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Domingo, 02 de Agosto 2026
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Semanário da Zona Norte tem entrevista exclusiva com o dr. Vanderlei de Almeida Rosa, diretor do Conjunto Hospitalar do Mandaqui

Conheça os desafios do Mandaqui no combate à superlotação e os planos para o futuro do Complexo Hospitalar

Semanário da Zona Norte tem entrevista exclusiva com o dr. Vanderlei de Almeida Rosa, diretor do Conjunto Hospitalar do Mandaqui
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Fundado em 1938 como um sanatório pioneiro no tratamento da tuberculose, o Conjunto Hospitalar do Mandaqui (CHM) confunde-se com a própria história do desenvolvimento da Zona Norte de São Paulo. Hoje, transformado em um dos maiores complexos de saúde pública do estado, o hospital é a principal fortaleza da região no atendimento de alta complexidade, sendo referência absoluta em politraumatismos, neurocirurgia e maternidade de alto risco.

No entanto, a magnitude do Mandaqui traz consigo desafios proporcionalmente gigantescos. A mudança no perfil dos pacientes do SUS — que chegam às unidades com quadros de saúde cada vez mais graves e crônicos — reflete-se diretamente no dia a dia da instituição, evidenciada no reflexo visual das macas em corredores e na superlotação do Pronto-Socorro.

Para entender como equilibrar essa imensa demanda com a busca por excelência, o Semanário da Zona Norte traz uma entrevista exclusiva com o diretor do CHM, dr. Vanderlei de Almeida Rosa. Nesta conversa franca, o gestor detalha as estratégias para modernizar o hospital — que incluem desde a reforma geral do ambulatório até o inovador Projeto Ressignificar de acolhimento a vítimas de violência —, aborda o legado deixado pela pandemia e revela a grande meta de sua gestão: a implantação de uma UPA no complexo para desafogar as emergências.

Confira, a seguir, os principais trechos dessa entrevista essencial para toda a comunidade da Zona Norte:

JSZN: Dr. Vanderlei, o Conjunto Hospitalar do Mandaqui (CHM) é uma das instituições de saúde mais tradicionais e importantes da Zona Norte. Como o senhor avalia o atual momento do hospital e quais são os principais desafios de gerenciar um complexo desse porte hoje?

Dr. Vanderlei: O Conjunto Hospitalar do Mandaqui teve papel significativo na história da saúde pública da cidade e do estado. Desde sua fundação em 04/12/1938 fez história na assistência aos pacientes com Tuberculose e a partir de 1982 quando iniciou sua transformação como hospital geral vivenciou a ampliação dos seus serviços e tornou-se referência no atendimento de casos de Politrauma, Neurocirurgia, Cirurgia Vascular, Pediátrica e Maternidade de Alto Risco. Nos últimos anos os dirigentes das unidades SUS tem acompanhado a mudança de perfil dos usuários que cada vez mais apresentam várias comorbidades, patologias e aportam os hospitais já com gravidade de seu estado clinico. O CHM por ser unidade com porta aberta, atende tanto demanda espontânea como demanda referenciada e por contar com parque tecnológico diferenciado recebe cada vez mais pacientes em seus prontos socorros e vivencia na maioria dos dias grande número de macas em seus corredores por superlotação.

 Hoje nosso grande desafio está diretamente ligado a superlotação do Pronto Socorro e ao grande número de pacientes hospitalizados em quadro paliativos/oncológicos/sociais que ocupam os leitos da unidade. Acrescido ainda da necessidade de implantação de uma UPA na área do Parque Hospitalar.

JSZN: O hospital é referência em atendimentos de alta complexidade, como traumas e urgências. Quais têm sido as principais frentes de investimento em infraestrutura e tecnologia para manter a eficiência e a agilidade nesses momentos críticos?

Dr. Vanderlei: No momento estamos focados em:

                Implantação do Projeto Ressignificar que objetiva a melhoria do acolhimento e atendimento integrado multidisciplinar e setorial de mulheres (Sala Lilás) e crianças (Sala Laranja) vítimas de violência

• Ampliação do serviço de hemodinâmica da unidade,

• Implementação dos protocolos de atendimento para casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC)

• Substituição de Camas Hospitalares

• Em curso reforma geral do ambulatório do hospital

JSZN: A humanização no atendimento hospitalar é um tema cada vez mais debatido e essencial para a recuperação dos pacientes. Como o Mandaqui tem trabalhado esse aspecto no dia a dia, tanto com os pacientes quanto no suporte às famílias?

Dr. Vanderlei: O CHM conta com núcleo de humanização voltado para o cumprimento das políticas SUS quanto a humanização. A unidade desenvolve ações diretamente ligadas ao paciente e aos profissionais. As ações ocorrem através de algumas parcerias (Doutor Cão, Doutores da Alegria, Pastorais Religiosas, Associação de Voluntarias do CHM entre outras).

As equipes assistenciais de enfermagem e serviço social também desenvolvem ações para o cumprimento do preconizado em cartilha SUS no tocante a humanização do atendimento (Rodas de Conversa, Visita da Gestante, Orientações de higiene Bucal e Distribuição de Kits de higiene Bucal e outros.

JSZN: Sabemos que a demanda da Zona Norte por serviços de saúde pública é altíssima. Existe algum projeto recente de ampliação de leitos, novos ambulatórios ou reformas em andamento que a comunidade possa esperar para os próximos meses?

Dr. Vanderlei:       Implantação do Projeto Ressignificar que objetiva a melhoria do acolhimento e atendimento integrado multidisciplinar e setorial de mulheres (Sala Lilás) e crianças (Sala Laranja) vítimas de violência

• Ampliação do serviço de hemodinâmica da unidade

• Ampliação do serviço de Endoscopia com ampliação de Ecoendoscopia

Em curso: reforma geral do ambulatório do hospital com previsão de reabertura para 2027.

JSZN: A pandemia trouxe muitos aprendizados para a saúde pública mundial. Olhando para trás e pensando no presente, qual foi o maior legado ou transformação que aquele período deixou na dinâmica de trabalho do Mandaqui?

Dr. Vanderlei: Para o CHM após a Pandemia houve o incremento de 07 (sete) leitos de UTI Adulto. Como ocorreu na maioria dos hospitais, tecnicamente foram repactuados novos protocolos assistenciais, redimensionados o perfil das equipes assistenciais (incremento do serviço de fisioterapia) e revisados protocolos terapêuticos e manejos de pacientes respiratórios. Aumento das normas e precauções de biossegurança por todas as equipes.

JSZN: Por trás de um grande hospital existem milhares de profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e a equipe de apoio. Como a diretoria tem atuado para garantir a valorização, o bem-estar e a capacitação contínua desse corpo clínico?

Dr. Vanderlei: A diretoria tem se esforçado para manter ações de educação permanente em saúde (treinamentos, reciclagem, capacitações) para seus servidores/profissionais. Acrescido a esta política interna a unidade tem parceria com instituições de ensino, através da contrapartida dos estágios e tem disponibilizado bolsas de estudo de Pós graduação e graduação aos servidores interessados. Houve nesta gestão também um incremento de espaços, internamente, voltados a Descompressão laboral, bem como ações em parceria com o voluntariado do hospital para práticas alternativas de saúde (florais, acupuntura, reiki e outros) para os profissionais/colaboradores.

JSZN: A integração entre o hospital e a comunidade local é fundamental. De que maneira o Mandaqui busca ouvir as demandas dos moradores e das lideranças da Zona Norte para aprimorar os serviços prestados?

Dr. Vanderlei: Mensalmente a direção da unidade e o Conselho Gestor do hospital se reúnem para discutir democraticamente demandas provenientes do colegiado, bem como para a prestação de contas das ações internas em curso.

JSZN: Para encerrarmos, qual é a principal meta ou o grande legado que o senhor, à frente da diretoria, almeja consolidar para o futuro do Conjunto Hospitalar do Mandaqui?

Dr. Vanderlei: A principal meta da atual gestão do Conjunto Hospitalar do Mandaqui é implantar e integrar uma unidade de Pronto Atendimento (UPA) ao complexo hospitalar e consolidar o Projeto Ressignificar. Deixando como legado:

• Desafogamento do Pronto-Socorro: A integração entre o hospital e uma nova UPA objetivando separar casos de menor complexidade dos graves politraumas da Zona Norte, reduzindo filas e agilizando o fluxo de atendimento do SUS, focando em qualidade e segurança do paciente.

• Acolhimento Humanizado: A consolidação do Projeto Ressignificar, focado no suporte a mulheres vítimas de violência, busca garantir dignidade, proteção e atendimento especializado.

• Fortalecimento Institucional: Modernizar a infraestrutura e valorizar os profissionais, mantendo a tradição do hospital como referência em alta complexidade e de Ensino.

JSZN: Dr. Vanderlei, hoje as mídias sociais desempenham um papel fundamental na agilidade e na democratização da informação. Como o senhor avalia a importância desses canais digitais para a comunicação do Hospital do Mandaqui com a população e, especificamente, como enxerga o impacto das mídias sociais do jornal Semanário da Zona Norte — que une a credibilidade de um veículo tradicional à força e alcance da internet — para aproximar o hospital da comunidade?

Dr. Vanderlei: Com certeza as mídias sociais democratizam o acesso à informação e encurtam a distância entre as instituições de saúde e a comunidade. Canais digitais permitem que o Hospital do Mandaqui informe sobre campanhas preventivas e funcionamento do SUS.

Através de nosso Instagram conseguimos divulgar nossa política institucional com transparência e de forma direta apresentar nossos serviços, orientar sobre pronto-socorro e compartilhar ações de humanização e reformas.

Com certeza as mídias sociais são grandes aliadas na comunicação, educação e prestação de contas junto a população dos serviços ofertados e realizados no CHM comunicação

Hospital Mandaqui

História

Fundado em 1º de dezembro de 1938 pelo decreto 9566, o Hospital Mandaqui foi o primeiro hospital governamental de São Paulo especializado em tuberculose.

Com 100 leitos iniciais, expandiu sua capacidade para 450 leitos, tornando-se o ponto de partida para a rede de hospitais de tuberculose do governo estadual.

Desde seus primeiros anos, o hospital foi referência em cirurgia torácica, evoluindo e se tornando o maior centro cirúrgico especializado do estado.

1970

Em 17 de setembro de 1970, o hospital passou a ser o Parque Hospitalar do Mandaqui. Essa mudança foi um marco para sua transformação, que culminou em 1988, quando se tornou um Hospital Geral, incorporando o Hospital Infantil da Zona Norte.

1997

Em 10 de janeiro de 1997, a instituição foi rebatizada como Conjunto Hospitalar do Mandaqui, com uma nova missão e organograma que aproximou gestores e áreas operacionais, otimizando a eficiência e o foco na qualidade do atendimento.

2004 e 2005

O compromisso com a melhoria contínua se concretizou com a reforma de prédios e inauguração de novos serviços. Em 2004, o antigo Hospital Infantil foi totalmente reformado, dando espaço para o Centro de Referência do Idoso e um novo Ambulatório de Especialidades. Em 2005, inauguramos o Pronto Socorro Infantil e o serviço de emergência do Pronto Socorro de Adultos, ampliando significativamente nossa capacidade de atendimento.

O Hospital hoje

Atualmente, o Conjunto Hospitalar do Mandaqui é um Hospital Geral e de ensino de nível terciário, sendo referência para o atendimento de politraumatizados na Zona Norte de São Paulo.

O hospital tem cerca de 450 leitos, um aumento significativo em relação aos 100 leitos iniciais. Essa capacidade o consolida como um dos maiores hospitais gerais da região.

O hospital é um importante centro de ensino, com programas de residência médica e estágios de especialização em áreas como enfermagem, fisioterapia e nutrição, reconhecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso reforça sua missão de “ensino e pesquisa”.

O Conjunto Hospitalar do Mandaqui atende a diversas especialidades, com destaque para a área de Radiologia & Diagnóstico por Imagem, que é considerada um dos setores mais bem estruturados do complexo.

Serviços mantidos pelo Conjunto Hospitalar do Mandaqui

•Gerência de Clínica Médica

•Gerência de Pediatria

•Gerência de Urgência e Emergência

•Gerência do Ambulatório de Especialidades

•Gerência de Apoio Técnico

•Gerência de Informação

Hospital de Ensino

O que é Hospital de ensino?

É um “espaço de referência da atenção à saúde para alta complexidade, a formação de profissionais de saúde e desenvolvimento tecnológico…”(Portaria GM/MS nº 1702/2004)

Como começou?

Com o Programa de Reestruturação dos Hospitais de Ensino – parceria Ministério da Saúde (MS) / Ministério da Educação (MEC) – baseado em quatro eixos a serem desenvolvidos de forma integrada.(Portaria GM/MS nº 1.702/2004)

4 Eixos: Gestão, Assistência, Ensino e Pesquisa

Qual o seu foco?

•Melhores práticas

•Avaliação permanente

•Compromisso de todos

•Transparência da informação

Qual a sua competência?

Aos Hospitais de Ensino compete “ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde.” CF Art. 200, III Essa competência, originalmente atribuída ao Sistema Único de Saúde, recai sobre os Hospitais de Ensino por extensão, já que seus serviços passam a ser 100% integrados ao SUS.

Qual a sua abrangência?

“Os campos de prática de ensino e de pesquisa em saúde abrangem todos os espaços de produção das ações e serviços de saúde, da promoção junto à coletividade ao atendimento nas unidades ambulatoriais e hospitalares”. (Portaria GM/MS n° 1.702/2004)

A abrangência dos Hospitais de Ensino envolve todas as instâncias de assistência à saúde do SUS de forma articulada e integrada, onde atua como polo importante de formação de profissionais para a saúde.

O que é internato do Curso de Medicina?

O internato hospitalar corresponde ao período dos últimos anos do curso de graduação em medicina (em geral os últimos dois anos), no qual o aluno tem um estágio automático em um ou vários hospitais, no qual acompanha as disciplinas básicas na medicina: Saúde Coletiva, Clínica Médica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia e Cirurgia Geral.

Classificado “estagiário padrão”, o acadêmico de medicina está sob supervisão direta do médico responsável pelo serviço (staff), mas com contato mais próximo dos residentes (em especial os R1). Classicamente, tem como atribuições serviços menos especializados e mais “braçais”, sendo este estágio supervisionado sua oportunidade de iniciar a prática de tomada de decisões clínicas e aquisição de destreza em procedimentos médicos.

A carga horária mínima do estágio curricular deverá atingir 35% da carga horária total do Curso de Graduação em Medicina devendo incluir atividades no primeiro, segundo e terceiro níveis de atenção em cada área. No máximo 20% desta carga horária poderá ser destinada a atividades teóricas, sendo, portanto, a característica principal dessa etapa do curso de graduação a atividade prática.

O Colegiado do Curso de Graduação em Medicina poderá autorizar, no máximo 25% da carga horária total estabelecida para este estágio, a realização de treinamento supervisionado fora da unidade federativa, preferencialmente nos serviços do Sistema Único de Saúde, bem como em Instituição conveniada que mantenha programas de Residência credenciados pela Comissão Nacional de Residência Médica e/ou outros programas de qualidade equivalente em nível internacional.

Objetivos

Consolidar os conhecimentos e habilidades adquiridos pelo aluno nos oito primeiros semestres letivos do Curso de Medicina através da interação do aluno com usuários e profissionais da área de saúde nos diferentes cenários de aprendizagem (Hospital Universitário, Hospitais Públicos e Privados conveniados, Rede Municipal de Saúde).

Possibilitar ao aluno a atuação nos diferentes níveis de atenção à saúde através do contato com problemas reais, para que o mesmo possa assumir responsabilidades crescentes como agente prestador de cuidados e atenção, compatíveis com seu grau de autonomia e estar apto a assumir posições de liderança com compromisso, responsabilidade e habilidade para tomada de decisões.

Vincular, através da integração ensino-serviço, a formação médico-acadêmica às necessidades sociais da saúde, de acordo com o sistema de saúde do país.

Estimular ao aluno tornar-se crítico e responsável pelo processo de aprendizagem no decorrer de sua vida profissional.

Residência médica

A residência médica é uma modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização. Funcionando em instituições de saúde como hospitais-escola, os pós-graduandos realizam atividades profissionais remuneradas sob a orientação de médicos especialistas.

Residência médica no Brasil

A Residência Médica no Brasil constitui modalidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento em serviço, funcionando sob a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não, sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. Foi instituída no Brasil pelo decreto número 80.281,1 de 5 de setembro de 1977.

O Conjunto Hospitalar do Mandaqui, hospital onde são desenvolvidas as atividades do Curso de Medicina, Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Psicologia e Odontologia da Universidade Nove de Julho é certificado pelo Ministério da Saúde e Ministério da Educação como Hospital de Ensino de acordo com a Portaria Interministerial nº 2.400/MEC/MS, de 2 de outubro de 2007, que estabelece os critérios obrigatórios para a certificação como Hospitais de Ensino das instituições hospitalares que servem de campo para a prática de atividades curriculares na área da saúde, sejam Hospitais Gerais e, ou Especializados, vinculados a Instituição de Ensino Superior, pública ou privada, ou, ainda, formalmente conveniados com Instituição de Ensino Superior e a Portaria Interministerial nº 2.758/MEC/MS, de 23 de novembro de 2011, que constitui a Comissão de Certificação dos Hospitais de Ensino e o Grupo de Técnicos Certificadores.

R. Voluntários da Pátria, 4301 - Santana, São Paulo - SP, 02401-400, Brasil

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