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Domingo, 07 de Junho 2026
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Conhecimento que deprime

Colunista *ARNALDO LUIS THEODOSIO PAZETTI

Conhecimento que deprime
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Há inúmeras maneiras de nos sentirmos vivos. Avaliar, com frequência, se estamos no caminho certo é uma delas. Desde sempre, acredito que o conhecimento seja libertador e repito isso à minha filha como um mantra. Mas como algo pode ser libertador e, ao mesmo tempo, deprimente? As ilegalidades praticadas pelo STF – o guardião da Constituição que, sistematicamente, a rasga em suas decisões – expressam algo que, quanto mais conhecemos, mais nos angustiamos e nos sentimos impotentes. Nenhum princípio de Direito vale quando se trata do STF. Lá atrás, eram processos distribuídos a Gilmar Mendes, envolvendo pessoas de seu convívio íntimo. Depois, foi a fase de Alexandre de Moraes conduzir processos em que era, simultaneamente, vítima e julgador. Agora, é a vez de Dias Toffoli, com voltuosa operação financeira entre seus parentes e o Banco Master, cujo processo está em seu colo, ou melhor, em suas mãos. Imparcialidade é para fracos, não para imperadores. E, se o caro leitor possuir formação em Direito, portanto maior conhecimento sobre o assunto, a angústia será amplificada – como o médico que se abate intimamente por conhecer a evolução de doença terminal do paciente. E aprofundar conhecimento sobre os outros Poderes não traz alento. Ao contrário, fomenta o desespero. No Legislativo, não importa a cor da camisa, deputados federais (com raríssimas exceções) aprovam qualquer coisa, mediante liberação de emendas parlamentares, aliás, para eles, legislar se tornou atribuição menor. E o futuro do Executivo? Segundo pesquisa Datafolha, 74% dos pindoramenses se declaram petistas ou bolsonaristas. Mais uma vez, o conhecimento desacorçoa. A maioria acredita não haver esperança sem Lula ou Bolsonaro (ou alguém ungido por eles) e não consegue atingir a velocidade de escape, permanece presa à gravidade dos dois macunaímas. Não se trata de nutrir simpatia por afinidade pela direita ou esquerda, mas de depositar esperança em dois personagens populistas. Pertenço à minoria, aos 26% que acreditam que nem um nem outro está à altura de conduzir o País. É provável que, em breve, Flávio Bolsonaro (legitimado por seu DNA) e Lula (a alma mais honesta) estejam declamando suas (des)virtudes no 2º turno. “Eu não, eu não quero te matar! O que eu faria sem você?”, disse Coringa ao Batman em cena icônica. Posso imaginar Lula e Bolsonaro plagiando a cena. E não é que o conhecimento pode mesmo deprimir?

*Coronel PM, advogado e escritor

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