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Luto, Qualidade de Vida e Saúde

A perda de uma pessoa querida (pais, filhos, cônjuge, parentes, amigos)

Luto, Qualidade de Vida e Saúde
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A perda de uma pessoa querida (pais, filhos, cônjuge, parentes, amigos) nos põe de luto, a perda de um animal de estimação (gato, cachorro, pássaro), de um sonho, a reprovação em um concurso, o término de um relacionamento, o divórcio, a aposentadoria, tudo isso, também tem potencial para nos por de luto. A morte de um ídolo deixa toda uma nação de luto, com foi o caso de Ayrton Senna, da Princesa Diana, assim como o falecimento de um bombeiro ou policial, põe toda uma Instituição de luto.   

O luto paralisa, causa uma dor insuportável, desesperança, raiva, angústia, tristeza profunda, medo, insegurança, solidão, vazio. Um sentimento que desorienta a vida, tira o sentido das coisas, procura explicações e não tem prazo ou tempo para passar.

A psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross explica que cinco são as fases do luto, sem necessariamente, uma ordem ou que o enlutado passará por todas. São estas: 1. Negação – quando a pessoa nega a realidade da morte. Muitas vezes evita falar sobre o ocorrido; 2. Raiva – há uma revolta com sentimento de injustiça e não conformação; 3. Barganha – ocorre uma negociação com si mesmo, com intuito sair do sofrimento. Há promessas a Deus de que será uma pessoa melhor, mais gentil com as outras pessoas; 4. Depressão – há um sentimento de impotência e a pessoa se mantém isolada e melancólica; e 5. Aceitação – quando a pessoa consegue aceitar a realidade e passa a enfrentar.

Para a psicóloga e especialista Maria Julia Kovács do Laboratório de Estudos sobre a Morte (LEM) da Universidade de São Paulo, não há uma fórmula para lidar com o luto, mas é possível acolher o sofrimento e quando isso ocorre inicia-se o processo de elaboração do luto. Ademais, vivenciar o luto torna-se necessário e indispensável para que seja preenchido o vazio deixado pela perda significativa (objeto, emprego, viagem, amizade, etc). Uma maior dificuldade ocorre quando a pessoa fica presa à alguma das fases citadas.

Mas, como lidar e apoiar uma pessoa de luto? No entendimento de Kovács, o melhor apoio e suporte a oferecer consiste em estar disponível naquilo que a pessoa precisar (consolo, acolhimento, conforto, esclarecimentos). Na maioria das vezes é melhor oferecer uma escuta atenciosa e falar somente o essencial. Caso seja intenso o sofrimento ou houver uma situação de risco de adoecimento, um profissional saberá lidar melhor com a pessoa. 

Muito embora nossa sociedade atual exija do enlutado uma reação à vida, não respeita a intensidade do sofrimento e, por vezes, exige um restabelecimento rápido ainda que por meio medicamentoso, importa saber que o luto não acaba nunca, oscila para melhor ou pior no cotidiano, daí porque permitir à pessoa expressar-se sempre, ainda que silenciosamente.

Por tudo isso, a recordação do ídolo Ayrton Senna (do Brasil) e a consternação pela passagem de muitas pessoas queridas, vítimas da covid-19, se feita com a devida compreensão, paciência e empatia pode ser essencial para o fortalecimento dos laços sociais, os quais são importantes para a sobrevivência do EU com Saúde e Qualidade de Vida.

 

Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA

Comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo

Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública

Bacharel em Psicologia, Direito e Especialista em Direito Ambiental

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