Celebrar o Dia Internacional da Mulher é, acima de tudo, um exercício de memória e um chamado à ação. Embora o comércio muitas vezes tente reduzir a data a mimos e mensagens açucaradas, a essência deste dia é profundamente política e estrutural.
As comemorações não existem para dizer que as mulheres são "especiais", mas para lembrar que a igualdade ainda é um projeto em construção.
A importância dessa data reside em três princípios fundamentais que sustentam a evolução da nossa sociedade: O reconhecimento histórico, que é o momento de honrar as operárias, sufragistas e ativistas que garantiram direitos que hoje parecem básicos, como o voto, o estudo e o trabalho remunerado; a visibilidade das lacunas, onde a data serve para colocar dados desconfortáveis na mesa. A disparidade salarial, a sobrecarga do trabalho doméstico e os índices de violência de gênero não podem ser ignorados quando o mundo inteiro está debatendo o tema; e o fortalecimento da rede, onde as celebrações promovem o encontro. É quando coletivos, empresas e governos são pressionados a renovar compromissos com políticas de equidade e proteção.
Não se trata de rejeitar a gentileza, mas de exigir a justiça. Uma empresa que entrega rosas, mas não possui mulheres em cargos de diretoria, ou um Estado que parabeniza as cidadãs, mas não investe em delegacias especializadas, esvazia o sentido da data.
A verdadeira comemoração do 8 de março acontece quando transformamos a homenagem em hábito. Celebrar a mulher é garantir que sua voz tenha o mesmo peso, que seu corpo tenha segurança e que suas escolhas sejam respeitadas todos os outros 364 dias do ano.
O dia 8 de março não é um ponto de chegada, mas um marco de conferência: o quanto avançamos desde o último ano e o quanto ainda precisamos caminhar?
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