Dia desses pensava na finitude da vida, pensamento recorrente em pessoas que passaram do meio século de existência. Hoje estamos aqui, amanhã não sabemos. Sem que imaginemos isso, a nossa cadeira no trabalho será ocupada por outra pessoa, para esposas, maridos, filhos e netos além do retrato na sala, restarão as boas lembranças dos momentos vividos e a dor da ausência.
A imortalidade não nos alcança. Figuradamente, ela se apresenta a alguns iluminados: Bach, Beethoven, Shakespeare, Copérnico, Einsten, Rui Barbosa, Rondon, Santos Dumont, Pelé e outros e, a nós, simples mortais o que nos resta?
Foi pensando na imortalidade que me lembrei do Soneto da fidelidade do imortal Vinicius de Moraes, que, ao se referir ao amor, escreve: "que não seja imortal posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. Lógico que falava do amor querendo se referir à paixão essa sim mais efêmera. A sua genialidade nos é mostrada no verso "mas que seja infinito enquanto dure."
No seu mágico jogo de palavras ele se vale dos vários significados que pode ter o verbete “infinito” e o coloca no verso não com o significado óbvio de algo sem fim, mas sim com o sentido de grandeza, de intensidade. O amor e a paixão mesmo que acabem, mesmo que não durem, enquanto existam devem ser grandiosos, intensos.
Como diria a minha vó, não ficamos para semente, não somos imortais e, portanto, o melhor a se fazer é, enquanto ela durar, torná-la o mais intensa possível, fazê-la valer e como? Devemos assim primeiramente aproveitar cada momento, cada minuto, cada segundo colocado a nosso dispor.
E sem dúvida para que toda intensidade redunde em uma vida grandiosa ela deverá ser voltada para o bem. Quanto mais coisas boas construirmos, quanto mais pessoas pudermos auxiliar e beneficiar mais estaremos valorizando esse dom nos disponibilizado: a vida.
Vivamos a vida e que ela seja infinita enquanto dure!
Eduardo Diniz.