Pequena grande palavra.
Desde os primórdios da humanidade há uma consciência inata em relação à fé. É como que se um germe em estado latente tivesse sido depositado em cada indivíduo, para depois eclodir e crescer por vontade própria. É uma divina inspiração de Deus, que desperta todos os nobres instintos que conduzem o homem ao bem.
Mas, o que a fé significa em nossas vidas?
Essa indagação permeia o pensamento das pessoas e muitas vezes nos faz admitir que nossa fé nem sempre é convicta. Isso porque a fé necessita de uma base e essa base está na busca da compreensão daquilo em que se deve crer, sendo certo que para crer não basta ver, é necessário, sobretudo, compreender (Evangelho Segundo o Espiritismo cap. XIX, 6).
A partir do advento Jesus a questão fé passou a ter um novo enfoque e o conceito de religião muda substancialmente porque, no que era meramente emocional, foi introduzido a componente razão, ou seja, entendimento.
A fé, portanto, deve se apoiar sobre a lógica dos fatos não deixando atrás de si nenhuma obscuridade. Seguindo a máxima de que “não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 9, item 7), compreende-se, portanto, que a fé deve ser raciocinada.
Aliás, esse é um dos grandes méritos da doutrina espírita que finca a fé sobre as bases da razão. Kardec, o codificador da doutrina espírita, define a fé como sendo uma força de vontade direcionada para um certo objetivo, ou seja, a vontade de querer. Essa força pode ser aplicada no campo material, definido como a fé humana, e no espiritual, a fé divina, que orienta o homem na crença em uma força superior a ele e a tudo, que a tudo organiza e o direciona na busca da descoberta do seu lado imortal. Diz-nos que “a fé é humana e divina; se todos os encarnados estivessem bem persuadidos da força que têm em si, se quisessem colocar a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até o presente, chamou-se de prodígios, e que não é senão um desenvolvimento das faculdades humanas” (ob.c. cap. XIX, 12).
A união da razão à crença rompe com o antigo tabu da fé contemplativa que muitas vezes leva ao imobilismo e até mesmo ao fanatismo, ao criar uma fé dinâmica que é edificada vagarosa e conscientemente na medida em que se dá a evolução de cada indivíduo.
Diante dessa constatação há um natural repensar na forma individual e coletiva de expressão da espiritualidade. Dá-se, ainda, a busca de respostas para aquilo em se crê criando-se, como resultado, uma base sólida em termos de lógica, bom senso e comprovação.
Se a maioria da humanidade declara sua crença em Deus é chegado o momento de superar as diferenças impostas pelas religiões, que são janelas diferentes de uma mesma casa que devem ajudar a consolidar a fé, e refletir que todos somos filhos do mesmo Pai e que devemos nos unir em prol da construção um mundo melhor, simplesmente porque Ele é Justiça e, sobretudo, Amor.
Enfim, para ser proveitosa a fé deve ser ativa, mas não deve se entorpecer, devendo ser reconhecida como a mãe de todas as virtudes pois conduzem a Deus, trazendo como consequência a esperança e a caridade.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca