Na reta final temos dois candidatos à presidência do país. Ambos são muito diferentes em certos aspectos e muito semelhantes em outros. A formação de cada um é muito diferente. Ambos estão dentro da política há anos. Cada um representa, grosso modo, boa parte da população. Não representam todos os segmentos, é claro. A escolha daquele que nos governará depende exclusivamente da vontade da maioria.
O lado bom da democracia é que nenhum deles governará sozinho. Eles têm de necessariamente escutar também vozes dissonantes que surgem de todos os cantos, quer venham do Congresso, quer das ruas, dos mais variados espaços privados ou públicos. Mais que isso. Precisam aprender a dialogar sem perder a calma e o bom senso. Ledo engano imaginar que um Hitler e Mussolini da vida faziam o que bem entendiam. Que Maduro está sozinho. Que Trump tem todo o poder nas mãos. A liderança autoritária exercida por esses foi e tem sido muito bem amparada por diversos setores da sociedade com interesses específicos, que em geral não atendem a maioria. A palavra é uma arma poderosa, tanto para o bem quanto para o mal. E como as lideranças carismáticas fazem uso perfeito das linguagens!
As manifestações de ódio que tenho observado vindas de toda parte são compreensíveis mas não aceitáveis. Já diziam Freud, Epicuro, Platão, Jesus e tantas mentes brilhantes que a única coisa capaz de unir as pessoas é o Amor- Eros.
Escrevi nesta coluna no início do ano que tinha muitas esperanças com relação ao futuro do Brasil. Reafirmo essa posição. Vejo com alegria mais jovens discutindo política, ingressando em movimentos sociais relevantes, se interessando por leitura, pondo a mão na massa e indo à luta. Observemos quantos deles se candidataram nessas eleições. Muitos ganharam. E, quantos participam de projetos sociais relevantes. Dois projetos de Rotary acompanho há anos, Ryla e Rumo, que são exemplares. Nas inúmeras palestras e encontros que realizo sinto cada vez mais a participação entusiasmada da juventude em atividades sociais. Não concordo, absolutamente, com aqueles que acham que os jovens não querem saber da nada.
Na universidade observo também o enorme interesse que demonstram em participar ativamente da vida do país. Não é a toa que tantos “caciques” não foram reeleitos. Inovar é fundamental. Nosso minúsculo planeta não aguenta tanta agressão. Precisamos de lideranças que promovam a esperança, que tragam palavras de ânimo e ações altruístas. O Brasil tem tudo para dar certo a médio e longo prazos. De imediato, quase nada. Limpar o lixo produzido há séculos tem um preço alto. Mas vale a pena todo o esforço. As gerações do futuro agradecerão.
Repito: se quisermos destruir um povo basta tirar-lhe a esperança. Chega de notícias postiças, muitas vezes falsas. Chega de ouvir nas mídias apenas desgraças. Que tal observarmos o número enorme de países que se reergueram depois das guerras, de outros países que surgiram. Que nos contagiem as ideias iluminadas e que possamos nos inspirar em propostas que nos levem de fato a um futuro promissor. A questão é: se não sabemos onde queremos chegar, qualquer caminho serve. Ai mora o perigo, pois abrimos espaços para que falsas lideranças nos indiquem que rumo tomar.
Um abraço fraterno e muita paz
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Regina Giora - Mestre e doutora em Psicologia Social, especialista em Liderança Universitária e Gestão de Pessoas