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Quarta-feira, 13 de Maio 2026
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A chave para compreender a natureza humana

Colunista *Paulo Eduardo de Barros Fonseca

A chave para compreender a natureza humana
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A humanidade aparenta estar dividida entre a necessidade de sobrevivência material e um propósito maior que justifique sua existência.

Nessa disputa interna de todo ser humano, obviamente por vezes mais arraigada em algumas pessoas, criou-se cosmovisões distintas que moldam a forma de como os seres humanos percebem, sentem e interagem com o planeta e o divino.

Em um mundo altamente tecnológico, de um lado, é crescente o renascimento da busca por espiritualidade, por procurar entender a figura que chamamos de Deus, e, de outro lado, há um viés materialista e até mesmo contestador que chega a duvidar da existência de uma inteligência suprema e causa primária de todas as coisas.

Isso, inclusive, tem gerado um crescente aumento de casos de ansiedade e depressão.

Essa é uma questão, que, ainda que por via transversa, de há muito tempo é debatida por filósofos, como por exemplo: Sócrates, Platão e Aristóteles, que viam Deus como o primeiro motor imóvel, causa final do movimento do universo e sugeriram que Deus é quem gera as almas e observa a ordem do universo.

Santo Agostinho e Tomás de Aquino, por sua vez, afirmaram que Deus é atemporal, ou seja, está fora do tempo e do espaço, e é o “motor imóvel” e causa eficiente inicial.

Já Immanuel Kant argumentou que Deus não pode ser provado pela razão teórica – pela ciência -, mas é um postulado da razão prática, garantindo a ordem moral e o "bem supremo". E, talvez nesse sentido, o físico Albert Einstein acreditava em uma inteligência superior manifestada na harmonia, ordem e beleza das leis naturais do universo; sendo que sua relação com Deus foi pautada por um profundo espanto com a lógica racional do universo que ele buscava entender por meio da física.

Em resumo, a filosofia divide-se entre ver Deus como um ser fora da criação – transcendente - ou dentro, sendo a própria criação – imanente -, ou ainda, como uma ideia moral.

Dessa concepção filosófica pode-se admitir que a existência de tudo que há no universo, inclusive a espécie humana, que é geneticamente homogênea ao compartilhar cerca de 99% do DNA, em profundidade é una, porque, na sua íntima essência espiritual existe uma substância que funde a individualidade que retorna ao centro comum que tudo irradia e que tudo atrai, que é um princípio de ordem e inteligência, causa primária de todas as coisas, a qual chamamos de Deus.

 Se para o nosso grau de evolução e entendimento essa ainda é uma concepção incognoscível ou indecifrável, ela nos é acessível sensorialmente pela percepção de sua existência.

Aliás, isso é de fácil discernimento e compreensão!

Como ainda somos incapazes de atingir o conhecimento de Deus transcendente absoluto, podemos nos aproximar muito do Deus imanente, vivo e presente que se faz apresentar, por exemplo, na natureza, na ordem que rege o universo – os planetas -, no próprio planeta em que vivemos ou no nosso próprio desenvolvimento pessoal, que se caracteriza num constante renascimento dentro das etapas da nossa vida: criança ontem, adulto hoje, velho amanhã; tudo muda nele e ao seu derredor, mas o que jamais muda é a existência desse centro pelo qual ele se chama e se sente sempre “eu”.

Ora, o universo, desde o infinito galáctico ao nuclear, é construído segundo um esquema único que se repete ao infinito em cada unidade menor, em que a maior se ramifica e se diferencia até a extrema pulverização, sendo, portanto, formado por infinitos “eus” que permanecem organicamente compactos.

Na origem desse esquema encontramos a inteligência suprema, causa primária de todos as coisas, que é o “eu” universal. Daí é absolutamente plausível que esse princípio inteligente - a fisionomia de Deus -, vivo e presente, resida em cada pessoa e se apresente em todas as formas de edificação do universo.

Sendo assim, a primeira qualidade de toda pessoa deveria ser a aptidão de perceber e sentir que Deus está em si mesmo, despertando para a vida do espírito, que é interior, pois, como disse São Paulo – Atos 17:28: “In ipso vivimus, movemur et sumus", ou seja, "pois nele vivemos, nos movemos e existimos".  Aliás, no sentido Santo Agostinho: “est Deus superior summo, interior intimo meo”, que significa, que Deus está na intimidade do ser e não deve ser procurado fora, mas dentro de nós.

Finalizando, é de sempre se lembrar do antigo aforismo grego dito por Sócrates e inscrito no templo de Apolo em Delfos, no sentido de que: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses", que indica que o autoconhecimento profundo é a chave para compreender a natureza humana, o mundo (o todo) e o divino, simplesmente porque Deus está dentro de cada um de nós. 

*Governador 2006/2007 do
Distrito 4430 de Rotary International.

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