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Sábado, 12 de Setembro 2026
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A mente do criminoso

Colunista *Percival de Souza

A mente do criminoso
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Os presídios estão abarrotados, a reincidência – sai, volta, entra de novo – é alta, a sociedade convive com o crivo do medo e uma pergunta é inevitável: quem são os personagens do mundo do crime?

Pela passarela onde desfilam, o cardápio penal é imenso, mostrando o que eles preferem fazer e a sociedade não acha nada saboroso. A preferência gira em torno dos crimes contra o patrimônio, roubos e furtos. A segunda são os assassinatos e tentativas de matar. A terceira é o tráfico de drogas, sempre acoplado ao consumo, diagnóstico de uma sociedade doente.

Estamos diante de um laboratório de comportamento humano, totalmente desprezado para estudos científicos com seus derivados sociais. A ótica sobre o tema deixa a desejar, a ponto de pedir perdão para certos legisladores que não sabem o que resolvem. Por exemplo: matar é o ato mais expressivo da violência. Nada existe de mais grave do que tirar a vida de alguém. Entretanto, a tipificação desse crime, pelo artigo 121 do Código Penal, possui um item esdrúxulo: ali se diz que existe uma categoria de “homicídio simples”. Como se alguma forma de matar pudesse ser “simples”. Além de absurda, a expressão configura um grave atentado gramatical, pois o significado de “simples” é: desprovido de afetação, sincero, puro ou sem malícia. Esperem aí! O legislador, como vemos, está precisando urgentemente de um editor de texto.

Mudando de homicídio para patrimônio: roubar com violência, o popular assalto, é traumático e assustador. Ter uma arma apontada para a cabeça é uma imagem que nunca vai se apagar. A vítima está à mercê: sabe que diante de qualquer gesto que o bandido considere vacilo, o gatilho pode ser apertado. E se for, dentro de casa, num carro, na rua ou numa moto, seria como se tipifica, “latrocínio”. De novo, o idioma vigente: ao sobrepor, no caso, o patrimônio ao homicídio, vemos que se valoriza mais, e pela lei, mais o patrimônio do que a vida.

Os crimes de morte são interpessoais. Não sobem ou descem por gestão de governo, que nada tem a ver com intenções, apesar da farta exploração política. O cardápio penal, suculento, cobra um alto preço. Não existe cartão de crédito. Só débito. Você paga a conta e dane-se: aqui, vítima não passa de estatística.

Olhar macro é preciso. Populismo e letargia fazem as vítimas de reféns e experimentos, para “em tese” – mais um eufemismo – definir o que aconteceu.

* Jornalista e escritor

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