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Domingo, 28 de Junho 2026
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Segurança não é palanque

Colunista *Percival de Souza

Segurança não é palanque
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Neste 7 de setembro, Dia da Pátria, é muito bom lembrar-se da data da nossa independência. Entretanto, desta vez, embute uma disputa política, extensiva para outros dias, como se nosso País estivesse sob apenas duas correntes políticas. Desgostosa, a maioria brasileira assiste ao triste espetáculo da polarização, sonhando que uma terceira via pudesse ser opção melhor. Aqui entra o capítulo da segurança pública, não o 144 da Carta Magna, mas a esperança por dias melhores.

Sir Robert Peel, ao criar a Scotland Yard, uma das melhores polícias do mundo, estabeleceu objetivos e, para obter maior eficiência, exigiu que a formação de seus quadros fosse feita sem ingerência política de espécie alguma. Excelente: no nosso caso, ainda patinamos num nefasto confronto partidário e ideológico. Qualquer que seja a escolha, fica submetida a padrões não técnicos, mas direcionados em formatos mais agressivos ou tolerantes. A questão criminal, porém, não é essa, mas a lei e sua aplicação indistinta. Não só para alguns. Se pudesse, a população estaria dando um grito em uníssono: basta!

Tivemos exemplo deprimente na semana passada: o mandatário máximo da Nação transformou, em reunião ministerial, o interesse público em palanque grotesco de candidatura. Coreografia por amestrado coletivo de bonés azuis, onde se lia “O Brasil é dos brasileiros”, para se contrapor ao “Make America Great Again”, boné usado pelo presidente dos EUA, Ronald Trump (“Torne a América Grande Novamente”. Inusitado desfile: há um personagem de histórias em quadrinhos, Zé do Boné, malandro suburbano inglês (“Anty Capp”). Na nossa passarela política, os malandros são outros. O tom de campanha ficou explícito, com acréscimo de citações de Getúlio Vargas, contra quem os paulistas fizeram a Revolução Constitucionalista de 1932 – lembremos 23 de maio, data que hoje é nome de avenida (o dia do assassinato dos jovens que formam a sigla MMDC) e 9 de julho, outra avenida que também é memória da data histórica, que termina no mausoléu do Ibirapuera.

Somos donos do nosso próprio País. Não precisamos de bonés. A cidadania brasileira se expressa pela representação digna, enfrentando nossos variados problemas, banindo inescrupulosos interesses meramente pessoais.

Aguarde as promessas populistas de sempre. Saiba separar realidade da fantasia e suas promessas vãs. Para o nosso próprio bem, muita cautela.

*Jornalista e escritor

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