Paradoxo que permeia o processo evolutivo do ser humano é a relação dialética entre a teoria e a prática.
Desde sempre, o homem buscou o conhecimento como forma de desenvolver-se, mesmo porque no universo nada é estático, ou seja, tudo está em constante evolução.
Acontece que, sendo o homem um ser gregário, que vive em comunidade, a busca pelo conhecimento não pode ser vista apenas como uma ação solitária, mas solidária e colaborativa, à semelhança de um solo numa orquestra. Porque inseridos na sociedade, todos os homens estão no e com o mundo.
Assim, a busca pelo conhecimento não pode se desvincular da consciência crítica e moral de problemas que transcendam a individualidade. Isso porque o pressuposto do binômio individualidade/comunidade é a construção social do conhecimento e de espações dialógicos no âmbito social.
Num processo de reflexão crítica é lícito afirmar que todos os homens concorrem para o progresso do planeta, sobretudo, quando teoria e prática se unem na realidade do cotidiano.
Daí a necessidade de que, por meio da reforma íntima, quando nos colocamos frente a frente com a expressão socrática “conhece-te a ti mesmo”, inicie-se um processo de autoconhecimento para que, aprimorando-se intelectual e moralmente, o indivíduo, por meio de atos e atitudes, transforme o seu eu e o seu entorno.
O aperfeiçoamento individual e coletivo da humanidade, que cada vez estará mais envolvido num processo de evolução, trazendo uma atmosfera mais espiritualizada ao planeta e, por consequência, destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, fará com que as pessoas compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses.
Diz Ângela Teixeira de Moraes, no livro Ciência, Espiritismo e Sociedade, ao abordar o tema: Princípio de Justiça Social: Um estudo comparativo entre Rawls e Kardec, que “o indivíduo eticamente orientado é capaz de mudar o ambiente em que ele vive. Uma sociedade justa é capaz de prevenir a violência e a miséria, emancipando os indivíduos. As transformações operam no contexto da mútua influência – tanto o indivíduo influencia um grupo social, quanto um grupo social e a sociedade influencia um indivíduo.
Nesse jogo de influências, somente o diálogo ético e fraterno é capaz de gerir os conflitos que emergem entre grupos e classes sociais, equilibrando os princípios das liberdades individuais e as necessidades coletivas.”.
Quando assim for, o verbalismo do “faça o que eu mando mas não faço o que eu faço” deixará de existir e prevalecerá a ação transformadora do bem, porque a relação entre a teoria e a prática propiciará o ambiente necessário para que o amor fraternal, que emana da inteligência suprema, causa primaria de todas as coisas, que chamamos de Deus, seja praticado por todos em prol da construção de uma sociedade mais justa e perfeita.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca