Tinha 4 aninhos o menino Henry Borel, morto numa sucessão selvagem de torturas. Sofreu, muito, com várias lesões graves, incluindo uma contundente, no fígado, provocando hemorragia interna. Estava com padrasto e mãe num apartamento na Barra da Tijuca, Rio. Já chegou sem vida ao hospital.
Podem falar o que quiserem. Acompanhei o caso passo a passo e não preciso de discussões estéreis e muito menos bizantinas para saber o que aconteceu naquele lugar, onde comprovadamente não havia mais ninguém. Só Jairo Santos, o padrasto Jairinho, a vítima e Monique Medeiros, a mãe.
Jairinho foi condenado a 43 anos e nove meses de prisão. Monique, surpresa no Tribunal do Júri: a juíza Elizabet Loro concedeu-lhe perdão e ela foi solta na hora. Discutir autoria no caso é ridículo. Jairinho foi o espancador da morte. Sente prazer sádico em agredir crianças. Nos longos momentos de fortes socos e pontapés, Monique diz que estava dormindo. Ambos diriam que Henry (que sofreu laceração hepática) havia caído da cama. Mentira chocante.
Na cena do crime, únicos personagens: o menino e o casal. Nem um imbecil acreditaria na existência de uma quarta pessoa, matando por matar. É aquele tipo de julgamento onde você só tem dúvidas sobre qual pena será aplicada. Cinco anos depois do crime e onze dias de julgamento, a surpresa. Jairinho, médico, jogou na lata do lixo os princípios éticos de Hipócrates. Monique, como revelou a babá Thayná Ferreira, ouviu os gritos desesperados de Henry e se limitou a comentar: “coitado do meu filho”.
O caso do brutal assassinato transformou-se numa sinistra opereta bufa ao longo do processo. Um show de chicanas, procrastinações, embromações, barrigas empurrando, enganações, ultrapassagens de qualquer limite de enrolação.
Não há o que discutir ou sofismar. O espírito das leis também foi sepultado numa vala comum. Perdoar não é sinônimo de esquecer. Direito é defender o fraco diante do mais forte. Está escrito: quem de qualquer modo participa de um crime, incide nas mesmas penas a este cominadas.
Urgente: o Tribunal de Justiça tem o dever legal e moral de reformar a decisão, sob a pífia alegação de que condenar seria misoginia” (?). por parte de uma “cultura machista”(!). Desculpe, Excelência: diante do forte impacto da onda, que é o assassinato do filho, não se pode olhar apenas para o farfalhar frívolo da espuma. Perdão, Henry Borel.
*Jornalista e escritor
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