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Domingo, 15 de Março 2026

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Pobres pelo espírito

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Pobres pelo espírito
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“Jesus, na sua humildade, percorria a Galiléia ensinando e pregando nas sinagogas, curando os enfermos, demonstrando a todos seu amor e bondade. Um dia em que o número de fiéis que o acompanhava era maior, Jesus subiu a um monte e lá passou a noite em oração. Ao amanhecer grande parte do povo ainda lá se encontrava à sua espera. Jesus, dirigindo-se então aos seus discípulos, fez a pregação das bem-aventuranças, ensinando assim a maneira de ser alcançado o Reino dos céus.
Nesse trecho evangélico do Sermão da Montanha, quando Jesus diz ‘a maneira de ser alcançado o Reino dos céus’, Ele sintetiza a maneira de se alcançar a perfeição moral de cada um, pela pratica do amor, da caridade, do trabalho, tanto físico como espiritual. E, quando Ele diz ‘bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus’, refere-se àqueles que são desprovidos de orgulho, de vaidade”. 

Porque é integralmente espiritual, o Sermão da Montanha não tem qualquer contexto dogmático-teológico e, por isso, não é uma teoria que em que se deva crer, mas uma realidade que ele deve ser. Pode-se dizer que é um programa de natureza mística divina e de ética humana que indica o caminho para a autorrealização do ser humano. Aliás, Gandhi expressamente o reconheceu como o documento máximo de espiritualidade do ocidente.

É assim que Jesus, visivelmente, exorta as pessoas para que se libertem da idolatria, se desvinculem da escravidão da matéria como condição básica necessária para a emancipação interna.  Ora, se, de um lado, para se sentir seguro, nosso pequeno ego humano, ainda muito frágil, necessita ser escorado pelos bens da matéria; de outro lado, o nosso eu divino pode e deve dispensar essas escoras externas para se sentir seguro pela força interna do espírito.

Os bens materiais devem ser um meio e não um fim, mesmo porque ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. Se é justo buscar o progresso material por meio do estudo e do trabalho, aquele que se apega aos bens da matéria que, sob todos os aspectos são efêmeros, se escraviza pelo desejo de possuir, de ter, de estar. 

Quem compreender isso, ao invés de se elevar acreditando ser melhor do que os outros, ao contrário, se colocará à disposição do constante aprendizado e, sobretudo, da prática da caridade, da humildade, da simplicidade e de amparo do mais frágil. Aqueles que pela força do espírito se emancipam da escravidão da matéria, despojando-se do orgulho e da vaidade, ao possuir sem ser possuído, se verá liberto porque, ao ultrapassar a fraqueza e insegurança do ego, encontrará o caminho para sua verdadeira realização.

Nesse contexto, pode-se dizer que ser pobre de espírito é viver por interesses egoístas, enquanto que o pobre pelo espírito é o pobre do ego, o rico do Eu e, consequentemente, bem-aventurado pelo espírito que prevalece e se sobrepõe a matéria.

 Irmão Pedro.  Lição de Caridade. A maneira de mostrar o caminho para se aprender a viver.pg. 189/190. 1ª edição, 1975. Editora Gráfica Cairú, SP.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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