Shakespeare tinha razão: ser ou não ser, eis a questão. Diz nosso idioma: terrorista é aquele que pratica atos para causar medo extremo. Fações criminosos, PCC e CV, são terroristas?
Bandidos brasileiros são problema nosso, diz o presidente Lula. É a Cosa Nostra, preferiu Trump. O conceito nos EUA vigora desde o dia 5. Se a questão se limitasse a interpretar, as coisas seriam mais fáceis: de um lado, o preocupante primado do real. Do outro, uma visão dominada por política e ideologia.
São atores em protagonismo. Ator pode interpretar qualquer papel, encarnando o personagem. Um talento que lhe permite ser alguém, essência da interpretação, que na verdade não é. Para a sociedade, é vital em qualquer assunto estabelecer limites para tomar decisões em seu nome. Quando se mostra incompetência, os demiurgos não podem fazer o que bem entendem. Não acreditar nem mesmo no que falam. Não possuem direito adquirido.
No duelo entre é ou não é, a discussão entra no terreno movediço das intenções. Derrubar os alicerces do Estado seria uma coisa e outra auferir lucros de todas as formas. Definamos, então, quais os métodos que pudessem justificar os meios. Terrorismo, no passado que vivemos, era a forma usada para tentar derrubar um sistema – com assaltos, atentados, explosão de bombas, sequestros e assassinatos. Um terror que procurava legitimar-se sob a capa de lutar por uma causa nobre. Na nossa realidade, o terror nada tem de nobre: os bandidos agem de maneira absurda, apavorando, além de exportar de drogas às toneladas, em contínua expansão multidimensional que confirma sua estrutura transnacional. Admite-se que impera e aterroriza, calculando quantos são e faturam, onde estão com distribuição de funções entre seus chefões, o poder nas prisões e a corrupção tentacular. Impossível acreditar que o conceito americano seja afronta à nossa sabedoria ou coloca em risco iminente nosso território.
Nada disso, apesar dos acadêmicos, fugitivos da Academia, que mais uma vez se metem em searas desconhecidas, como se dar aulas não sei aonde lhes desse conhecimento para construir teses fictícias.
Não haverá invasão alguma e sim troca de informações entre DEA, a agência antidrogas americana, e a Polícia Federal, responsável constitucional pelo combate às drogas. Em antecipados tempos eleitorais, zombar da inteligência não pode fazer parte desse jogo lamentável.
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