O Mapa da Desigualdade de 2019, estudo promovido pela ONG Rede Nossa São Paulo e divulgado na semana passada, trouxe um dado alarmante – apenas na Capital paulista a diferença na expectativa de vida dos moradores é de 23 anos, a depender da região em que se vive. O morador do bairro de Moema, por exemplo, vive em média 80,6 anos ao passo que o morador do bairro Cidade Tiradentes vive bem menos – 57,3 anos em média. Na raiz desses índices tão antagônicos encontramos a criminalidade como o mais relevante dos fatores. A relação íntima entre desigualdade e criminalidade é citada desde sempre pelos estudiosos da criminologia e, com razão, não se pode conceber políticas públicas efetivas na área de segurança pública sem considerar os efeitos da desigualdade social e seu impacto nos índices de criminalidade. O aumento dos números do feminicídio também foi detectado na pesquisa que apontou, ainda, um crescimento maior desses índices nos bairros da Sé e da Barra Funda. O estudo é desenvolvido desde 2012 e nesse ano além de comparar os dados de regiões diversas da cidade também compilou dados relativos à violência doméstica, racial e homofóbica além de outros dados relevantes que ajudaram a desenhar a realidade da cidade de São Paulo, revelando assim os contrastes existentes entre os 96 distritos da cidade com base em 53 indicadores diferentes. Estudos como esses permitem traçar um panorama que auxilia a criação e a implementação de políticas públicas que minimizem esses problemas.
Delegada Lucy
- Delegada de Polícia Civil