Com base no calendário gregoriano, também conhecido como cristão ou ocidental, implantado pelo papa Gregório XIII em 1582 por meio da bula papal Inter Gravissimus e convencionado como um padrão internacional, estamos encerrando mais um ano civil.
Aproveitando esta época do ano e, sobretudo, o Natal, fiz uma reflexão sobre minha conduta e um retrospecto sobre a experiência que pessoalmente vivenciei neste ano e chego à tranquila conclusão que foi um ano de muito aprendizado.
Este ano foi diferente para mim. Logo no início do ano, numa segunda-feira, saindo de casa para o escritório, avisei minha mulher que antes disso iria passar no hospital perto de casa, pois eu havia tido uma “tontura” muito forte e iria verificar como estava minha pressão arterial. De repente fui surpreendido por um inesperado quadro de cardiopatia. Imediatamente fui internado no pronto atendimento e medicado. Passados algum tempo constatou-se que o quadro requeria providências mais efetivas e uma nova medicação foi introduzida no tratamento. Aqui, outra surpresa. Em decorrência de uma reação alérgica ao novo medicamento entrei em estado de choque, agravando o quadro clínico inicial. Fiquei em estado de inconsciência por muitas horas. Posteriormente, contornada essa situação, me vi internado em uma unidade de terapia intensiva, sem poder sair do leito. Estava à mercê dos cuidados de pessoas que nem mesmo conhecia, mas que com esmero e carinho me atendiam buscando minha melhora. Recuperado, após 10 dias tive alta hospitalar para, posteriormente, ser submetido a uma cirurgia cardíaca para corrigir e evitar que o problema se repita. Apesar do susto, tudo correu muito bem!
Situações inesperadas como essa comprovam a fragilidade da vida material e que o “ser” ou “ter” da matéria, que são transitórios, têm muita pouca importância porque, a qualquer momento, tudo pode mudar. Tudo é absolutamente efêmero e passageiro. De fato, nada é nosso; somos meros depositários, pois somos submetidos a situações que fogem das nossas vontades e decisões. Aliás, ninguém é capaz de explicar o que chamamos de imponderável, ou seja, aquele elemento indefinido que influencia certos aspectos da nossa vida, mas que não depende da nossa vontade.
Recuperado e liberado pelo médico retomei minhas atividades cotidianas, sobretudo as rotárias, e tive a oportunidade de me emocionar ao conhecer inúmeros projetos humanitários realizados pelos rotarianos.
Sem dúvida, isso renovou minha convicção na importância do “fazer”, do realizar. A sensação de estar ajudando a transformar – quando não dizer: salvar – a vida de pessoas que nem mesmo iremos conhecer é algo que transcende a visão materialista do mundo e nos remete a um sentimento de irmandade que vai muito além do ego pessoal e das limitações do “ser” e do “ter” por que rompe as barreiras da individualidade para, de algum modo, se conectar com uma consciência universal ou, pode-se dizer, com o divino.
Contextualizando essa experiência creio que seja possível afirmar que, embora cada pessoa seja um ser único, o “ser” e o “ter” somente têm sentido se conjugados com o “fazer”, servindo como mecanismos para viabilizar, a partir das individualidades, um coletivo harmônico.
Mais que isso, estou convicto de que em toda e qualquer situação do cotidiano seja possível vivenciar o espírito de Natal. Efetivamente, a mensagem trazida pelo Cristo é muito mais do que para ser lembrada em apenas um dia do ano. É preciso entendê-la e procurar praticá-la todos os dias, pois que ela nos guia pelo caminho reto da porta estreita, rumo à nossa reforma íntima que transforma nosso espírito de pedra bruta em pedra polida.
Neste mundo em conflito, que a celebração do Natal oportunize a humanidade momentos de reflexão e de sintonia com a mensagem do Mestre, de modo que todo ser humano possa refletir sobre sua vida para que, com esperança no amanhã, a consciência e os corações humanos compreendam a necessidade da elevação moral individual para a melhoria de todos, tanto espiritual quanto do ponto de vista material.
Enfim, que possamos, ao menos, tentar seguir os exemplos de Jesus porque quando isso acontecer a humanidade viverá nas bases da Sabedoria e do Amor e todos os dias serão Natal.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca