O mundo parece estar desmoronando. Valores e princípios são contestados. Vivemos em uma realidade de inversão dos valores e de fragmentação social, onde cada grupo procura suas próprias verdades e destrói a base do diálogo comum. A ética e a moral são distorcidas para justificar atitudes antiéticas e imorais, gerando uma inequívoca sensação de caos e de crise de identidade e de sentido.
Esse diagnóstico sobre a hipermodernidade, a polarização e o relativismo no mundo contemporâneo, evidencia a grande transformação pela qual passa a humanidade e que esse processo ainda demora para se consolidar.
Nesse cenário, partindo da premissa de que, filosoficamente, o homem é definido por razão e liberdade, enquanto espiritualmente é consciência e eternidade, há algo que me faz refletir, aflige e, ao mesmo tempo, instiga, que é procurar entender qual é o papel desta geração nesse processo. Isso porque, como define Carl Sagan e os filósofos existencialistas-espirituais, o ser humano é o ponto onde o universo se torna consciente de si mesmo. Assim, o colapso das estruturas externas deixa de ser apenas uma crise e passa a ser um chamado individual e coletivo.
Como a razão da existência humana é uma experiência dinâmica, o sentido da vida talvez resida na coragem de viver plenamente, equilibrando a liberdade individual de criar o próprio destino com a sabedoria de nos sentirmos parte de algo infinitamente maior.
Essa busca se mostra plausível porque a crise do mundo visível é, no fundo, um convite para despertarmos o invisível em nós, lembrando que somos seres espirituais com consciência divina experimentando a matéria.
Colaborar para a evolução planetária exige, portanto, silenciar o caos externo, permitindo que a eternidade que nos habita governe nossas escolhas no tempo presente. Ou seja, o sentido da vida passa a ser a coragem de agir, equilibrando a autonomia individual com a conexão com o todo.
Em última análise, se a busca pelo sentido da vida transita entre a construção da própria essência e a conexão com o que nos transcende, a filosofia nos instrumentaliza para pensar criticamente sobre o nosso papel no mundo, e a espiritualidade nos oferece o sentido de pertencimento e reverência pelo mistério da existência.
Aliás, esse despertar ecoa diretamente o princípio central do Cristo, conforme Lucas 17:20-21, no sentido de que: "o Reino de Deus não vem com aparência exterior, pois o Reino de Deus está dentro de vós", resplandecendo o mandamento do amor com a conexão definitiva com o Todo e com o próximo, transformando a transcendência em ação prática.
Que esta geração tenha, portanto, a audácia de viver plenamente e moldar o seu próprio destino, sem jamais esquecer que toda pessoa é o ponto onde o universo desperta para a sua própria imensidão.
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