Através da Lei nº 11.310, de 12 de junho de 2006, o então presidente Luís Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei do Senado nº 149/04, de autoria do senador Papaléo Paes (AP) que instituiu o dia 5 de novembro como Dia Nacional da Língua Portuguesa no Brasil. Essa data não foi escolhida ao acaso. 5 de novembro é o dia do aniversário de nascimento de Rui Barbosa, um dos mais ferrenhos defensores da língua portuguesa no Brasil.
O idioma no mundo
Hoje cerca de 250 milhões de pessoas falam Português no mundo. No Brasil estão 80% desses falantes. O português é a língua oficial em Portugal, Ilha da Madeira, Arquipélago dos Açores, Brasil, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. É a quinta língua mais falada do planeta e a terceira mais falada entre as línguas ocidentais, atrás do inglês e do castelhano. Por toda essa importância, seu ensino é obrigatório nos países que compõem o Mercosul. Não oficialmente, o português também é falado por uma pequena parte da população em Macau (território chinês que foi até 1999 administrado pelos portugueses); no estado de Goa, na Índia (que foi possessão portuguesa até 1961) e no Timor Leste, na Oceania (até 1975 administrado pelos portugueses, quando então foi tomado pela Indonésia, atualmente é administrado pela ONU).
A Língua Portuguesa está espalhada por alguns continentes, como Europa, América Latina, África e Ásia. Isso se deve à política expansionista de Portugal, nos séculos 15 e 16, levando para as colônias essa língua tão rica, que se misturou a hábitos e crenças diversas e acabou sendo enriquecida com novas variedades regionais. Sua origem está no latim, que os romanos introduziram na Lusitânia, região norte da Península Ibérica, a partir de 218 a.C.
Após a invasão romana da Península Ibérica, todos aqueles povos, com exceção dos bascos, passaram a conviver com o latim, o que deu início ao processo de formação do português, espanhol e galego. Esse movimento de homogeneização cultural, linguística e política foi denominado de romanização. Até o século 9, a língua falada era o romance, uma espécie de estágio intermediário entre o latim vulgar e as modernas línguas latinas, como português, espanhol e francês. Essa fase é considerada como pré-história da língua. Do século 9 ao 12, encontram-se registros de alguns termos portugueses em escritos, mas o português manifestava-se então basicamente como uma língua falada. Dos séculos 12 a 16 desenvolveu-se o português arcaico, e do século 16 até hoje, o português moderno. O fim do período arcaico foi marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516. Já o português de Os Lusíadas, de Luís de Camões, em 1572, marca o início da fase moderna, pois tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, ou seja, no aspecto formal das palavras, sua linguagem se mostra mais próxima do atual.
No Brasil
A Língua Portuguesa aportou em nosso país junto com os portugueses através do descobrimento de nossas terras. Os indígenas resistiram à imposição da língua dos colonizadores, mas como isso não poderia ser evitado, foram promovidos contatos entre a língua portuguesa de Portugal e as diversas línguas indígenas, sobretudo com o Tupi, em sua variedade conhecida como Língua Geral da Costa. Esses contatos deram início às alterações do Português no Brasil, afetando apenas o léxico. Novos contatos ocorreram com a chegada dos milhões de africanos. Posteriormente, novos contatos ocorreram com o espanhol e o francês, por causa das invasões, e as línguas europeias de imigração, como o italiano, o alemão, o japonês, e outras línguas trazidas pelos imigrantes.
Curiosidades
O dia 10 de junho foi escolhido para representar a data do Dia da Língua Portuguesa, porque marca o aniversário da morte de Luiz Vaz de Camões, um dos maiores poetas portugueses. Ele faleceu no dia 10 de junho de 1580. Camões conviveu com grande parte das aventuras marítimas dos portugueses, conhecendo e poetando também sobre as aventuras de seus antepassados. Esse dia também foi escolhido para ser o Dia de Portugal.
Dialetos do Brasil
Há pouca precisão na divisão dialetal brasileira. Alguns dialetos, como o dialeto caipira, já foram estudados, estabelecidos e reconhecidos por linguistas, tais como Amadeu Amaral. Contudo, há poucos estudos a respeito da maioria dos demais dialetos. Uma tentativa de classificação dos dialetos foi realizada pelo Antenor Nascentes.
- Caipira - interior do Estado de São Paulo, norte do Paraná, sul de Minas Gerais, sul de Goiás e leste de Mato Grosso do Sul (Sul, Sudeste e Centro-Oeste);
- Dialeto nordestino do norte - dialeto falado no norte da Região Nordeste, mais precisamente no Maranhão e Piauí, com influência do dialeto nortista;
- Dialeto nordestino do sul/Baiano - dialeto falado no sul da Região Nordeste, mais precisamente na Bahia, com influência do dialeto mineiro;
- Fluminense - Estado do Rio de Janeiro (capital e regiões litorânea e serrana) (Sudeste);
- Gaúcho - Rio Grande do Sul, com alguma influência do castelhano, caracteriza-se principalmente pelo uso do “tu”, da segunda pessoa do singular, no lugar de “você”, comumente falado nas demais regiões do País. (Sul);
- Mineiro - Minas Gerais (Sudeste);
- Dialeto nordestino do centro - dialeto falado no centro da Região Nordeste, mais precisamente nos estados de Alagoas e Sergipe e interior do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. As cidades de Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza apresentam um dialeto misturado, forte influência dos dialetos paulistano, fluminense, sulista e naturalmente nordestino, devido migrantes recentes do Sudeste e Sul e nordestinos que voltam de São Paulo e Rio de Janeiro;
- Nortista - estados da bacia do Amazonas - (o interior e Manaus têm falares próprios);
- Paulistano - cidade de São Paulo e proximidades;
- Sertanejo - Estados de Goiás e Mato Grosso. Se assemelha aos dialetos mineiro e caipira;
- Sulista - Estados do Paraná e Santa Catarina. Este dialeto sofre inúmeras variações de pronúncia de acordo com a área geográfica, sendo influenciado pela pronúncia de São Paulo e Rio Grande do Sul com influências eslavas no Paraná e em algumas regiões de Santa Catarina, e na maioria das regiões deste estado influências portuguesas e gaúchas. Há pequena influência nas áreas de colonização alemã com sotaque.