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Segunda-feira, 16 de Fevereiro 2026

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Dia de São João

24 de junho

Dia de São João
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João Batista, também chamado de João, o Batizador (Judeia, 2 a.C. - 30 d.C.) foi um pregador judeu, do início do século 1º, citado por inúmeros historiadores, entre os quais estão Flávio Josefo e os autores dos quatro Evangelhos da Bíblia. Segundo a narração do Evangelho de São Lucas, João Batista era filho do sacerdote Zacarias e Isabel (ou Elizabete), prima de Maria, mãe de Jesus. Foi profeta e considerado pelos cristãos como o precursor do prometido Messias, Jesus Cristo. Batizou muitos judeus, incluindo Jesus, no Rio Jordão, e introduziu o batismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adotados pelo cristianismo.

História e biografia

João nasceu numa pequena aldeia chamada Aim Karim, a cerca de seis quilômetros lineares de distância a oeste de Jerusalém. Segundo interpretações do Evangelho de Lucas, era um nazireu de nascimento. Outros documentos defendem que pertencia à facção nazarita da Palestina, integrando-a na puberdade, era considerado, por muitos, um homem consagrado. De acordo com a cronologia neste artigo, João teria nascido no ano 7 a.C.; os historiadores religiosos tendem a aproximar esta data do ano 1º, apontando-a para 2 a.C. Como era prática ritual entre os judeus, o seu pai Zacarias teria procedido à cerimônia da circuncisão, ao oitavo dia de vida do menino. A sua educação foi grandemente influenciada pelas ações religiosas e pela vida no templo, uma vez que o seu pai era um sacerdote e a sua mãe pertencia a uma sociedade chamada “as filhas de Araão”, as quais cumpriam com determinados procedimentos importantes na sociedade religiosa da altura. Aos 6 anos de idade, de acordo com a educação sistemática judaica, todos os meninos deveriam iniciar a sua aprendizagem “escolar”. Em Judá não existia uma escola, pelo que teria sido o seu pai e a sua mãe a ensiná-lo a ler e a escrever, e a instruí-lo nas atividades regulares. Aos 14 anos há uma mudança no ensino. Os meninos, graduados nas escolas da sinagoga, iniciam um novo ciclo na sua educação. Como não existia uma escola em Judá, os seus pais teriam decidido levar João a Engedi (atual Qumram) com o fito de este ser iniciado na educação nazarita. João teria efetuado os votos de nazarita que incluíam abster-se de bebidas intoxicantes, o deixar o cabelo crescer, e o não tocar nos mortos. As ofertas que faziam parte do ritual foram entregues em frente ao templo de Jerusalém como caracterizava o ritual. Engedi era a sede ao sul da irmandade nazarita, situava-se perto do Mar Morto e era liderada por um homem, reconhecido, de nome Ebner.

O pai de João, Zacarias, teria morrido no ano 12 d.C.. João teria 18-19 anos de idade, e teria sido um esforço manter o seu voto de não tocar nos mortos. Com a morte do seu pai, Isabel ficaria dependente de João para o seu sustento. Era normal ser o filho mais velho a sustentar a família com a morte do pai. João seria filho único. Para se poder manter próximo de Engedi e ajudar a sua mãe, eles teriam se mudado, de Judá para Hebrom (o deserto da Judeia). Ali João teria iniciado uma vida de pastor, juntando-se às dezenas de grupos ascetas que deambulavam por aquela região, e que se juntavam amigavelmente e conviviam com os nazaritas de Engedi.Isabel teria morrido no ano 22 d.C. e foi sepultada em Hebrom. João ofereceu todos os seus bens de família à irmandade nazarita e aliviou-se de todas as responsabilidades sociais, iniciando a sua preparação para aquele que se tornou um “objetivo de vida” - pregar aos gentios e admoestar os judeus, anunciando a proximidade de um “Messias” que estabeleceria o “Reino do Céu”. De acordo com um médico da Antioquia, que residia em Písia, de nome Lucas, João teria iniciado o seu trabalho de pregador no 15º ano do reinado de Tibério. Lucas foi um discípulo de Paulo, e morreu em 90. A sua herança escrita, narrada no “Evangelho segundo São Lucas” e “Atos dos Apóstolos” foram compiladas em acordo com os seus apontamentos dos conhecimentos de Paulo e de algumas testemunhas que ele considerou. Este 15º ano do reinado de Tibério César teria marcado, então, o início da pregação pública de João e a sua angariação de discípulos por toda a Judeia em acordo com o Novo Testamento. Esta data choca com os acontecimentos cronológicos. O ano 15 do reinado de Tibério ocorreu no ano 29 d.C. Nesta data, quer João Baptista, quer Jesus teriam provavelmente 36 a 37 anos de idade. Duas possibilidades surgem: Lucas errou na datação dos acontecimentos; a história falha na colocação sequencial dos eventos.

Influência religiosa

É perspectiva comum que a principal influência na vida de João teria sido o registos que lhe chegaram sobre o profeta Elias. Mesmo a sua forma de vestir com peles de animais e o seu método de exortação nos seus discursos públicos, demonstravam uma admiração pelos métodos antepassados do profeta Elias. Foi muitas vezes chamado de “encarnação de Elias” e o Novo Testamento, pelas palavras de Lucas, refere mesmo que existia uma incidência do Espírito de Elias nas ações de João. O discurso principal de João era a respeito da vinda do Messias. Grandemente esperado por todos os judeus, o Messias era a fonte de toda as esperanças deste povo em restaurar a sua dignidade como nação independente. Os judeus defendiam a ideia da sua nacionalidade ter iniciado com Abraão, e que esta atingiria o seu ponto culminar com achegada do Messias. João advertia os judeus e convertia gentios, e isto tornou-o amado por uns e desprezado por outros. Importante notar que João não introduziu o batismo no conceito judaico, este já era uma cerimônia praticada. A inovação de João teria sido a abertura da cerimônia à conversão dos gentios, causando assim muita polêmica. Numa pequena aldeia de nome “Adão” João pregou a respeito “daquele que viria”, do qual não seria digno nem de apertar as alparcas (as correias das sandálias). Nessa aldeia também, João acusou Herodes e repreendeu-o no seu discurso, por este ter uma ligação com a sua cunhada Herodíades, que era mulher de Filipe, rei da Ituréia e Traconites (irmão de Herodes Antipas I). Esta acusação pública chegou aos ouvidos do tetrarca e valeu-lhe a prisão e a pena capital por decapitação alguns meses mais tarde.

O batismo de Jesus

Pessoalmente para João, o batismo de Jesus teria sido o seu auge experiencial. João teria ficado admirado por Jesus se ter proposto para o batismo. Esta experiência motivou a sua fé e o seu ministério adiante. João batizava em Pela, quando Jesus se aproximou, na margem do Rio Jordão. A síntese bíblica do acontecimento é resumida, mas denota alguns fatores fundamentais no sentimento da experiência de João. Nesta altura João encontrava-se no auge das suas pregações. Teria já entre os 25 e os 30 discípulos e batizava judeus e gentios arrependidos. Neste tempo os judeus acreditavam que Deus castigava não só os iníquos, mas as suas gerações descendentes. Eles acreditavam que apenas um judeu poderia ser o culpado do castigo de toda a nação. O batismo para muitos dos judeus não era o resultado de um arrependimento pessoal. O trabalho de João progredia. Os relatos Bíblicos contam a história da voz que se ouviu, quando João batizou Jesus, dizendo “este é o meu filho amado com o qual me alegro”. Refere que uma pomba esvoaçou sobre os dois personagens dentro do rio, e relacionam essa ave com uma manifestação do Espírito Santo. Este acontecimento sem qualquer repetição histórica tem servido por base a imensas doutrinas religiosas.

Prisão e morte

O aprisionamento de João ocorreu na Pereia, a mando do rei Herodes Antipas I no 6º mês do ano 26 d.C. Ele foi levado para a fortaleza de Macaeros (Maqueronte), onde foi mantido por dez meses até ao dia de sua morte. O motivo desse aprisionamento apontava para a liderança de uma revolução. Herodias, por intermédio de sua filha, conseguiu coagir o rei na morte de João, e a sua cabeça foi-lhe entregue numa bandeja de prata e depois foi queimado em uma fogueira numa das festas palacianas de Herodes. Os discípulos de João trataram do sepultamento do seu corpo e de anunciar a sua morte ao seu primo Jesus.

Curiosidades da Festa Junina de São João

A celebração do São João com a Festa Junina no Brasil é resultado de uma rica fusão de tradições que se desenvolveram ao longo da história. Não há um único motivo, mas sim uma combinação de fatores históricos, religiosos e culturais:

Origens pagãs europeias e o solstício de verão

  • As raízes mais antigas da Festa Junina estão nas celebrações pagãs pré-cristãs na Europa, que marcavam o solstício de verão (no Hemisfério Norte, em junho). Essas festividades eram dedicadas à colheita, à fertilidade da terra e à proteção contra maus espíritos.
  • As fogueiras, um símbolo central das festas juninas, têm sua origem nesses rituais pagãos, onde o fogo era usado para purificar e dar boas-vindas à estação mais quente.

Cristianização e a inserção dos santos católicos

  • Quando o cristianismo se expandiu pela Europa, a igreja católica, em vez de proibir totalmente essas festividades populares, optou por cristianizá-las. Ou seja, elas foram adaptadas e ressignificadas para homenagear santos católicos.
  • O mês de junho foi associado a três importantes santos: Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).
  • São João Batista é uma figura central no cristianismo, conhecido por ter batizado Jesus e por ser o “precursor” que anunciou a chegada do Messias. A data de 24 de junho celebra o seu nascimento, o que é uma particularidade, pois a maioria dos santos é celebrada no dia de sua morte. A tradição da fogueira de São João também tem uma lenda cristã: Isabel, mãe de João Batista, teria acendido uma fogueira para avisar Maria, sua prima, sobre o nascimento de João.

Chegada ao Brasil com os portugueses

  • Os colonizadores portugueses trouxeram essas tradições para o Brasil no período colonial. Em Portugal, essas festas eram inicialmente chamadas de “Festas Joaninas”, em homenagem a São João. Com o tempo e a difusão no Brasil, passaram a ser chamadas de “juninas” devido ao mês em que ocorrem.
  • Aqui, as festas europeias se misturaram com elementos das culturas indígena e africana, resultando na diversidade e riqueza que vemos hoje (por exemplo, a culinária com base no milho, um alimento de origem indígena, e a influência de instrumentos e ritmos africanos).

Celebração da vida rural e da colheita

  • No Brasil, as Festas Juninas ganharam um forte caráter caipira e rural, refletindo a vida no campo.
  • A época de junho coincide com a colheita do milho em muitas regiões do país, o que explica a abundância de comidas típicas à base desse cereal (pamonha, curau, bolo de fubá, etc.).
  • As danças, como a quadrilha, representam de forma caricata e divertida os bailes da corte europeia, mas com uma roupagem adaptada à vida rural brasileira, com o “casamento caipira” como um elemento central que remete à fertilidade e união.

Em resumo, a comemoração do São João com a Festa Junina é um sincretismo cultural e religioso. Ela celebra o santo católico São João Batista, mas incorpora elementos de antigas festas pagãs de fertilidade e colheita, adaptadas e enriquecidas pelas culturas brasileira, portuguesa, indígena e africana, resultando em uma das festas populares mais queridas e vibrantes do país.

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