Leo Fraiman, um dos mais renomados psicoterapeutas da atualidade, na área de educação de crianças e jovens, esteve no Colégio Imperatriz Leopoldina, no dia 13 de setembro de 2018, palestrando para um público de mais de quatrocentas pessoas, entre pais, amigos, familiares, parceiros do segmento educacional, professores, funcionários e comunidade escolar, e, na ocasião, abordou o tema “Caminhos para educar com maturidade e autonomia”.
O convidado iniciou sua exposição, recordando aos presentes que pais e professores podem inspirar filhos e alunos, em seu processo de crescimento. Além disso, trouxe à reflexão que educar depende do amadurecimento emocional dos pais, mais que de seus filhos.
De acordo com o psicoterapeuta, o importante para o desenvolvimento infanto-juvenil é ter clareza dos limites. Muitas vezes, para os filhos, os genitores ocupam o papel de mãe “chata” e pai “exigente”, porém suas ações contribuem para a autonomia dos jovens.
Sob essa perspectiva, há em todo pai e toda mãe o desejo de que seus filhos sejam felizes. Porém, para a construção do indivíduo e para uma vida feliz, é necessário que nos debrucemos sobre a prática de hábitos, valores e virtudes. Ademais, a qualidade nas relações humanas e entre pais e filhos é o que impacta o bom desenvolvimento mental, físico e emocional, principalmente, quando os filhos percebem que os responsáveis por eles importam-se com eles.
Conduzindo o diálogo, Leo Fraiman afirmou que ”Dá trabalho educar, dá trabalho fazer e não fazer, porém, se não cuidarmos, dará mais trabalho, lá na frente”. Portanto, por mais difícil que seja a arte de educar, é possível perseverarmos e não desistirmos diante do fracasso. Quando o pai assume um papel de submissão em relação ao filho, este se torna autoritário. Sendo assim, os pais devem ocupar um lugar de destaque e de permanência para orientarem e dizerem sim e não, sem fraquejarem, mesmo que eles, filhos, tencionem vencer-nos.
Antigamente, os filhos queriam conquistar o amor de seus pais e, hoje, observa-se que os pais esforçam-se para que os filhos gostem deles e respeitem-nos. Para tanto, “Melhor que ser legal, é ser leal”, diz Fraiman, acrescentando a ideia de que “A palavra final, em casa, é do adulto”.
O palestrante também discorreu sobre as virtudes que podemos construir e que são a base da felicidade. Mas, como conquistá-las? Por meio do equilíbrio, do conhecimento, do aprendizado, da cultura, da resiliência, da coragem, da pró-atividade e da ética. Recordou que é necessário, como seres humanos, escolhermos o bem e nos mantermos motivados, para desfrutarmos de boas relações humanas. Assim, experimentaremos a felicidade, pois a vida exigirá de nós uma atitude honesta, respeitosa e solidária. Há que treinemos as virtudes e que façamos isso com nossos filhos, para que eles aprendam com nossos exemplos, não caíam nas armadilhas e não parem diante dos obstáculos. “Gente trata gente com gentileza”, reiterou o palestrante, afirmando, também, que “Autonomia não é fazer tudo pelo filho, mas prover para a excelência”. E, para termos atitudes virtuosas, há que se treinar.
Para dar continuidade a essas reflexões, o Colégio Imperatriz Leopoldina, envolvido com a educação na contemporaneidade e com os conteúdos recorrentes na vida de jovens e crianças, oferece, mensalmente, de forma gratuita, Rodas de Conversa com pais. Esse projeto, iniciado neste ano, tem como objetivos ampliar o olhar sobre nossos filhos e alunos; descobrir caminhos para que possamos ajudá-los a se tornarem pessoas resilientes; refletir sobre quais métodos podemos usar na educação de nossos filhos, para que se tornem autônomos e seguros; identificar o modelo de educação que se faz pelo exemplo que somos como pais; sentir o que nos toca na relação entre educar, permitir e reprimir, quando e por quê; aprender a orientar os filhos para uma aprendizagem que envolva as relações sociais, como meio eficaz para o sucesso.
Encontros como esses, proporcionados pelo CIL, enriquecem e fortalecem a família, primeira instituição em que o indivíduo inicia sua história, tendo como referência o modelo de pais, irmãos, avós. Quando a família se preocupa com os valores e busca construi-los de forma ética e com consistência nos vínculos, gera filhos cônscios de seus limites e responsabilidades.
A função educativa dos pais é parte integrante e estruturante do sujeito, para que se torne capaz de saber conviver e ser, em larga medida, e estende-se, também, a outros ambientes externos, inclusive à escola, segunda instituição da vida de cada um.
No passado, a forma de educar era punir e castigar como direito legítimo do educador; hoje, com a mudança de costumes e a flexibilização das regras, há uma relação de maior amizade entre pais e filhos, tendo o diálogo como ação educativa. Porém, com toda a transformação que se faz necessária, inclinou-se para o lado extremo. Assim, os filhos assumiram uma postura de desobediência, não respeitando limites, sem desejo de estudar e aprender, sem autonomia e autoria nos trabalhos escolares e na vida pessoal.
Gratidão a todos os que prestigiaram o evento com o psicoterapeuta Leo Fraiman e que participaram das Rodas de Conversa, com o psicólogo Alexandre Braga da Costa e com a psiquiatra e psicanalista Suzana Grunspun.
Com o desejo de que permaneçamos unidos em nossa missão educativa, o CIL agradece seus colaboradores e almeja que essas parcerias sejam firmadas por muitos anos.
Ressalte-se que novas Rodas de Conversa, com especialistas, para pais e alunos, estão programadas.