Vivemos tempos desafiadores. Tempos marcados pela hiperconexão digital, que gera uma conectividade intensa entre pessoas, dispositivos tecnológicos e informações, mas também por rupturas nas relações humanas mais simples como o respeito, a escuta, o cuidado com outro. Há quem fale, inclusive, no fim do humanismo ou das relações humanas.
Mas é justamente neste cenário de aparente indiferenças entre as pessoas e, porque não dizer, entre os povos, que deve florescer nas pessoas de bem o valor da dignidade humana que faz reafirmar sua importância como uma das formas mais genuínas de resistência ao persistir na ética e no convívio fraterno.
São justamente as pessoas de bem que no seu dia a dia devem se levantar e dizer, por atos e atitudes, que os grandes valores da humanidade não se perderam e não foram esquecidos simplesmente porque nós estamos aqui e acreditamos na integridade, na compreensão entre os povos, na paz.
Na rica simbologia dos ideogramas chineses crise e oportunidade são representados da mesma forma, o que no mínimo é uma bela metáfora para pensarmos a respeito das oportunidades que estamos vivendo neste momento, para que, a partir dos nossos exemplos pessoais, possamos transformar a vida humana em algo muito mais rico, belo e nobre.
Assim, neste momento de aflições, angústias, sofrimentos e de dor, não podemos perder a fé, esperança e confiança em nossa capacidade de persistir em busca da iluminação individual e de colocarmos em prática o bem que reside no nosso “eu” que, como uma necessidade, precisa ser compartilhado para predominar em “nós” nos diversos campos da expressão humana.
Se a humanidade vive dias em que a sombra parece prevalecer, que a nossa jornada de despertar de consciência e de fé se sustente na luz divina, servindo e amando, sempre lembrando que, conforme João 14:6, o Mestre Nazareno nos disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” .
Lembrando que os homens são grandes se eles estiverem determinados assim ser, nestes tempos desafiadores se faz necessário intensificar as nossas reflexões, orar e vigiar para que, em equilíbrio e cultivando a aceitação, gratidão e a compaixão, possamos atuar como verdadeiros construtores sociais.
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.
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