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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Um Natal autêntico

Os moradores de Belém não imaginavam, naquela noite, que a História da Humanidade sofria uma profunda mutação.

Um Natal autêntico
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Os moradores de Belém não imaginavam, naquela noite, que a História da Humanidade sofria uma profunda mutação.

Não causaria repercussão o fato de uma jovem dar à luz dentro de um estábulo, considerada a sua situação de vulnerabilidade econômica. Aqueles eram dias frios e de intensa mobilidade. A cidadania fora chamada ao recenseamento e todos deveriam voltar ao torrão natal para a contabilidade demográfica de interesse dos poderosos.

Fieis cumpridores das ordens legais, Maria e José tomaram o rumo de seu rincão. Ali já não havia acomodações. A hora do parto se aproximava. Alojaram-se onde puderam.

O que teria espantado os moradores da pequena cidade fora uma luz estranha, seres etéreos desejando paz na Terra aos homens de boa vontade, em seguida a visita de magos que vieram do Oriente.

Naquela noite os homens ganhavam a garantia de salvação. O mistério do sacrifício de um Deus, para resgatar a aliança posta a perder por uma criatura pretensiosa e arrogante, nunca foi bem apreendido pela espécie que se considera a única racional no complexo reino animal.

Cena singela, mas tocante. Francisco de Assis, o homem do milênio, teve a ideia de reconstituí-la em celebração à festividade que marca o início da era cristã.

O costume católico de montagem do presépio aos poucos deixou de ser o hábito obrigatório em todos os lares, mas preservou tradicionais adeptos. Este ano, o admirável Francisco, Papa sensível e humano, exortou os cristãos a voltarem a essa prática. Na Carta Apostólica “Admirabile Signum”, ele salienta que o presépio não cessa de suscitar maravilha e enlevo. Para o Pontífice, “o Presépio é como um Evangelho vivo que transvaza das páginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representação do Natal, somos convidados a colocar-nos espiritualmente a caminho, atraídos pela humildade d’Aquele que Se fez homem a fim de Se encontrar com todo o homem, e a descobrir que nos ama tanto que Se uniu a nós para podermos, também nós, unir-nos a Ele”.

É um recado aos católicos adormecidos, inebriados com o consumo, a pensar nos presentes, nas ceias, na beberagem. Relegado o aniversariante a um lugar subalterno ou até inexistente.

O Natal autêntico é aquele em que o aniversariante é celebrado. Presépio é motivador de reflexão, merece honrar cada casa, cada espaço, cada escola, cada empresa, cada praça e cada coração.

Sim, o Natal mais autêntico está no coração de quem consegue se enternecer com essa linda história, tão simples e tão plena. Ocasião de resgatar o sentido do verdadeiro amor. Sentimento que leva alguém a oferecer a vida por outrem. Todos já merecemos isso. O sacrifício de um Deus. E nem sempre nos damos conta da grandeza milagrosa dessa dádiva.

Armemos nossos presépios, mas também limpemos nossa alma, extirpemos da consciência tudo o que a contamina, voltemos a ser aquelas crianças que se emocionam diante da manjedoura e, gratuitamente, retribuam com amor o incondicional amor que nos garantiu a promessa de eternidade.

José Renato Nalini

*Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.  

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