O exercício do networking diz respeito à prática consciente e contínua de construir uma rede de relacionamentos interpessoais e profissionais significativos e, mais do que isso, mantê-la ao longo do tempo. Não se resume à simples troca de cartões de visita ou à busca por favorecimentos pontuais; fundamenta-se no engajamento autêntico, na troca mútua de conhecimentos e na criação de valor compartilhado. Visa ao estabelecimento de conexões pautadas pela confiança, pelo respeito e pela cooperação ao longo de toda a trajetória de uma carreira bem-sucedida.
A relevância do networking estende-se por todas as áreas do mercado, pois o conhecimento técnico, de maneira isolada, dificilmente garante a consolidação profissional. As oportunidades de negócios, parcerias estratégicas, novos projetos e transições entre áreas de atuação dependem diretamente do acesso à informação e do grau de recomendação de uma pessoa inserida no mercado. A reputação construída em uma rede sólida atua como um selo de credibilidade, abrindo portas que dificilmente seriam acessíveis por canais tradicionais de seleção ou divulgação.
Além do crescimento individual, a troca constante de experiências, possibilitada pelo networking, impulsiona a inovação e o aprendizado contínuo dentro de qualquer setor. Ao interagir com pares de diferentes especialidades ou regiões, o profissional expande sua visão de mundo, identifica tendências em voga e pode antecipar soluções para desafios complexos, propondo-as pioneiramente. Esse ecossistema colaborativo permite que especialistas somem competências, por meio da potencialização resultados e, como consequência, valorizem todo o segmento de atuação.
Manter uma rede ativa de relacionamentos oferece sustentabilidade e resiliência, diante de oscilações do mercado econômico demandante. Profissionais integrados a comunidades fortes contam com um sistema de suporte contínuo para validar ideias, obter mentorias e receber indicações, sempre que necessitarem de novos rumos profissionais. Em uma realidade altamente dinâmica e interconectada, o networking deixa de ser uma atividade opcional e passa a ser uma competência estratégica indispensável para o sucesso de longo prazo.
Muito mais do que ser bom, é preciso ser visto. A competência profissional, a quem deseja destacar-se dentro do seu rol de atuação, não é um diferencial. As conexões, por seu turno, têm início ainda na universidade, com a escolha de um bom grupo de colegas para trabalhos e debates, estendem-se pelo estágio e devem multiplicar-se na lida cotidiana.
No período em que fui diretor do Departamento de Cultura e Eventos da OAB-SP, isso por mais de uma década, contando com a valiosa ajuda de amigos do Direito e de áreas correlatas, como a Língua Portuguesa e a Oratória, sempre procuramos dispor do mais qualificado corpo de palestrantes, que viajava por todos os mais de seiscentos municípios paulistas, levando conhecimento agregador e possibilitando contato entre advogados, das menores às maiores subseções, foi ponto de referência e resguardo aos nobres membros do Direito bandeirante. Até aqui, entretanto, aplicamos a ideia do “ver e ser visto” apenas entre pares – o que, apesar de múltiplo e complexo, ainda é restrito.
No que diz respeito ao marketing de atração e às ferramentas tecnológicas modernas, exige-se cautela no uso de anúncios pagos (links patrocinados ou impulsionamento). O tráfego pago é permitido, mas somente caso o conteúdo anunciado seja estritamente informativo e educativo, proibindo-se a captação ativa por mensagens diretas não solicitadas ou a intermediação por terceiros e/ou agências, mediante comissionamento.
Mais do que ser visto, é preciso conquistar clientes. No ambiente digital, o uso de plataformas como LinkedIn, Instagram e YouTube é plenamente viável, desde que focado na educação do público. O profissional pode gravar vídeos explicativos, criar carrosséis informativos e realizar lives sobre mudanças na legislação ou jurisprudência recente, abstendo-se de responder a consultas de casos concretos publicamente e mantendo uma identidade visual discreta e sem apelos comerciais. É possível, por exemplo, posicionar-se para as gravações na sala de seu escritório, vestido formalmente e com uma estante de livros ao fundo – este cenário transmite as ideias de respeito e de conhecimento, o que reforça a imagem positiva do advogado.
A participação como palestrante, docente, conferencista ou debatedor em eventos acadêmicos, corporativos e institucionais consolida a imagem do profissional como especialista em sua área de atuação. Expondo teses e visões de mercado de maneira abstrata, estabelecendo credibilidade perante uma audiência qualificada e gerando visibilidade orgânica.
Da mesma forma, a concessão de entrevistas a veículos de imprensa — rádios, jornais, emissoras de TV ou portais de notícias — possibilita ao profissional atuar como fonte técnica sobre assuntos de grande repercussão. Público. Ao final das entrevistas, é claro, é possível deixar seu contato profissional e seus endereços de redes sociais aos telespectadores.
Em suma, a divulgação ética da advocacia se consolida quando o profissional utiliza o conteúdo informativo como vitrine de sua competência e o networking como catalisador de oportunidades. Ao unir visibilidade técnica à construção de relacionamentos genuínos e pautados na confiança, o advogado cumpre rigorosamente as normas da OAB-SP e projeta sua carreira de forma sólida e sustentável.