O mês de setembro foca na questão da saúde mental enquanto uma prioridade global de saúde pública que afeta a humanidade, a qual se vê envolva em uma crise que exige atenção e medidas urgentes.
Segundo estudos que se baseiam em dados oficiais de saúde pública, estima-se que 14,3% dos jovens do mundo, com idade entre 5 e 19 anos, enfrentam algum quadro relacionado à saúde mental, o que representa algo em torno de 166 milhões de pessoas. Já no Brasil, cerca de 20% dos jovens entre 5 e 29 anos de idade convivem com algum transtorno mental, representando 15,6 milhões de pessoas.
Num quadro mais amplo, conforme recentes estudos publicados na revista científica The Lancet, estima-se que 1 em cada 7 pessoas no mundo conviva com algum quadro de transtorno mental, o que perfaz, aproximadamente, 1,2 bilhões de pessoas. No Brasil, o índice é equivalente a 20% da população, ou cerca de 45 milhões de pessoas.
A maior preocupação reside no crescente aumento de casos de ansiedade e de depressão que, em última instancia, podem resultar no aumento de casos de suicídio, que é terceira principal causa global de morte prematura entre jovens de 15 a 29 anos.
Esses dados técnicos mostram que a dimensão do problema envolve corpo e mente, e que a espiritualidade, associada à ciência, entra como uma dimensão complementar de cura, propósito e acolhimento. Essa crise alcança e fragmenta o bem-estar psíquico e emocional da humanidade, tornam-se fundamental expandir o olhar para além dos diagnósticos clínicos.
Nesse horizonte, a dimensão espiritual, atuando juntamente com a ciência, manifesta-se como um refúgio de sentido. Isso porque, quando a mente adoece, o espírito também busca por respostas, por conexão e por uma paz que ultrapassa o entendimento puramente biológico. Olhar para a saúde mental sob a ótica espiritual é reconhecer a vulnerabilidade e transformações emocionais e comportamentais, bem como acolher a dor da alma, resgatar a esperança e lembrar que nenhum indivíduo está sozinho em sua travessia.
Assim, é urgente conscientizar a todos sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. Mais do que isso, é preciso introduzir a dimensão da alma por meio do exercício da caridade, que se dá pelo acolhimento, pelo diálogo e pela quebra de tabus.
Cuidar da saúde mental sob essa ótica é cumprir o mandamento do Cristo de amar ao próximo, estendendo o acolhimento fraterno como um farol de consolo que ilumina a mente, pacifica as emoções e fortalece o espírito para vencer as tormentas da atual existência.
* Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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