SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Bairro da Vila Guilherme faz aniversário em 12 de setembro

Bairro que é um dos mais tradicionais da Zona Norte de São Paulo, mantém as características de uma cidade do interior

Em 12 de setembro de 1912 nascia a Vila Guilherme e o aniversário do bairro é motivo de muita alegria e comemoração para seus moradores. A Vila Guilherme é um  bairro que demostrou nas últimas décadas seu progresso com a chegada de shoppings, universidades, grandes redes atacadistas  e um volume enorme de grandes, médias e pequenas empresas; sem contudo perder o ar interiorano. Querido por seus moradores, o bairro de Vila Guilherme vem se destacando nos quesitos conforto e segurança, fruto do trabalho conjunto de entidades como a Prefeitura Regional da Vila Maria/Vila Guilherme, o Conselho Comunitário de Segurnaça (Conseg) da Vila Guilherme, Rotary Club de SãoPaulo (RCSP) - Vila Guilherme, Associação Amigos de Vila Guilherme e Associação Comercial de São Paulo (ACSP) - Distrital Vila Maria, dentre outras.

O distrito possui esse nome devido o fato de um dos primeiros proprietários da região chamar-se Guilherme (Guilherme Praun da Silva). Alguns logradouros como Joaquina Ramalho, Maria Cândida e Chico Pontes são nomes de parentes de Guilherme. A Vila Guilherme também tem uma das maiores concentrações de empresas transportadoras da América Latina, sendo considerado um dos centros mais importantes neste setor na cidade de São Paulo. Também possui uma alta concentração de concessionárias, agências e outros serviços automotivos. No distrito é possível encontrar um dos grandes shoppings centers do Brasil: o Center Norte, considerado outrora o maior shopping da América Latina, com grandes lojas populares, grifes, cinemas e áreas de diversão. O Center Norte, aliás, é um complexo que conta com um grande pavilhão de exposições (o ExpoCenter Norte), responsável por sediar grandes eventos nacionais e internacionais na cidade, a exemplo do maior e mais tradicional Anhembi, ainda o mais utilizado para a realização de inúmeros eventos, como exposições, shows e feiras. A Vila Guilherme também hospeda o Parque da Vila Guilherme, a antiga Sociedade Paulista de Trote, na divisa com o distrito da Vila Maria. Vale lembrar que antes da construção do Center Norte, havia no local um grande depósito de lixo, e também criação de porcos. Havia também um zoológico que foi fechado, porque um animal matou seu o seu criador.

Administração e educação

O bairro abriga também o 47° Cartório de Registro Civil - Subdistrito de Vila Guilherme, além de uma universidade: Universidade Paulista (Unip).

História

A história da Vila Guilherme está dividida em duas etapas, antes e depois de Guilherme Praun da Silva. Embora os arquivos históricos não possuam grandes quantidades de documentos relacionados com a história do bairro, não é muito difícil estabelecer um roteiro para uma pesquisa. Basta, portanto, relacionar um por um todos os personagens que são nomes de ruas neste populoso bairro de São Paulo. O “velho” Guilherme Praun, uma espécie de patriarca da fase pré-urbanista, talvez possuído de um desejo não muito definido, resolveu ajudar os que pesquisam a história, colocando o nome de cada rua, avenida ou praça do bairro, de um personagem ligado aos acontecimentos que ali ocorreram. Por isso, está demarcado com clareza as duas épocas distintas que viveu Vila Guilherme. Antes de Guilherme Praun, tudo começou por volta de 1573, quando o capitão-mor Jerônimo Leitão concedeu a sesmaria localizada à margem direita do Caminho Aterrado Novo além da Ponte Grande, atual Rua Voluntários da Pátria, antes conhecida como “Caminho dos Pires” a Salvador Pires. Essa ‘meia légua” doada a Salvador Pires, no lugar denominado Tapera, pertencera ao índio Baibebá, que foi, assim, o primeiro personagem conhecido da atual Vila Guilherme. As terras do índio Baibebá ficaram em poder dos descendentes do donatário Salvador Pires de Almeida, casado com dona Ignez Monteiro de Alvarenga, com a denominação de Sítio “Apiá”, abrangendo as Freguesias do Ó e Juqueri. O capitão Pedro Taques Pires, neto do donatário, vendeu as terras a José Antônio da Silva, casado com dona Maria Veloso da Conceição, que, em 11 de março de 1775, vendeu-as a Manoel Lopes de Oliveira. Por causa do falecimento de seu dono, o sítio, que na época tinha o nome de “Tremembé”, passou a seu filho, Ignácio, casado com a dona Josepha Eufrásia do Belém, que passou a denominá-lo Sítio da Varga ou Vargem. Em 22 de março de 1855, o dr. Joaquim Inácio Ramalho, Barão Ramalho, comprou a propriedade, que, depois do seu falecimento, passou a pertencer a sua filha, dona Joaquina Ramalho Pinto, até o começo do século passado.

Guilherme Praun

Começa em 12 de setembro de 1912 a outra era das terras que, no passado, pertenceram ao guerreiro Baibebá, quando Guilherme Praun da Silva, um comerciante, comprava de dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro, pela quantia de 80 contos de réis, uma área de cerca de 115 alqueires, com aproximadamente 2.760 mil metros quadrados, surgindo daí uma dezena de chácaras e pequenos sítios que formam o atual embrião da atual Vila Guilherme, graças ao espírito arrojado e dinâmico de seu novo dono. Segundo declarações de Amazonas Praun da Silva, o filho mais velho de Guilherme Praun, seu pai vislumbrava naquele enorme pedaço de terra o nascimento de um dos mais pujantes núcleos urbanos que São Paulo iria possuir. Guilherme Praun da Silva deu início às primeiras obras que iriam transformar radicalmente aquelas terras. Construiu um enorme sobrado ao lado da Sociedade Paulista de Trote (fundada por ele com nome de Clube Hípico de Vila Guilherme). Filho de imigrantes alemães, Guilherme Praun não parou de trabalhar; a palavra “progresso” não representava nada para ele, se não fosse aplicada com muito trabalho e tenacidade. Guilherme era amigo de todos, ele via nos portugueses uma grande disposição de trabalho e, por isso, vendeu para eles muitas chácaras, a preços módicos, para que ali instalassem cocheiras, colchoarias, oficinas de ferreiros e as carvoarias.

A Ponte de Vila Guilherme

Guilherme percebeu que a nova população em desenvolvimento, para não estagnar e continuar em ritmo acelerado seu crescimento, necessitava urgentemente de uma passagem que lhe possibilitasse o acesso ao outro lado do rio, onde fica o Pari. Foi então que ele, com recursos próprios, reuniu centenas de homens e resolveu construir a Ponte de Vila Guilherme sobre o Rio Tietê. Em continuação à ponte, abriu uma avenida, a que denominou de Avenida Guilherme, no que até hoje permanece. Naquele dia, ele ficou muito alegre depois de recepcionar com fidalguia todas as autoridades dá época que foram prestigiar o acontecimento, mandou abrir dezenas de caixas de champagnes francesas e as distribuiu com os operários que construíram a obra, mandando realizar , nessa noite, uma grande festa no bairro, que varou madrugada adentro e deixou muito felizes. No seu impulso de urbanização daquelas terras, Guilherme não parou e outras obras surgiram para montar a infraestrutura necessária a qualquer aglomeramento urbano: a farmácia; o grupo escolar; a delegacia de polícia; a olaria e outros melhoramentos.

Nomes das ruas

Guilherme Praun da Silva projetou o loteamento de suas terras, às quais resolveu denominar Vila Guilherme. Deu a cada uma das praças, ruas e avenidas os nomes de seus familiares, amigos e figuras que estavam relacionadas com a história do bairro em construção. Daí, surgiram os seguintes nomes para os logradouros de Vila Guilherme: Rua Maria Cândida (em homenagem à sua mulher): Rua Amazonas da Silva (seu primeiro filho); Rua Ida da Silva (sua filha); Rua Alfredo Praun da Silva (outro filho); Rua Joaquina Ramalho (homenagem à filha do Barão Ramalho, que lhe vendera o sítio); Rua 12 de Setembro (homenagem à data em que comprou o sítio); Rua Chico Pontes (homenagem a um dos primeiros moradores do bairro); Rua Cel. Jordão (homenagem a seu sogro, Jordão do Canto Silva); Praça Oscar da Silva (seu segundo filho) e outras ruas sempre com nomes de seus parentes e amigos.

Olarias, carvoarias, criação de gado

Embora em menor número, as carvoarias representaram a economia do bairro, em seu início. Porém, as olarias, dado à facilidade da retirada da matéria prima (barro encontrado nas várzeas do Tiête), foram se instalando em grande escala,para o fabrico de telhas e tijolos. A extinta Fábrica de Filtros Salus, fabricante de filtros e moringas, chegou ao bairro, para aproveitar-se da matéria prima (depois trazia argila de outros locais). Pela própria topografia do local (vale onde se encontrava capim propicio para pastagem), a criação de gado leiteiro teve grande destaque, além das colchoarias e pequenas oficinas. Sobre a atividade leiteira, podemos enfatizar que, tamanha era a produção, chegando ao ponto dos criadores fundarem a “ União dos Vaqueiros”, que não prosperou, devido aos muitos prejuízos contabilizados ao longo de sua curta duração, causadores até, pelos bombardeios da Revolução de 1924, onde muitas cabeças de gado foram mortas, o que redundou em sua venda, originando a companhia União dos Laticínios. Outrora, forneciam leite para grande parte de São Paulo e, com a obrigatoriedade da pasteurização por parte da vigilância sanitária, os vaqueiros foram vendendo seus rebanhos. Nos tempos dos criadores, uma leiteria ganhou destaque na Rua Maria Cândida, atual nº 815. De propriedade do português Avelino José Cordeiro, a casa comercial adquiria a produção dos vaqueiros, já em frascos de vidro, que eram armazenados em uma antiga geladeira, do tipo dois compartimentos com portas de madeira, na parte superior e inferior, acondicionados com grandes barras de gelo, para manter a refrigeração. Com o fim dessa atividade, sucedeu-a a extração de areia e de pedregulho. Por falar dessa fase, a ano de 1929 representou um marco negativo para a historia do bairro, coincidindo com a eclosão da Revolução Constitucionalista, com final no ano de 1932. Como sabemos, os primeiros moradores, em sua esmagadora maioria, foram os portugueses, que compraram terras do sr. Guilherme, o qual, mesmo nas grandes crises, facilitava a vida dos nossos irmãos lusitanos, deixando de cobrar as prestações, anotando-as em sua “caderneta de contabilidade”, para serem quitadas posteriormente. Por essa razão, era muito admirado e respeitado. O titulo de curiosidade, o sr. Guilherme fazia as cobranças em domicílio, conduzindo a sua própria charrete.

São Sebastião da Vila Guilherme

Por ter nascido em um dia 20 de janeiro, Guilherme Praun da Silva, era devoto de São Sebastião e, em sua homenagem, ergueu a capela no início da hoje Av. Joaquina Ramalho. Em 16 de julho de 1950, com o fim das obras da igreja, celebrou-se a primeira missa, passando a chamar-se de forma oficial “Paróquia de São Sebastião de Vila Guilherme”. Estava consolidada a doação daquele terreno, conforme carta enviada ao arcebispo  metropolitano de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva, em 31/10/37, comunicando-lhe sobre o ato, realizado dias antes, assinada pelo sr. Guilherme. A capela já houvera sido inaugurada em 20 de janeiro de 1922. Era comum, moradores e fiéis, saírem às ruas, com o objetivo de realizarem o “peditório (pedir aos moradores prendas e apoio econômico), para viabilizar as festas da igreja, comemoradas sempre no mês de junho e, com arrecadação em prol da construção da paróquia ou de obras sociais da mesma. O “peditório” consistia em os fiéis saírem de casa em casa ou comércio, acompanhados de músicos que, à medida que conseguiam os donativos, a “bandinha” tocava músicas da preferência dos doadores. As cédulas de dinheiro de maior valor eram penduradas no estandarte do santo padroeiro, com alfinetes, até no intuito de forçar o comerciante a doar maiores valores. Havia quermesses, leilões (das prendas angariadas), correio elegante (oferecimento de músicas para amigos, namorados...), nos moldes de cidades do interior. O “fogueteiro” era o “Benjaminzinho”, encarregado de soltar os fogos e rojões, avisando sobre a abertura dos festejos. Dentre os inúmeros párocos que passaram pela igreja, desde a sua fundação, que muito contribuíram para o desenvolvimento do bairro, destacamos o pe. Abel Gomes Leite, português de nascimento. Esse sacerdote projetava filmes (slide) nas paredes cobertas de panos, nos fundos da capela, para o deleite, principalmente, das crianças. O primeiro padre foi Mario Del Samir. O primeiro casamento celebrado na igreja foi do sr. José Eloy de Oliveira com dona Elisa Justra de Oliveira, pelo sacerdote de nacionalidade italiana: Também, sobre o pe. Mário ele teve uma atitude incomparável em vista de ter vendido um veiculo italiano (topline), de sua propriedade e, utilizado o dinheiro alcançado pela venda, para fazer a fundação da igreja.

Os “descobertos”

Com a atividade extrativista de areia e pedra no bairro, a partir da aquisição de terras na baixada, por parte do sr. João Veloso, inúmeras lagoas foram surgindo. Suas profundidades iam aumentando, à medida que a areia era retirada do local, além de pedregulhos, abundantes no fundo do banhado. Eram localizados a partir da atual Av. Guilherme até a direção da divisa com a Vila Maria, em sua maioria. Também, onde encontram-se, atualmente o Shopping Center Norte, Wall Mart, haviam outras, todavia, em menor escala. Contam os antigos moradores que, grande parte dos prédios construídos na cidade de São Paulo, foram com a areia e o pedregulho extraídos das várzeas, pois, perto de uma centena de dragas, ali trabalhavam. Com suas águas límpidas e piscosas, transformaram-se em atrativo para a população, que as utilizavam para banharem-se, fazendo muitas vitimas fatais ao longo dos anos. Eram conhecidas como “descobertos”, habitadas por peixes de varias espécies, com traíras, piaus, lambaris, etc. A partir da década de 1960, a Prefeitura de São Paulo, passou a depositar o lixo na cidade sobre esses “descobertos”, pondo fim às lagoas, entretanto trazendo muito aborrecimento e desconforto para os moradores, uma vez que, muitos animais indesejáveis começaram a habitar o local, sem falar no mau cheiro. Esses males tiveram fim, com o inicio das obras da Marginal do Tietê e por iniciativa de um homem chamado Otto Baumgart, que veio a adquirir grande parte dos terrenos pantanosos, dando início a um grande empreendimento no bairro, um verdadeiro marco, consolidado nos meados dos anos 1980, com a inauguração do Shopping Center Norte e outras construções de porte. Porém, em função do lixo acumulado, gases foram formados e armazenados no subsolo, que ensejavam brincadeiras das crianças, que ateavam fogo nos canos de escoamento, que perduravam por um bom tempo.Como observação, a canalização de gases ainda continua sobre o córrego que corta a atual Av. Zaki Narchi. Foram utilizadas, de igual forma, grande parte das terras escavadas durante a construção do metrô, além do entulho resultante da implosão do Edifício Mendes Caldeira, em 16 de novembro de 1975, a primeira no Brasil. Tem-se um aterro de cerca de 1,5m (um metro e meio), onde funcionam os principais centros comerciais. A destacar, a retificação do Rio Tietê (mudança de seu curso natural) que, contribuiu com a diminuição sensível das enchentes no bairro, muito constantes e permanentes tempos atrás, de acordo com relatos de antigos moradores, segundo os quais, muitos habitantes possuíam pequenas embarcações (canoas e botes), para a sua locomoção.

A primeira linha de ônibus

Até a instalação de primeira linha de coletivos no bairro ( 1934), a população, para alcançar o centro da cidade, atravessava a ponte sobre o Rio Tietê, para fazer uso do ônibus do bairro vizinho do Pari ou caminhava até o Carandiru, atrás da Rua Maria Cândida, onde utilizavam-se do extinto “trem da Cantareira”, já que, uma estação ferroviária ali se situava, no local onde esta instalada a atual Praça Orlando Silva. Eram tempos difíceis nas ruas sem qualquer tipo de pavimentação, erguendo poeiras nas passagens dos poucos e precários ônibus da linha do sr. Alípio pelo bairro. Nos dias de chuva, o lamaçal imperava nas vias públicas. Por essas razões, os veículos do tipo “jardineira”, receberam o apelido de “poeirinha”. Seu ponto inicial localizava-se na esquina da rua Maria Cândida com a av. Joaquina Ramalho, enquanto o ponto final era na Rua Dr. Olavo Egidio, posteriormente prolongado à Praça do Correio. Essa linha logo foi substituída pelos carros da Empresa Auto Ônibus Parada Inglesa, com garagem no terreno onde funcionou uma revendedora de automóveis e alguns supermercados. Sua linha recebeu o numero 57, tendo a cor predominante em marrom, com faixas beges. Partia da Praça Oscar da Silva, com destino ao Anhangabaú. Com relação ao “poeirinha”, consta como a primeira linha de ônibus, não somente de Vila Guilherme, como, também da Zona Norte, embora com curta duração. Sua tarifa era de trezentos reis: Contava com apenas três carros, trafegando de hora em hora. Seu ponto inicial, como já mencionamos era em frente ao “ Empório Secos & Molhados Campeão”, na esquina da Rua Maria Cândida com Rua Joaquina Ramalho. Seu primeiro motorista foi o sr. Arruda, mas, voltando aos tempos remotos, antes da instalação da linha de ônibus, os féretros eram realizados a pé, para o Cemitério da Quarta Parada, transpondo-se a ponte sobre o Rio Tietê, ou mesmo, até o Cemitério do Chora Menino, percorrendo-se a Rua Maria Cândida, Olavo Egydio, até alcançar a Av. Imirim.

Táxis

Seus motoristas ao iniciarem as corridas, perguntavam sobre o destino e, ao saberem tratar-se da Vila Guilherme, desistiam da empreitada.

Um crime político

No início da década de trinta, Vila Guilherme já era um dos bairros mais conhecidos na capital, em razão do trabalho desenvolvido pela família de Guilherme. Eram tempos de mudanças sociais e políticas em todo o País. São Paulo e seus bairros agitavam-se com as campanhas políticas e os comícios eram concorridíssimos. Um gaúcho percorria todo o País empolgando as multidões. Era Getúlio Vargas, que, apoiado no partido político Aliança Liberal pleiteava a presidência da República. Em São Paulo, essa oposição era representada pelo poderoso Partido Republicano Paulista (PRP). Embora não fosse um político militante, Guilherme Praun da Silva não podia omitir a Vila Guilherme do clima político da época. Comícios dos dois partidos eram realizados. Seu filho Oscar da Silva, pelo fato de seu pai ter construído o posto policial do bairro, foi nomeado subdelegado de polícia. Era hábito, naqueles tempos, a autoridade presidir comícios. Na noite de 23 de fevereiro de 1930, quando presidia a um comício do Partido Democrático, na esquina das ruas Maria Cândida e Joaquina Ramalho, Oscar da Silva foi assassinado a tiros por José Campos Sampaio, o “Meia-Noite”. O assassinato abalou São Paulo e o enterro de Oscar, que tinha 28 anos de idade, foi um dos mais concorridos. Júlio Prestes, que era o governador do Estado, autorizou que todas as despesas do enterro corressem por conta do Estado. “Meia-Noite”, o assassino, foi imediatamente preso e levado a julgamento, sendo condenado a um ano de prisão. Seu advogado, Marrey Júnior, entrou com um recurso para um novo julgamento, quando então ele foi absolvido e terminou seus anos numa modesta casinha, em Santana, no ano de 1967. A morte trágica de Oscar, abalou muito o “velho” Guilherme, que demonstrou sua tristeza profunda pelo acontecimento até o dia de sua morte, em 14 de agosto de 1938.

“A Herança Fantasma”

Sob esse título, o ministro Costa Manso, do Supremo Tribunal Federal, escreveu um livro abordando as inúmeras demandas judiciais suscitadas em razão das terras de Vila Guilherme. O tema central da obra está associado à disputa com outras pessoas que tentaram ficar com algumas glebas da Vila Guilherme. A essa ação o ministro Costa Manso chamou de “Herança Fantasma”  Outras disputas judiciais foram movidas tendo como sempre palco as terras da Vila Guilherme. Segundo familiares de Guilherme Praun, todas as questões foram vencidas pela família, que conseguiu provar a posse de todas as áreas que estavam em litígio.

O legado de Guilherme

As casas e terrenos que no passado constituiam-se no elemento principal do império do “velho” Guilherme foram legadas a seus familiares, que continuaram a obra iniciada pelo “patriarca” da Vila Guilherme. Atualmente, o bairro tem uma série de empreendimentos imobiliários, entre os quais se destacam dois grandes edifícios que levam o nome de Guilherme e sua mulher Maria Cândida Praun da Silva.

  • Compartilhe
  • Compartilhar no Facebook
  • Compartilhar no Google Plus
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no WhatsApp

Bairro da Vila Guilherme faz aniversário em 12 de setembro

Em 12 de setembro de 1912 nascia a Vila Guilherme e o aniversário do bairro é motivo de muita alegria e comemoração para seus moradores. A Vila Guilherme é um  bairro que demostrou nas últimas décadas seu progresso com a chegada de shoppings, universidades, grandes redes atacadistas  e um volume enorme de grandes, médias e pequenas empresas; sem contudo perder o ar interiorano. Querido por seus moradores, o bairro de Vila Guilherme vem se destacando nos quesitos conforto e segurança, fruto do trabalho conjunto de entidades como a Prefeitura Regional da Vila Maria/Vila Guilherme, o Conselho Comunitário de Segurnaça (Conseg) da Vila Guilherme, Rotary Club de SãoPaulo (RCSP) - Vila Guilherme, Associação Amigos de Vila Guilherme e Associação Comercial de São Paulo (ACSP) - Distrital Vila Maria, dentre outras.

O distrito possui esse nome devido o fato de um dos primeiros proprietários da região chamar-se Guilherme (Guilherme Praun da Silva). Alguns logradouros como Joaquina Ramalho, Maria Cândida e Chico Pontes são nomes de parentes de Guilherme. A Vila Guilherme também tem uma das maiores concentrações de empresas transportadoras da América Latina, sendo considerado um dos centros mais importantes neste setor na cidade de São Paulo. Também possui uma alta concentração de concessionárias, agências e outros serviços automotivos. No distrito é possível encontrar um dos grandes shoppings centers do Brasil: o Center Norte, considerado outrora o maior shopping da América Latina, com grandes lojas populares, grifes, cinemas e áreas de diversão. O Center Norte, aliás, é um complexo que conta com um grande pavilhão de exposições (o ExpoCenter Norte), responsável por sediar grandes eventos nacionais e internacionais na cidade, a exemplo do maior e mais tradicional Anhembi, ainda o mais utilizado para a realização de inúmeros eventos, como exposições, shows e feiras. A Vila Guilherme também hospeda o Parque da Vila Guilherme, a antiga Sociedade Paulista de Trote, na divisa com o distrito da Vila Maria. Vale lembrar que antes da construção do Center Norte, havia no local um grande depósito de lixo, e também criação de porcos. Havia também um zoológico que foi fechado, porque um animal matou seu o seu criador.

Administração e educação

O bairro abriga também o 47° Cartório de Registro Civil - Subdistrito de Vila Guilherme, além de uma universidade: Universidade Paulista (Unip).

História

A história da Vila Guilherme está dividida em duas etapas, antes e depois de Guilherme Praun da Silva. Embora os arquivos históricos não possuam grandes quantidades de documentos relacionados com a história do bairro, não é muito difícil estabelecer um roteiro para uma pesquisa. Basta, portanto, relacionar um por um todos os personagens que são nomes de ruas neste populoso bairro de São Paulo. O “velho” Guilherme Praun, uma espécie de patriarca da fase pré-urbanista, talvez possuído de um desejo não muito definido, resolveu ajudar os que pesquisam a história, colocando o nome de cada rua, avenida ou praça do bairro, de um personagem ligado aos acontecimentos que ali ocorreram. Por isso, está demarcado com clareza as duas épocas distintas que viveu Vila Guilherme. Antes de Guilherme Praun, tudo começou por volta de 1573, quando o capitão-mor Jerônimo Leitão concedeu a sesmaria localizada à margem direita do Caminho Aterrado Novo além da Ponte Grande, atual Rua Voluntários da Pátria, antes conhecida como “Caminho dos Pires” a Salvador Pires. Essa ‘meia légua” doada a Salvador Pires, no lugar denominado Tapera, pertencera ao índio Baibebá, que foi, assim, o primeiro personagem conhecido da atual Vila Guilherme. As terras do índio Baibebá ficaram em poder dos descendentes do donatário Salvador Pires de Almeida, casado com dona Ignez Monteiro de Alvarenga, com a denominação de Sítio “Apiá”, abrangendo as Freguesias do Ó e Juqueri. O capitão Pedro Taques Pires, neto do donatário, vendeu as terras a José Antônio da Silva, casado com dona Maria Veloso da Conceição, que, em 11 de março de 1775, vendeu-as a Manoel Lopes de Oliveira. Por causa do falecimento de seu dono, o sítio, que na época tinha o nome de “Tremembé”, passou a seu filho, Ignácio, casado com a dona Josepha Eufrásia do Belém, que passou a denominá-lo Sítio da Varga ou Vargem. Em 22 de março de 1855, o dr. Joaquim Inácio Ramalho, Barão Ramalho, comprou a propriedade, que, depois do seu falecimento, passou a pertencer a sua filha, dona Joaquina Ramalho Pinto, até o começo do século passado.

Guilherme Praun

Começa em 12 de setembro de 1912 a outra era das terras que, no passado, pertenceram ao guerreiro Baibebá, quando Guilherme Praun da Silva, um comerciante, comprava de dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro, pela quantia de 80 contos de réis, uma área de cerca de 115 alqueires, com aproximadamente 2.760 mil metros quadrados, surgindo daí uma dezena de chácaras e pequenos sítios que formam o atual embrião da atual Vila Guilherme, graças ao espírito arrojado e dinâmico de seu novo dono. Segundo declarações de Amazonas Praun da Silva, o filho mais velho de Guilherme Praun, seu pai vislumbrava naquele enorme pedaço de terra o nascimento de um dos mais pujantes núcleos urbanos que São Paulo iria possuir. Guilherme Praun da Silva deu início às primeiras obras que iriam transformar radicalmente aquelas terras. Construiu um enorme sobrado ao lado da Sociedade Paulista de Trote (fundada por ele com nome de Clube Hípico de Vila Guilherme). Filho de imigrantes alemães, Guilherme Praun não parou de trabalhar; a palavra “progresso” não representava nada para ele, se não fosse aplicada com muito trabalho e tenacidade. Guilherme era amigo de todos, ele via nos portugueses uma grande disposição de trabalho e, por isso, vendeu para eles muitas chácaras, a preços módicos, para que ali instalassem cocheiras, colchoarias, oficinas de ferreiros e as carvoarias.

A Ponte de Vila Guilherme

Guilherme percebeu que a nova população em desenvolvimento, para não estagnar e continuar em ritmo acelerado seu crescimento, necessitava urgentemente de uma passagem que lhe possibilitasse o acesso ao outro lado do rio, onde fica o Pari. Foi então que ele, com recursos próprios, reuniu centenas de homens e resolveu construir a Ponte de Vila Guilherme sobre o Rio Tietê. Em continuação à ponte, abriu uma avenida, a que denominou de Avenida Guilherme, no que até hoje permanece. Naquele dia, ele ficou muito alegre depois de recepcionar com fidalguia todas as autoridades dá época que foram prestigiar o acontecimento, mandou abrir dezenas de caixas de champagnes francesas e as distribuiu com os operários que construíram a obra, mandando realizar , nessa noite, uma grande festa no bairro, que varou madrugada adentro e deixou muito felizes. No seu impulso de urbanização daquelas terras, Guilherme não parou e outras obras surgiram para montar a infraestrutura necessária a qualquer aglomeramento urbano: a farmácia; o grupo escolar; a delegacia de polícia; a olaria e outros melhoramentos.

Nomes das ruas

Guilherme Praun da Silva projetou o loteamento de suas terras, às quais resolveu denominar Vila Guilherme. Deu a cada uma das praças, ruas e avenidas os nomes de seus familiares, amigos e figuras que estavam relacionadas com a história do bairro em construção. Daí, surgiram os seguintes nomes para os logradouros de Vila Guilherme: Rua Maria Cândida (em homenagem à sua mulher): Rua Amazonas da Silva (seu primeiro filho); Rua Ida da Silva (sua filha); Rua Alfredo Praun da Silva (outro filho); Rua Joaquina Ramalho (homenagem à filha do Barão Ramalho, que lhe vendera o sítio); Rua 12 de Setembro (homenagem à data em que comprou o sítio); Rua Chico Pontes (homenagem a um dos primeiros moradores do bairro); Rua Cel. Jordão (homenagem a seu sogro, Jordão do Canto Silva); Praça Oscar da Silva (seu segundo filho) e outras ruas sempre com nomes de seus parentes e amigos.

Olarias, carvoarias, criação de gado

Embora em menor número, as carvoarias representaram a economia do bairro, em seu início. Porém, as olarias, dado à facilidade da retirada da matéria prima (barro encontrado nas várzeas do Tiête), foram se instalando em grande escala,para o fabrico de telhas e tijolos. A extinta Fábrica de Filtros Salus, fabricante de filtros e moringas, chegou ao bairro, para aproveitar-se da matéria prima (depois trazia argila de outros locais). Pela própria topografia do local (vale onde se encontrava capim propicio para pastagem), a criação de gado leiteiro teve grande destaque, além das colchoarias e pequenas oficinas. Sobre a atividade leiteira, podemos enfatizar que, tamanha era a produção, chegando ao ponto dos criadores fundarem a “ União dos Vaqueiros”, que não prosperou, devido aos muitos prejuízos contabilizados ao longo de sua curta duração, causadores até, pelos bombardeios da Revolução de 1924, onde muitas cabeças de gado foram mortas, o que redundou em sua venda, originando a companhia União dos Laticínios. Outrora, forneciam leite para grande parte de São Paulo e, com a obrigatoriedade da pasteurização por parte da vigilância sanitária, os vaqueiros foram vendendo seus rebanhos. Nos tempos dos criadores, uma leiteria ganhou destaque na Rua Maria Cândida, atual nº 815. De propriedade do português Avelino José Cordeiro, a casa comercial adquiria a produção dos vaqueiros, já em frascos de vidro, que eram armazenados em uma antiga geladeira, do tipo dois compartimentos com portas de madeira, na parte superior e inferior, acondicionados com grandes barras de gelo, para manter a refrigeração. Com o fim dessa atividade, sucedeu-a a extração de areia e de pedregulho. Por falar dessa fase, a ano de 1929 representou um marco negativo para a historia do bairro, coincidindo com a eclosão da Revolução Constitucionalista, com final no ano de 1932. Como sabemos, os primeiros moradores, em sua esmagadora maioria, foram os portugueses, que compraram terras do sr. Guilherme, o qual, mesmo nas grandes crises, facilitava a vida dos nossos irmãos lusitanos, deixando de cobrar as prestações, anotando-as em sua “caderneta de contabilidade”, para serem quitadas posteriormente. Por essa razão, era muito admirado e respeitado. O titulo de curiosidade, o sr. Guilherme fazia as cobranças em domicílio, conduzindo a sua própria charrete.

São Sebastião da Vila Guilherme

Por ter nascido em um dia 20 de janeiro, Guilherme Praun da Silva, era devoto de São Sebastião e, em sua homenagem, ergueu a capela no início da hoje Av. Joaquina Ramalho. Em 16 de julho de 1950, com o fim das obras da igreja, celebrou-se a primeira missa, passando a chamar-se de forma oficial “Paróquia de São Sebastião de Vila Guilherme”. Estava consolidada a doação daquele terreno, conforme carta enviada ao arcebispo  metropolitano de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva, em 31/10/37, comunicando-lhe sobre o ato, realizado dias antes, assinada pelo sr. Guilherme. A capela já houvera sido inaugurada em 20 de janeiro de 1922. Era comum, moradores e fiéis, saírem às ruas, com o objetivo de realizarem o “peditório (pedir aos moradores prendas e apoio econômico), para viabilizar as festas da igreja, comemoradas sempre no mês de junho e, com arrecadação em prol da construção da paróquia ou de obras sociais da mesma. O “peditório” consistia em os fiéis saírem de casa em casa ou comércio, acompanhados de músicos que, à medida que conseguiam os donativos, a “bandinha” tocava músicas da preferência dos doadores. As cédulas de dinheiro de maior valor eram penduradas no estandarte do santo padroeiro, com alfinetes, até no intuito de forçar o comerciante a doar maiores valores. Havia quermesses, leilões (das prendas angariadas), correio elegante (oferecimento de músicas para amigos, namorados...), nos moldes de cidades do interior. O “fogueteiro” era o “Benjaminzinho”, encarregado de soltar os fogos e rojões, avisando sobre a abertura dos festejos. Dentre os inúmeros párocos que passaram pela igreja, desde a sua fundação, que muito contribuíram para o desenvolvimento do bairro, destacamos o pe. Abel Gomes Leite, português de nascimento. Esse sacerdote projetava filmes (slide) nas paredes cobertas de panos, nos fundos da capela, para o deleite, principalmente, das crianças. O primeiro padre foi Mario Del Samir. O primeiro casamento celebrado na igreja foi do sr. José Eloy de Oliveira com dona Elisa Justra de Oliveira, pelo sacerdote de nacionalidade italiana: Também, sobre o pe. Mário ele teve uma atitude incomparável em vista de ter vendido um veiculo italiano (topline), de sua propriedade e, utilizado o dinheiro alcançado pela venda, para fazer a fundação da igreja.

Os “descobertos”

Com a atividade extrativista de areia e pedra no bairro, a partir da aquisição de terras na baixada, por parte do sr. João Veloso, inúmeras lagoas foram surgindo. Suas profundidades iam aumentando, à medida que a areia era retirada do local, além de pedregulhos, abundantes no fundo do banhado. Eram localizados a partir da atual Av. Guilherme até a direção da divisa com a Vila Maria, em sua maioria. Também, onde encontram-se, atualmente o Shopping Center Norte, Wall Mart, haviam outras, todavia, em menor escala. Contam os antigos moradores que, grande parte dos prédios construídos na cidade de São Paulo, foram com a areia e o pedregulho extraídos das várzeas, pois, perto de uma centena de dragas, ali trabalhavam. Com suas águas límpidas e piscosas, transformaram-se em atrativo para a população, que as utilizavam para banharem-se, fazendo muitas vitimas fatais ao longo dos anos. Eram conhecidas como “descobertos”, habitadas por peixes de varias espécies, com traíras, piaus, lambaris, etc. A partir da década de 1960, a Prefeitura de São Paulo, passou a depositar o lixo na cidade sobre esses “descobertos”, pondo fim às lagoas, entretanto trazendo muito aborrecimento e desconforto para os moradores, uma vez que, muitos animais indesejáveis começaram a habitar o local, sem falar no mau cheiro. Esses males tiveram fim, com o inicio das obras da Marginal do Tietê e por iniciativa de um homem chamado Otto Baumgart, que veio a adquirir grande parte dos terrenos pantanosos, dando início a um grande empreendimento no bairro, um verdadeiro marco, consolidado nos meados dos anos 1980, com a inauguração do Shopping Center Norte e outras construções de porte. Porém, em função do lixo acumulado, gases foram formados e armazenados no subsolo, que ensejavam brincadeiras das crianças, que ateavam fogo nos canos de escoamento, que perduravam por um bom tempo.Como observação, a canalização de gases ainda continua sobre o córrego que corta a atual Av. Zaki Narchi. Foram utilizadas, de igual forma, grande parte das terras escavadas durante a construção do metrô, além do entulho resultante da implosão do Edifício Mendes Caldeira, em 16 de novembro de 1975, a primeira no Brasil. Tem-se um aterro de cerca de 1,5m (um metro e meio), onde funcionam os principais centros comerciais. A destacar, a retificação do Rio Tietê (mudança de seu curso natural) que, contribuiu com a diminuição sensível das enchentes no bairro, muito constantes e permanentes tempos atrás, de acordo com relatos de antigos moradores, segundo os quais, muitos habitantes possuíam pequenas embarcações (canoas e botes), para a sua locomoção.

A primeira linha de ônibus

Até a instalação de primeira linha de coletivos no bairro ( 1934), a população, para alcançar o centro da cidade, atravessava a ponte sobre o Rio Tietê, para fazer uso do ônibus do bairro vizinho do Pari ou caminhava até o Carandiru, atrás da Rua Maria Cândida, onde utilizavam-se do extinto “trem da Cantareira”, já que, uma estação ferroviária ali se situava, no local onde esta instalada a atual Praça Orlando Silva. Eram tempos difíceis nas ruas sem qualquer tipo de pavimentação, erguendo poeiras nas passagens dos poucos e precários ônibus da linha do sr. Alípio pelo bairro. Nos dias de chuva, o lamaçal imperava nas vias públicas. Por essas razões, os veículos do tipo “jardineira”, receberam o apelido de “poeirinha”. Seu ponto inicial localizava-se na esquina da rua Maria Cândida com a av. Joaquina Ramalho, enquanto o ponto final era na Rua Dr. Olavo Egidio, posteriormente prolongado à Praça do Correio. Essa linha logo foi substituída pelos carros da Empresa Auto Ônibus Parada Inglesa, com garagem no terreno onde funcionou uma revendedora de automóveis e alguns supermercados. Sua linha recebeu o numero 57, tendo a cor predominante em marrom, com faixas beges. Partia da Praça Oscar da Silva, com destino ao Anhangabaú. Com relação ao “poeirinha”, consta como a primeira linha de ônibus, não somente de Vila Guilherme, como, também da Zona Norte, embora com curta duração. Sua tarifa era de trezentos reis: Contava com apenas três carros, trafegando de hora em hora. Seu ponto inicial, como já mencionamos era em frente ao “ Empório Secos & Molhados Campeão”, na esquina da Rua Maria Cândida com Rua Joaquina Ramalho. Seu primeiro motorista foi o sr. Arruda, mas, voltando aos tempos remotos, antes da instalação da linha de ônibus, os féretros eram realizados a pé, para o Cemitério da Quarta Parada, transpondo-se a ponte sobre o Rio Tietê, ou mesmo, até o Cemitério do Chora Menino, percorrendo-se a Rua Maria Cândida, Olavo Egydio, até alcançar a Av. Imirim.

Táxis

Seus motoristas ao iniciarem as corridas, perguntavam sobre o destino e, ao saberem tratar-se da Vila Guilherme, desistiam da empreitada.

Um crime político

No início da década de trinta, Vila Guilherme já era um dos bairros mais conhecidos na capital, em razão do trabalho desenvolvido pela família de Guilherme. Eram tempos de mudanças sociais e políticas em todo o País. São Paulo e seus bairros agitavam-se com as campanhas políticas e os comícios eram concorridíssimos. Um gaúcho percorria todo o País empolgando as multidões. Era Getúlio Vargas, que, apoiado no partido político Aliança Liberal pleiteava a presidência da República. Em São Paulo, essa oposição era representada pelo poderoso Partido Republicano Paulista (PRP). Embora não fosse um político militante, Guilherme Praun da Silva não podia omitir a Vila Guilherme do clima político da época. Comícios dos dois partidos eram realizados. Seu filho Oscar da Silva, pelo fato de seu pai ter construído o posto policial do bairro, foi nomeado subdelegado de polícia. Era hábito, naqueles tempos, a autoridade presidir comícios. Na noite de 23 de fevereiro de 1930, quando presidia a um comício do Partido Democrático, na esquina das ruas Maria Cândida e Joaquina Ramalho, Oscar da Silva foi assassinado a tiros por José Campos Sampaio, o “Meia-Noite”. O assassinato abalou São Paulo e o enterro de Oscar, que tinha 28 anos de idade, foi um dos mais concorridos. Júlio Prestes, que era o governador do Estado, autorizou que todas as despesas do enterro corressem por conta do Estado. “Meia-Noite”, o assassino, foi imediatamente preso e levado a julgamento, sendo condenado a um ano de prisão. Seu advogado, Marrey Júnior, entrou com um recurso para um novo julgamento, quando então ele foi absolvido e terminou seus anos numa modesta casinha, em Santana, no ano de 1967. A morte trágica de Oscar, abalou muito o “velho” Guilherme, que demonstrou sua tristeza profunda pelo acontecimento até o dia de sua morte, em 14 de agosto de 1938.

“A Herança Fantasma”

Sob esse título, o ministro Costa Manso, do Supremo Tribunal Federal, escreveu um livro abordando as inúmeras demandas judiciais suscitadas em razão das terras de Vila Guilherme. O tema central da obra está associado à disputa com outras pessoas que tentaram ficar com algumas glebas da Vila Guilherme. A essa ação o ministro Costa Manso chamou de “Herança Fantasma”  Outras disputas judiciais foram movidas tendo como sempre palco as terras da Vila Guilherme. Segundo familiares de Guilherme Praun, todas as questões foram vencidas pela família, que conseguiu provar a posse de todas as áreas que estavam em litígio.

O legado de Guilherme

As casas e terrenos que no passado constituiam-se no elemento principal do império do “velho” Guilherme foram legadas a seus familiares, que continuaram a obra iniciada pelo “patriarca” da Vila Guilherme. Atualmente, o bairro tem uma série de empreendimentos imobiliários, entre os quais se destacam dois grandes edifícios que levam o nome de Guilherme e sua mulher Maria Cândida Praun da Silva.

Publicidade