O ministro da Justiça e da Segurança Pública tirou a sua fértil ostra do bolso e nos ofereceu um presente de grego: a pérola com a frase “A Polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar”. Menos, Excelência majestática. Bem menos.
Claro que não é assim. A afirmação, numa platéia reunida na Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, contém inverdade que colide com uma grande caixa de marimbondos, de onde voaram insetos para se vingar com ferroadas ardentes. As picadas provocam dores e reações, daí o ex-presidente José Sarney ter escrito o livro “Marimbondos de fogo”. Entidades de classe das Polícias reagiram com vigor e indignações múltiplas vieram de todos os lados.
Alguns intoxicados ideologicamente sairam apressadamente para defender das críticas o indefensável autor da frase. Tiro na culatra: o próprio ministro engatou uma marcha-a-ré, afirmando que não quis dizer o que disse, e que sua fala ficou “fora do contexto”, pois considera a polícia maravilhosa. À vista do vulcão em erupção, cabe-nos esclarecer dois pontos vitais:
1-) nenhum ministro fala o que quer sem a anuência do presidente Lula. Ele é totem soberano, diante do qual todos devem se curvar em reverência, senão são descartados. Já vimos várias vezes como é. Desse modo, o oráculo mudou-se de Delfos para o Planalto, bem longe da planície. Se o ministro disse o que falou, este é o pensamento do Governo, que o ventríloquo apenas reproduziu. Trata-se do rancor revanchista contra a Polícia, oriundo dos chamados anos de chumbo e extensivo às Forças Armadas, que pagam o preço pelo que aconteceu nos anos sessenta. O prende-solta é uma realidade nacional. Lewandowski lançou um bumerangue que se voltou contra ele mesmo. É certo que de vez em quando a Polícia prende mal. Mas também é verdade que muitas vezes a Justiça solta mal. Há provas, apesar de suficientes em excesso, mas utilizadas para livrar a cara de alguém.
2-) Esse rancor anti-Polícia até aqui tem sido um monopólio de declarados inimigos, alguns se identificando como “especialistas”, na verdade contempladores das estatísticas policiais. Nada mais. Oposicionistas na Câmara dos Deputados estão organizando um contra-ataque em forma de Fórum, para debater a grave questão da segurança “pelo Brasil”, sem palpites exclusivos de demiurgos, que se acham vestais iluminadas. Não é mais possível aguentá-los.
*Jornalista e escritor
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