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Domingo, 16 de Agosto 2026
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O que é Polícia de Estado

Colunista *Percival de Souza

O que é Polícia de Estado
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Se o presidente eleito Tancredo Neves não tivesse falecido antes da posse, ela se chamaria Polícia do Tesouro. Nos parâmetros constitucionais, a Polícia Judiciária da União.

Tornou-se muito forte, a melhor. Nem sempre foi assim. A Polícia Federal, no passado Departamento Federal de Segurança Pública, ocupava em São Paulo um modesto sobrado na Rua Piauí, depois de ter ficado por anos na Rua Xavier de Toledo. O comando era de um oficial do Exército, coronel ou general. Assim foi até 1984, quando o governo Franco Montoro decidiu extinguir o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e condenar ao ostracismo seu diretor, o delegado Romeu Tuma. Foi quando começou a metamorfose.

Tuma, braço direito do poderoso coronel Erasmo Dias, secretário de Segurança, também era forte. A nova Polícia de Montoro não daria cargo algum para ele. Tuma voou para Brasília para conversar com o presidente João Batista Figueiredo, que anos antes fôra comandante-geral da Polícia Militar. Quando voltou para São Paulo, ele já era o novo superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Isso causou constrangimento na corporação. Após o fim da era Tuma, começou a grande transformação.

A Polícia Federal começou pela primeira vez na sua história a gerir seu próprio destino. Aperfeiçoou-se, com evolução e modernização de recursos técnicos. Seus méritos são indiscutíveis. O conceito de Polícia de Estado foi fortalecido, o que é bem diferente das Polícias estaduais, onde é o governador quem decide tudo na área de Segurança Pública, com absoluta autonomia. Hoje, o Brasil está vivendo uma situação delicada, política e institucionalmente. A PF, com suas operações nunca vistas antes, chegou ao topo da ousadia nas prisões, investigações, inquéritos e ações de inteligência. Exatamente por causa disso, muita gente, que jamais se imaginaria alvo dos torpedos policiais, viu-se acuada, amedrontada, detida, presa, buscas e indiciamentos. Como não escapa ninguém, tornou-se alvo da ira daqueles tidos como intocáveis.

Tudo isso ao extremo de acontecer algo nunca visto: os 27 superintendentes regionais da PF assinaram em conjunto um documento em integral apoio ao diretor-geral, torpedeado por alvos em potencial e pretendentes a interferência de controle e mando nas investigações. O recado está dado: seja quem for, não se meta a besta conosco.

Terrível, muito significativo, constrangedor.

*Jornalista e escritor

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