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Segunda-feira, 15 de Junho 2026
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Perdão, Ruy Fontes

Colunista *Percival de Souza

Perdão, Ruy Fontes
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Tiros de fuzil abateram Ruy Fontes, atrelado ao cinto de segurança do seu carro, emboscado por bandidos na Praia Grande. O ex-delegado-geral da Polícia Civil, crivado de balas, morreu na hora. Peço perdão para ele, onde estiver, porque foi nossa sociedade que o matou impiedosamente. O pior é que as lágrimas de dor derramadas por Ruy, foram acompanhadas de sorrisos sarcásticos, escancarados pela turba de sempre: aqueles que querem tirar proveito da situação, os inimigos de plantão da Polícia, detratores que se rotulam “professores” e “especialistas”.

Algumas formas para classificar a tenebrosa turba: hienas, crocodilos sem lágrimas, chacais, eunucos cerebrais, serpentes intelectualóides. Agiram para tripudiar, com insinuações maldosas e nenhum lamento pela morte. Sem entender absolutamente nada, dando palpites e “sugestões”. São os inimigos gratuitos da Polícia. “Vagabundos”, como diria Osvaldo Nico, secretário-adjunto de Segurança. Prazer macabro eurotizado desses adoradores da morte, que procuram a Polícia quando precisam e nunca param de criticá-la.  Por causa desses crápulas, patifes desumanos, pedimos perdão, Ruy. Eles nada sabem do que dizem. Desprovidos de cérebro.

Ruy, você entrou em ação naqueles dias de 2006 quando o PCC aterrorizou São Paulo, com matanças e ataques. O Governo preferiu mentir ao dizer que a facção não existia. Começaram as investigações no Deic, sob a direção do delegado Godofredo Bittencourt. Assim foram descobertas muitas coisas. Os panacas de hoje ignoram. Por incrível que pareça, o PCC tinha respeito por você, Ruy, desde o dia em que efetuava a prisão de uma mulher do bando, vestida só de camisola. Você mandou seus policiais virarem as costas enquanto ela se vestia. Esse respeito virou ódio quando você foi solicitado a prestar depoimento sobre a facção criminosa, na Câmara Federal. A sessão foi secreta, ninguém podia entrar além dos membros da comissão parlamentar de inquérito. No outro dia, o PCC já sabia de tudo: um funcionário da Câmara, corrompido, forneceu para o bando a transcrição do depoimento. Uma amostra da infiltração por todas as partes. Tradução do crime bem organizado.

Ruy, combateu o cartel global. Tudo deu e nada em troca recebeu, nem mesmo o reconhecimento. Devemos muito a ele. Na viagem para o jardim eterno, nossas preces o acompanharam. Merecia muitas homenagens, nunca a morte. Descanse na paz.

*Jornalista e escritor

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