Os comandantes do Corpo de Bombeiros, cel.PM Max Mena e do Policiamento Ambiental, cel. PM Paulo Augusto Leite Motooka, respectivamente, visitaram na terça-feira, dia 23 de junho, as dependências do jornal onde foram recebidos pelo diretor João Carlos Dias.
Na oportunidade, eles discutiram sobre vários assuntos, entre eles, o papel do Corpo de Bombeiros e do Policiamento Ambiental; as ações que pretendem implantar nos seus respectivos cargos; a relação entre a Polícia Militar, os avanços apresentados pela corporação e a importância das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte.
Confira na íntegra as entrevistas dos comandantes:
Comandante do Corpo de Bombeiros, cel. Max Mena
JSZN: Como foi sua trajetória dentro do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo?
Cel. Mena: Ingressei na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1987, onde concluí o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, em 1989. Como aspirante a oficial servi diretamente no Corpo de Bombeiros e frequentei o Curso de Bombeiros para Oficiais, em 1990. Após a conclusão do curso, fui classificado no 5º Grupamento de Bombeiros, onde comandei, como tenente, os Postos de Bombeiros de Cumbica, Arujá, Shangai e Suzano. Em 1997, fui designado para o Cobom (Centro de Operações de Bombeiros) da capital, onde servi até 2003, na promoção a capitão. Como capitão fui classificado no 4º Grupamento de Bombeiros, onde fiquei responsável pelas zonas Sul e Oeste de São Paulo. Em 2004, retornei ao Cobom como capitão, onde permaneci até 2009. Em 2009, conclui o mestrado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública, concomitante com a graduação em Engenharia Civil, na Universidade de Guarulhos, retornando ao Cobom, onde fui promovido a major. Chefiei a Divisão de Telemática por três anos, permanecendo até a promoção a tenente-coronel, em maio de 2014. Como tenente-coronel fui designado comandante o 17º Grupamento de Bombeiros, região do Alto do Tietê, e, em 2015, fui classificado na Coordenadoria Operacional do Corpo de Bombeiros. Em 2016, fui promovido a coronel e comandei o Corpo de Bombeiros do Interior; em 2017 assumi o Comando de Bombeiros Metropolitano; em 2018 assumi o subcomando do Corpo de Bombeiros e em janeiro deste ano assumi o comando do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
JSZN: O Sr. assumiu em janeiro deste ano já enfrentando um grande desafio que foi a tragédia na Baixada Santista. Que lições o Sr. tira desta tragédia e como ela influenciará nos atendimentos futuros?
Cel. Mena: Em atendimentos como o realizado na Baixada Santista aprimoramos a gestão e os processos de apoio às emergências e a desastres que, não raramente, infelizmente atendemos. É inevitável ocorrer a maturidade institucional em vários aspectos, notadamente no uso da doutrina do Sicoe (Sistema de Comando de Operações em Emergência). O Sicoe tem por finalidade integrar esforços dos órgãos públicos e da comunidade para fazer frente às adversidades dos desastres causados pela natureza ou por ação do homem, que coloquem em risco a integridade das pessoas, a segurança pública e o meio ambiente, estabelecendo normas gerais de ação, principalmente em atuações em grandes emergências, onde há uma alocação grande de recursos e informações de diversos parceiros públicos e privados, como foi no caso citado.
JSZN: A pandemia do novo coronavírus trouxe uma realidade ainda mais intensa para os órgãos de emergência no país. A cidade de São Paulo é uma das mais afetadas, quais têm sido os desafios?
Cel. Mena: Estabeleceu-se uma Sala de Gerenciamento de Crise, que, por meio das informações registradas realizamos acompanhamento em tempo real da evolução da pandemia, logística empregada, efetivo interno contaminado e ou afastado das atividades para substituição e manutenção dos atendimentos operacionais, planejamento de atuação com definição de protocolos de atendimento, otimizando a realocação de recursos a todas unidades do Corpo de Bombeiros, bem como a distribuição inteligente e imediata dos recursos materiais adquiridos, controle dos recursos humanos disponíveis de forma a manter o atendimento ininterrupto em todas Estações de Bombeiros do Estado.
JSZN: Quais ações o Sr. pretende implantar durante a sua gestão?
Cel. Mena: O Corpo de Bombeiros almeja ofertar os seus serviços a todos os municípios do Estado. Para que possamos oferecer à população nossa presença física em todos os municípios, faremos, ainda neste ano, a reorganização do Corpo de Bombeiros, criando três comandos regionais no interior, os Comandos de Bombeiros do Interior (CBI). Dessa forma, a célula de decisão do Comando estará mais próxima da realidade, da dificuldade diária dos nossos bombeiros, fazendo com que tenham assento na mesa de decisão aqueles que sentem a dificuldade na ponta da linha, e sobretudo fortalecendo a presença do Corpo de Bombeiros no interior e litoral do Estado. Dentro da política de governo do Estado de São Paulo, para adequarmos o controle dos indicadores e estatísticas, além de facilitar a comunicação regional de todas as agências de segurança, estamos readequando as áreas operacionais das unidades com as das regiões administrativas do estado, como já foram realizadas com as unidades da Polícia Militar e da Civil.
JSZN: Em março, o Corpo de Bombeiros completou 140 anos de fundação. Quais os principais avanços apresentados pela corporação ao longo desses anos?
Cel. Mena: Além dos 140 anos do Corpo de Bombeiros, este ano também comemoramos os 30 anos de implantação do Sistema Resgate no Estado de São Paulo. Desde 2015, o Sistema de Resgate a Acidentados, no Estado de São Paulo, é composto de forma integrada pela Secretaria da Saúde e Secretaria da Segurança Pública, essa, por sua vez, representada pelo Corpo de Bombeiros e pelo Comando de Aviação PM “João Negrão”, essa integração possibilita, também, um atendimento médico, tanto terrestre quanto aéreo, além de regulação médica no Cobom (Centro de Operações do Corpo de Bombeiros), que monitora, orienta os profissionais no local e indica o melhor recurso hospitalar para cada tipo de atendimento. Em 2019, obtivemos a regulamentação do Fundo Estadual de Segurança contra Incêndios e Emergências (FESIE), o qual assegurará meios e recursos para a aquisição de novas viaturas e equipamentos, investimentos em novas tecnologias para os serviços de bombeiros, para a modernização e melhoria contínua para a prestação dos serviços de bombeiros. Foi publicado em 10 de dezembro de 2018 o novo Regulamento de Segurança contra Incêndios em edificações e áreas de risco (Decreto nº 63.911), nele incluso o exercício do Poder de Fiscalização, que entrou em vigor em 9 de abril de 2019, que é voltado à orientação para que o interessado tenha consciência da importância de regularizar a edificação, tornando-a segura. Obtivemos reconhecimento internacional no Prêmio Conrad Dietrich Magirus Award, em 2016 e 2018, devido ao atendimento de duas grandes ocorrências: incêndio no terminal portuário da Localfrio, no Guarujá (SP), e o atendimento ao incêndio, seguido de desabamento, do edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu. Sempre na busca da excelência no atendimento às emergências no Estado de São Paulo.
JSZN: Qual a quantidade de chamadas diárias que vocês atendem de ocorrências diversas e também no resgate?
Cel. Mena: Pela dinâmica própria do Estado de São Paulo, as mais atendidas são ocorrências de trauma em acidentes de trânsito, destacando-se entre os demais tipos de ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros. Em 2019, atendemos mais de 500.000 ocorrências. Baseados nesses dados, há a intensificação das atividades de educação pública e realizamos reuniões de análise crítica, buscando identificar a causa dos acidentes nos pontos de maior incidência e, assim, juntamente com os órgãos municipais da região, adotarmos medidas para a redução. Além disso, a partir desse ano está se intensificando o Programa Bombeiro Educador, que consiste na execução do papel da educação pública, principalmente junto às escolas sobre o papel do Corpo de Bombeiros e boas práticas de prevenção, em todo Estado de São Paulo.
JSZN: Como o Sr. analisa a Lei Federal (13.425/2017) conhecida como Lei Kiss?
Cel. Mena: É necessária, porém os Estados devem regulamentar individualmente, de acordo com as características e particularidades regionais, sob uma diretriz federal, a fim de dar parâmetros gerais.
JSZN: Como o Sr. vê a parceria do Corpo de Bombeiros com os demais órgãos de emergência do Estado?
Cel. Mena: Há no Estado de São Paulo uma cultura de integração entre órgãos e instituições públicas e privadas, desde as criações dos PAM (Planos de Auxílio Mútuo) e das Rinem (Rede Integrada de Emergências), até a parcerias com órgãos especializados, como por exemplo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), em atendimentos em ocorrências envolvendo produtos perigosos, além do total apoio das concessionárias de rodovias em acidentes de trânsito, dessa forma sedimentou-se mais ainda desde o início do Sicoe em 1997, em grandes catástrofes, onde cada um sabe o papel a ser desempenhado em situações de atendimento à emergências.
JSZN: Como especialista em segurança do trabalho, como o Sr. avalia a realidade das emergenciais industriais do Estado?
Cel. Mena: Como prioridade temos a criação de mais dois núcleos de Força Tarefa, em Bauru e Guarujá, além da Força Tarefa do Comando de Bombeiros Metropolitano que já opera desde 1997, na região metropolitana de São Paulo. O objetivo da Força Tarefa é permitir a mobilização, dentro de um tempo predeterminado, de recursos humanos especializados com os equipamentos adequados. Com isso teremos equipamentos e viaturas especializadas que possam atuar mais próximos nos distantes rincões do Estado, diminuindo o tempo resposta no atendimento de grandes emergências. Há a IT nº 16/2019 que trata de Gerenciamento de Riscos de Incêndio, que é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar os recursos humanos e materiais, internos ou externos, de uma empresa, no sentido de eliminar ou minimizar os riscos de incidentes advindos de sua própria atividade, que têm o potencial para causar significativos impactos à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio. Visando a preparar nosso efetivo para atendimento a emergências industriais, realizamos constantes simulados, inclusive utilizando-se o Sicoe, com a participação de vários órgãos responsáveis pelo atendimento conjunto, bem como o responsável por cada Estação de Bombeiro que possua em sua área de atuação um local que apresente risco exponencial, elabora um PPI (Plano Particular de Intervenção), que retrata desde o acionamento do Corpo de Bombeiros até o socorro da última vítima e restabelecimento da segurança no local.
JSZN: Qual ocorrência foi mais relevante ao longo de sua carreira?
Cel. Mena: Em minha carreira posso destacar várias que me marcaram profissionalmente, posso destacar a queda do avião da TAM, em Congonhas, no ano de 2007; o incêndio seguido de desabamento no edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, em 2018, esta logo que assumi o Subcomando do Corpo de Bombeiros, e cheguei logo após o desabamento, por volta das 03h40, e, mais recentemente, no início deste ano com as fortes chuvas que assolaram a região da Baixada Santista em março deste ano, ocasionando grandes deslizamentos de terra e soterrando várias vidas, dentre elas de duas de nossos combatentes: o cabo PM Moraes e o cabo PM Batalha, chegando também logo após a essas perdas, por volta das 04h00, situação realmente muito difícil para um comandante, onde permaneci na linha de frente até seu desfecho.
Comandante de Policiamento Ambiental cel. Paulo Augusto Leite Motooka
JSZN: Gostaria incialmente que o Sr. contasse um pouco sobre a sua vida, a infância, local onde nasceu, se algum familiar já atuou na PM, time favorito, hobby que mais gosta?
Cel Motoka: Sou nascido em Araçatuba interior de São Paulo, cidade onde ainda residem vários familiares maternos e alguns paternos. Meus saudosos avós paternos imigrantes do Japão escolheram Araçatuba como destino para seguir suas vidas, juntamente com filhos e filhas, incluindo meu pai (in memoriam). Tenho três irmãs, sendo uma delas cabo da Polícia Militar. Cursei o ensino fundamental e médio na minha cidade natal, até o ano de 1987 quando ingressei na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, inspirado na carreira de um tio que estava servindo no Estado do Mato Grosso do Sul. Conclui o Ensino Médio e graduei no Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na APMBB.
Trabalhei por dois anos nas regiões da Lapa, Pirituba, Perus (Zona Oeste) em funções operacionais e de comando, após retornei para região de Araçatuba, onde me casei ainda jovem com minha atual esposa e tivemos meu filho que está com 11 anos. Desde criança, sempre muito obediente e disciplinado, não poderia deixar de seguir as orientações dos mais experientes, motivo pelo qual tenho muito orgulho de torcer para o Timão (campeão dos campeões). Nessa linha aderi aos costumes familiares, ainda aos 15 anos participei de uma corrida de São Silvestre com meu pai, assim como de várias outras corridas de rua pelo interior, o que representou minha iniciação nesse esporte que tenho no coração e cultivo ainda como principal hobby.
JSZN: Qual a importância e o papel da Polícia Ambiental do Estado de São Paulo?
Cel Motoka: A Polícia Militar Ambiental, criada em 1950, é uma das unidades especializadas da Polícia Militar do Estado de São Paulo que atua nos 645 municípios do Estado. Atualmente possui 100 unidades de atendimento integradas com um efetivo aproximado de 2.000 homens e mulheres dedicados ao policiamento ambiental, além de, mais de 400 viaturas terrestres e aquáticas. Constitui-se na maior força policial estadual voltada à proteção da natureza da América Latina, assim como o órgão fiscalizador com maior capilaridade e mobilidade operacional no Estado, razão pela qual consolidou perto de 30 mil intervenções policiais (prisões em flagrante, vistorias ambientais, apreensões de pesca, garimpo, palmiteiros, arma de fogo, etc) no corrente ano. O policiamento ostensivo é realizado por meio terrestre, náutico, marítimo e aéreo, com apoio de drone, monitoramento por satélite (AQUA), inteligência policial, integração com vários órgãos a exemplo do Poder Judiciário, Ministério Público, Secretaria de Infraestrutura e do Meio Ambiente, Ibama, ICMBio, prefeituras e outros. Assim, atua entremeando as interfaces entre o Desenvolvimento Econômico e Social, a Qualidade de Vida e a Saúde, promovendo o Meio Ambiente ecologicamente equilibrado e coibindo as atividades abusivas e criminosas de queimadas, pesca predatória, desmatamento, garimpagem, soltura de balões, caça, tráfico e maus tratos de animais, poluição do ar, do solo e da água, destruição das florestas, extinção das espécies animais e vegetais, tráfico de drogas, porte ilegal de arma e outras. Um dos resultados que revela a prontidão e eficiência das ações do Policiamento Ambiental está consolidado no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (2018-2019), produzido pela organização SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que revelou ter tido um aumento de “27,2% na taxa de desmatamento” (Atlas, 2020, p.32) nos 17 Estados mapeados, em relação ao período 2017 a 2018. Ressalta-se que no Estado de São Paulo o registro foi de uma variação negativa (-55%) na taxa, sento a autuação do Policiamento Ambiental fundamental para estes ganhos.
JSZN: Qual sua expectativa em assumir o Comando de Policiamento Ambiental?
Cel Motoka: O momento é de observação, levantamento de informações, análise de cenários, e sobretudo, ouvir os policiais militares, comandantes e comandados, que possuem o domínio das informações e conhecimentos sobre a efetividade do policiamento e demandas ambientais. Noutro sentido, conversando e alinhando estratégias com os demais órgãos do Estado, em especial com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente - Sima. Como diretriz penso que o trabalho integrado entre a Polícia Militar Ambiental e a Sima, com a finalidade de aprimorar as políticas, estratégias e ações de proteção das unidades de conservação, preservação da flora, fauna e mananciais, promoção da restauração ecológica, monitoramento e fiscalização ambiental, educação ambiental, etc, será o melhor caminho para conquistas e realizações. No mesmo sentido conhecer as dificuldades, carências e condições de trabalho do policial militar que atua na ponta da linha, prestando-lhe o devido suporte, apoio e cuidados para com sua saúde física e mental, considerando que somente com um profissional em condições saudáveis será possível pensar nas expectativas, e levar adiante qualquer meta e objetivos. Inquestionavelmente o ser humano é a essência de todas as instituições, sem o qual nenhum trabalho poderá ser realizado.
JSZN: Quais ações o Sr. pretende implantar? Agilizar o atendimento é uma das prioridades?
Cel. Motoka: Após realizar inspeção técnica, durante os meses de abril e maio, nos batalhões subordinados e entrevistar oficiais e praças, de Ilha Solteira a Cananéia, e de Bananal a Rosana, foi possível levantar inúmeras informações e sistematizá-las, de onde foi possível inferir que algumas ações são necessárias, como por exemplo, uma atuação de inteligência que enfrente as organizações criminosas, que atuam degradando o Meio Ambiente por meio das invasões irregulares, tráfico internacional de animais, garimpagem, etc.
Nesse mesmo alinhamento a realização de operações de prevenção e repressão, simultaneamente, em todo o Estado, e a implantação da conciliação e mediação em parceria com o Poder Judiciário para os acordos ambientais na esfera administrativa. Estas ações têm como objetivo melhorar a qualidade dos serviços prestados ao cidadão, além de proporcionar uma maior aproximação da sociedade, sobretudo, pela elaboração de um novo plano de comunicação social e um incremento nos programas educativos existentes. O certo é que a educação é o caminho primordial para a formação de consciência e cultura da sociedade, sobretudo das gerações futuras, que hoje são nossas crianças e adolescentes. Dentro de todas as limitações estruturais frente a imensidão de demandas que estão dentro das atribuições do Policiamento Ambiental, não há qualquer outra prioridade que não seja atender prontamente o cidadão nos seus momentos de necessidade, medo ou insegurança.
JSZN: Como a Polícia Ambiental atua na prevenção das ações e campanhas de aproximação junto à população?
Cel. Motoka: O ser humano é o maior poluidor e degradador da natureza. Muitas vezes o fazem porque não compreendem o potencial de destruição de seus atos, seja no descarte de uma bateria de aparelho eletrônico, de embalagens plásticas, de produtos químicos de limpeza, quando lançam produtos químicos nos afluentes, promovem queimadas, desmatamentos, caça e pesca proibida, soltam balões, etc. Nesse sentido é indispensável despertar a consciência das pessoas para que entendam que preservando e cuidando da natureza estarão cuidando da própria vida. Em relação aos ruralistas, produtores e empresários, para que acreditem que é possível sim harmonizar o desenvolvimento socioeconômico com a conservação da natureza, ou seja, mantendo um Meio Ambiente sustentável. Para que haja um movimento social voltado à conservação do Meio Ambiente, a proposta de trabalho consiste em uma abordagem educativa por meio de campanhas nas escolas, das operações policiais em nível estadual com temáticas e datas comemorativas específicas (Dia da Floresta, da Árvore, de Proteção da Fauna, da Natureza, Piracema, etc), além de um plano de comunicação social em parceria com os órgãos de imprensa.
JSZN: Como funciona o programa do Governo do Estado de São Paulo que tem a finalidade de cuidar dos animais domésticos?
Cel Motoka: O Pet São Paulo nasceu da preocupação com os casos de maus tratos aos animais domésticos, e a necessidade de uma cultura de prevenção contra atos de agressão, além do interesse do Governo em integrar os órgãos públicos estaduais com os municípios, organizações e a comunidade.
Desde 2018, o serviço de Disque Denúncia Animal (0800-600-6428) está atendendo denúncias sobre maus-tratos a animais domésticos em vários municípios da Grande São Paulo. Para denunciar, é preciso se identificar, porém os dados permanecem sob sigilo total. O Governo do Estado instituiu por meio da Resolução SSP-112, de 7-12-2016 a Delegacia Eletrônica de Proteção Animal (Depa), a qual está sob administração da Secretaria de Segurança Pública e operada por policiais vinculados ao “Disque Denúncia”, por meio do qual o cidadão poderá acessar os serviços da Depa a partir dos portais eletrônicos da SSP, da Polícia Civil e da Polícia Militar. As providências tomadas pela polícia poderão ser acompanhadas através do número de protocolo gerado após a efetivação da denúncia, juntamente com o número do CPF do denunciante informado. Está no site da secretaria a orientação para que o cidadão acesse o Disque Denúncia caso “presencie cães e gatos vítimas de maus-tratos, como envenenamento, abuso físico, mental e/ou emocional, privados de água ou alimento, presos por correntes curtas ou em locais muito pequenos e sem abrigo de sol, calor, frio e vento, na capital e em toda a região metropolitana de São Paulo”.
JSZN: A imprensa é fundamental no combate aos maus tratos?
Cel Motoka: A imprensa tem um papel importantíssimo na proteção dos animais, seja divulgando os meios de acesso ao Disque Denúncia ou Delegacia Eletrônica, seja na divulgação de matérias em que a Polícia Militar atuou adotando providências para coibir e reprimir os comportamentos criminosos. Essa exposição na mídia contribui para educação dos jovens que tomam consciência e começam a forma uma cultura do quanto é prejudicial ao Meio Ambiente quando um pássaro é retirado do seu habitat natural e mantido aprisionado em uma gaiola, por exemplo, pelas suas funções nos ecossistemas, uma vez que interagem com a vegetação, nos processos de polinização e dispersão de inúmeras plantas. Da mesma forma, mostra que o crime comum ou ambiental, é combatido pela polícia e isso tem uma responsabilidade para o criminoso ou infrator.
JSZN: O Brasil viveu no final de 2016 e início de 2017 um desastre ambiental gravíssimo com o surto de febre amarela no país e seus impactos sobre a população de macacos. Na época, o surto representou um desafio às autoridades de saúde. Qual a situação atual da febre amarela na capital paulista? Como se prevenir?
Cel Motoka: Não tenho informações seguras em relação ao assunto por se tratar da pasta da Saúde.
JSZN: Qual a importância das mídias regionais em especial o jornal Semanário da Zona Norte?
Cel Motoka: O jornalismo regional, como é o caso do Semanário da Zona Norte, tem por enfoque retratar a realidade e os acontecimentos regionais, e para tanto privilegia a informação de proximidade, logo permite mostrar com maiores detalhes as características, peculiaridades e dinâmica da região. Com seus 21 anos de criação tem registrado e divulgado com muita excelência a vida das pessoas, dos comerciantes, das entidades, das forças vivas locais, e sobretudo, mantendo uma estreita relação com personalidades públicas e políticas, dentre estas os comandantes militares e autoridades das Forças Armadas, da Segurança Pública, além de outros órgãos dos poderes do Estado, o que qualifica ainda mais a informação relatada semanalmente.
Dessa maneira, tem viabilizado à sociedade da Zona Norte informações atualizadas, fidedignas e o mais importante, aproximando pessoas e instituições, e assim contribuindo para uma melhor qualidade de vida dos residentes e trabalhadores desta região, assim como de todos os leitores. Merece grande importância o seu fundador e diretor João Carlos Dias que possuidor de uma personalidade cuidadosa, extrovertida, simpática e conscienciosa tem firmado amizades e vínculos humanizados nas relações interpessoais e comerciais, com seus colaboradores, leitores e entrevistados, o que tem feito com que o conteúdo veiculado no Semanário carregue no conteúdo e nas entrelinhas esse jeito de ser tornando-o assim mais que uma peça informativa, mas um retrato familiar da Sociedade da Zona Norte de São Paulo.
Para mim, cidadão, militar e comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo é um privilégio poder comunicar-me semanalmente com esse povo, levando mensagens que destacam e valorizam o Meio Ambiente, a Saúde e Qualidade de Vida das atuais e futuras gerações, por meio do Semanário.