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Quarta-feira, 23 de Setembro 2026
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Colunista *José Renato Nalini

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                Em ano de COP30, lamentável a situação da Amazônia brasileira. Em abril se noticiava a alta de 18% no desmatamento entre agosto e março. Em junho, o anúncio de que o desmate atingiu 92% em maio.

                O desmate acumulado de agosto d 2024 a março de 2025 atingiu área de 2.296 km2, praticamente a dimensão da capital paulista. Imagine-se uma São Paulo inteira em chamas! Era a sexta maior da série histórica para o período.

                Quem apurou a cifra foi o Sistema de Alerta de Desmatamento – SAD, do Instituto Imazon. Já segundo o Ministério do Meio Ambiente, os dados oficiais são fornecidos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, ligado à pasta de Ciência e Tecnologia.

                Há uma diferença entre desmatamento e área degradada. Por desmatamento se entende a remoção total da cobertura vegetal. Já a degradação decorre de queimadas e extração madeireira. Ambas impactam a biodiversidade, a produção de água e estoque de carbono da floresta. Além de facilitar novos incêndios.

                Já a tristeza constatada em maio foi a alta de quase cem por cento no desmatamento, comparado com o mesmo mês de 2024. A promessa de zerar o desmatamento em todos os biomas até 2030 está muito longe de ser obtida. De acordo com o Inpe, o peso dos incêndios florestais no desmatamento está crescendo. As queimadas foram responsáveis por 51% da área que perdeu floresta em maio. Foram quase mil quilômetros quadrados, uma imensidão. Embora os negacionistas costumem relativizar esses números, dizendo que a Amazônia é gigantesca.

                Ela está desaparecendo. Essa a realidade que os negócios, a ambição, o lucro excessivo, o imediatismo, o egoísmo e até a ignorância não deixam perceber a gravidade.

                Qual será o discurso oficial em Belém, quando chegarem os estrangeiros que têm conhecimento da tragédia e cobrarão o compromisso brasileiro de honrar os acordos internacionais?

                Não há maior crime contra a humanidade do que privá-la de continuar a existir. É isso o que os criminosos estão fazendo com o Patrimônio que este povo recebeu gratuitamente e não soube preservar. O castigo virá. Melhor ainda: já está sendo infligido, principalmente sobre inocentes.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.  

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