Peço licença para uma sugestão, com a pretensão de representar o leitor numa tentativa de opor-se a uma situação angustiante – a insegurança, que tem em seu entorno ideias com resultados decepcionantes e propostas que não nutrem a ninguém.
Num país com dimensões continentais, cada estado tem características próprias, deixando claro que adequações são necessárias e não há cabimento imaginar que do Planalto nasça uma única diretriz para toda a planície. É o que acontece, por exemplo, em São Paulo: a capital é cosmopolita, nos seus variados bairros encontramos formas de viver tão díspares como Bélgica e Bandladesh, que seria uma Belíndia, imaginária mistura Brasil-Índia, os pontos diversos da cidade. Como uma das consequências, exige-se da Polícia adotar procedimentos diferenciados, como a maneira como ela é recebida até o ethos da sociedade local. Temos Comandos de Área, na Polícia Militar, e seccionais na Civil. Nos finais de semana, em lugares periféricos, acontecem assassinatos entre pessoas que estão dentro de um bar, na chegada ou a caminho dele. É o espaço que elas não possuem em suas próprias casas – uma sala para reunir-se e conversar. Nesse sentido, os presídios poderiam ser um laboratório (desprezado) de comportamento humano, para apurar razões das práticas criminosas. Seria uma eficaz forma de prevenção.
Chegamos à minha humilde sugestão. O sistema penal, aliás muito caro, não atende ao binômio custo-benefício, a segurança como atividade-fim, desiteratum isolado da jurisprudência: juris, expressão latina para direito e justiça, não está sendo aliada da prudência. A conta não pode fechar, o aparato é pago pela sociedade. Pacto para o bem de todos. Fala-se em falta de conexão entre as autoridades repressivas, o que motiva ideias como centralização da inteligência e integração comandadas de forma exclusiva, contrariando frontal e constitucionalmente a autonomia dos Estados. Sugiro entendimento, hoje estranhamente competitivo, entre as forças de segurança, Ministério Público e Poder Judiciário. É preciso que se unam para ganhar força. O inimigo é o crime, não os órgãos de percussão entre si, muitas vezes se tratando como adversários. Juntar para não perecer, há bandidos para todos – o status quo é insustentável, qualquer que seja a análise, exigindo um profundo mergulho de bom senso nas águas turvas da realidade. Salvemo-nos.
*Jornalista e escritor
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