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Domingo, 28 de Junho 2026
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Perspectivas da experiência humana

Colunista *Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Perspectivas da experiência humana
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São várias as técnicas de estudos sobre a evolução humana que ajudam esclarecer a origem do homem e a ocupação do planeta que, segundo pesquisas científicas, foi formado há, mais ou menos, 4,6 bilhões de ano.

De um lado, numa perspectiva evolucionista, embora envolta em muitos mistérios e incertezas, a ciência diz que o homo sapiens, que em latim significa pessoa sábia, ou seja, a espécie humana moderna evolutiva que se difere das demais por possuir inteligência e razão, surgiu somente há cerca de 300 a 200 mil anos depois de um amplo processo evolutivo de bilhões de anos. 

Foi assim que, a partir de várias espécies de seres primitivos, numa atividade gradual de mudanças biológicas e culturais - como o desenvolvimento do bipedismo, aumento do tamanho do cérebro e o desenvolvimento da linguagem e da cultura - o processo de evolução humana teria acontecido integralmente no continente africano para, numa ação migratória, entre 2 a 1,8 milhões de anos, partir da África para a Ásia e, posteriormente, entre 1,5 e 1 milhão de anos, ter chegado à Europa.

É incontestável que a espécie humana, enquanto, repita-se,  a única  espécie dotada de inteligência e razão, decorreu de um notável processo de adaptação, passando por diversos períodos de transformação e de fases decorrentes do meio em que vive, tendo adquirido as características atuais e se desenvolvido intelectualmente chegando, há somente cerca de 500 anos, ao início da atual revolução histórica que é a científica e tecnológica, responsável pela expansão do consumo e desenvolvimento social, político e tecnológico.

De outro lado, no contexto religioso e, se pode dizer, filosófico, também envoltos em enigmas, o ser humano é um ser corporal e espiritual, ou seja, dual, com vocação para a transcendência, que possui um fim externo e superior a si mesmo, guardando relação com Deus e, por consequência, com a espiritualidade, que é um elemento essencial para o seu desenvolvimento por meio da prática de virtudes e da busca por conhecimento.

Essa dualidade é tema central de diversas filosofias e religiões, com diferentes abordagens sobre a relação e hierarquia entre esses dois elementos.

 Portanto, se a ciência, por suas limitações, foca no estudo do corpo físico e seus processos, a filosofia e a religião exploram a dimensão da alma e sua relação com a experiência humana e o universo. 

Assim, na ótica filosófica e religiosa, com as características que lhes são inerentes, admite-se que a natureza espiritual do homem se diferencia da física, sendo a alma, incorpórea e imperecível, o princípio da vida e da consciência, enquanto que o corpo é o invólucro material. 

Com isso, o que chamamos de vida do ser humano decorre da união do involucro material – o corpo, que é perecível -, ao princípio da vida e da consciência - a alma, que é imperecível.

Porém, nesse aspecto, há estudiosos que, numa visão tripartide, entendem que o ser humano é composto por corpo, alma e espírito. A alma e o espírito teriam funções distintas, mas que são intercambiáveis.  A alma seria responsável pelas funções mentais e emocionais, enquanto o espírito a força vital ou à essência que dá vida ao corpo e nos conecta com o divino ou com algo transcendental, sobrevivendo à morte do corpo físico.

Cabe dizer, a complexidade acerca das perspectivas da experiência humana no planeta, repita-se, decorrem dos mistérios, enigmas e incertezas que envolvem o tema sejam no enfoque evolucionista, como no  filosófico-religioso.

Apesar disso e das diferentes abordagens sobre a matéria, nesta despretensiosa e breve reflexão, permito-me expor meu entendimento - que aceito com mais facilidade e coerência - no sentido de que a espécie humana surgiu com a humanização do princípio inteligente, independentemente do plano de vida em que se esteja situado - físico ou espiritual - e que a individualidade espiritual passa por múltiplas experiências em diferentes situações e esferas vibracionais sempre rumo à evolução.

Nessa lógica, como seres espirituais criados pela inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, a qual chamamos de Deus, a origem e o propósito da vida, relacionados com a natureza da evolução espiritual, nos impulsionam a busca constante e gradual pela harmonia e elevação, para progredirmos rumo ao predomínio da natureza espiritual sobre a material, o que, inevitavelmente, nos levará, individual e coletivamente, a um mundo mais harmonioso e fraterno.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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