de Agosto 2026
Notícias Colunistas

Foi dada a partida

Colunista *Percival de Souza

Foi dada a partida
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Começou a corrida, que termina no Planalto, tudo a depender da velocidade dos competidores, pilotos ou jóqueis, para cruzar o disco final ou galgar o podium. Na disputa, porém, há uma diferença fundamental no corre-corre de outubro: vence quem está engajado no páreo ou entusiasticamente na torcida.

Ainda é enigma. Na Roma antiga, os candidatos vestiam togas brancas. Assim eram chamados porque o latim “candidatus” designa exatamente “candidato” ao Fórum romano, ou seja, demonstração de alvura e pureza. A cor queria dizer algo: os togados eram limpos, sem qualquer mancha. Diferente dos ácidos corrosivos dos nossos tempos, que deixam muitas roupas encardidas, sujas.

Saber votar é exigência cívica. Os resultados podem agradar ou decepcionar, dependendo do torcedor, entusiasmado ou indiferente. O que importa de verdade é o bem comum, que exige despir-se das paixões.

Não levamos nenhum bode expiatório ao altar para pagar pecados alheios o transformar em alvo. Os bodes seriam insuficientes e expiar tem tudo a ver com a forma que escolhemos para viver e as exigências sociais para a saudável convivência. Diante da nossa realidade, precisamos saber ver muito bem. Deficiência visual fica pior com a catarata que bloqueia a visão. O oftalmologista social está na urna e não na clínica. Precisamos dos olhos mitológicos de Argos, sempre em constante vigilância. Ou dos olhos de lince, com brilhos luminescentes, visão excepcional fornecendo clareza para tomar decisão.

Entre nós, os não cândidos deturparam a ética a tal ponto que ela passou ser algo que só os outros não poderiam fazer. O filósofo grego Platão criou o mito do anel de Giges, homem que ao colocá-lo no dedo se tornava invisível, podendo agir tranquilamente às ocultas.

Não dá só para fingir o que não é, ou embutir preferências, ter vergonha de assumir e brigar pelas escolhas. Ninguém precisa ser teleguiado, terceirizar a consciência, deixar outros pensarem em seu lugar. As opiniões devem ser próprias, galvanizadas em raciocínios lógicos, sem risco de arrepender-se depois.

Pense o seu melhor, dirija o olhar atento para o País, acredite em quem merece ter crédito. Se deixar para depois, pode ser tarde. O Édipo da mitologia, quando descobriu o que não deveria ter feito com Laio, de Tebas, e Jocasta, vazou os próprios olhos diante da tragédia.

Não quero ser profeta do óbvio. Mantenha os olhos bem abertos.

*Jornalista e escritor

Comentários

O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!