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Sábado, 01 de Agosto 2026
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O nosso cavalo de Troia

Colunistas *Percival de Souza

O nosso cavalo de Troia
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O épico Odisseia, de Homero, grande sucesso no cinema, revive a história de Ulisses para resgatar Helena, na origem mitológica da Guerra de Troia. Contém uma aula de filosofia, transportando para o mundo real as aventuras do herói grego, ao voltar para casa, em Ítaca, após longa ausência. Uma aula de vida: quem somos, nossos desejos e para onde vamos.

 O estratagema usado por Ulisses na invasão de Troia foi genial: construiu um gigantesco cavalo de madeira, que abrigava no seu interior uma tropa armada. Os demais soldados foram embora, simulando uma retirada militar. O enigmático cavalo ficou deixado na praia, como se fosse um presente, quase à entrada das muralhas. Assim os invasores surpreendem, saltam de cavalo e fazem a destruidora invasão. Em São Paulo, temos o maior monumento equestre do mundo, 48 metros de altura, obra de Victor Bechret, escultor ítalo-brasileiro, com 48 metros de altura, montado na praça Princesa Isabel, em homenagem ao patrono do Exército Brasileiro, o duque de Caxias.

O cavalo de Troia tem tudo a ver com o nosso tempo, pois espelha com fantástica precisão tudo o que está acontecendo. Na longa viagem de retorno, Ulisses enfrenta monstros de variados tipos, como o cíclope de um olho só, sereias de canto irresistível e fatal, a feiticeira Circe que transforma homens em porcos e outros desafios. Uma grande aventura humana.

Entre nós, também existe um simbólico cavalo real, abrigando dentro de si uma série de monstros, que poderiam ser habitantes nas pessoas. O nosso cavalo anda a galope, com ferraduras e lanças avassaladoras, ainda hoje estrategicamente utilizado no policiamento de choque. Tudo repleto de significados mitológicos: dentro dele, escondem-se sedentos de poder, capazes de invadir lugares e dominá-los. Perigosos, saqueadores, roedores que amam o dinheiro pilhado. Ulisses estava longe de Ítaca, onde era rei. Penélope, a esposa fiel, esperava. Dizia-se que ele não voltava porque já estaria morto. E mais não conto, porque o filme, certamente do seu interesse, relata tudo isso com maestria. Penélope passa o tempo tecendo uma mortalha de dia para desmanchá-la à noite, fórmula para entreter na promessa de que, quando terminasse, atenderia aos atrevidos pretendentes querendo ocupar o lugar de Ulisses.

Somos 213 milhões de brasileiros, tecendo como fazia Penélope. Esperamos que nosso herói volte. Apareça de verdade.

*Jornalista e escritor

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