Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados a constituí-los, vê-lo-ia a percorrer uma escalada incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida em que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada na natureza permanece estacionário.
O progresso, portanto, é uma condição da natureza humana, pois ninguém tem o poder de se opor a ele. Assim, a evolução, enquanto uma imposição psíquica, é uma lei natural da qual ninguém se afasta, sendo inexorável o progresso do espírito humano e, por consequência, da humanidade.
Aliás, embora o progresso moral seja um fenômeno eminentemente individual, ninguém progride sozinho na medida em que o homem é um ser essencialmente gregário, ou seja, que vive em sociedade, sendo possível afirmar que uma civilização exprime o estágio moral da maioria dos homens que nela vivem.
Por vezes temos a sensação de que os dias atuais são piores do que os de ontem, porém, se verificarmos as condições materiais e morais vivenciadas, por exemplo, há um século, vamos concluir que hoje a humanidade vive em condições muito melhores. Mas, se ainda nos sentimos insatisfeitos com o grau de evolução da humanidade é porque, enquanto civilização, o progresso ainda é incompleto, sendo certo, entretanto, que tudo é paulatino mesmo porque o homem não passa subitamente de sua infância para a maturidade.
É por isso que as revoluções sociais e morais, que invariavelmente acontecem de tempos em tempos, se infiltram pouco a pouco nas ideias das pessoas, germinando durante séculos para eclodirem subitamente, quebrando paradigmas do passado que não estão mais em harmonia com as novas necessidades e aspirações da sociedade, que sempre deseja o progresso.
No entanto, enquanto individualidades que somos, podemos contribuir para o bem estar coletivo tentando lapidar os nossos corações para dele banir os vícios que desonram as pessoas, como o egoísmo, a cobiça e o orgulho, ao procurar desenvolver hábitos mais intelectuais e morais do que materiais, buscando a prática da caridade, expressão do amor.
É de se lembrar que Jesus, quando provocado sobre qual mandamento era mais importante, respondeu que toda lei e os profetas se resumem nos mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
É assim que todos devem aproveitar ao máximo a oportunidade de cada experiência existencial, procurando potencializar a aquisição de novos conhecimentos que ajudam no desenvolvimento da inteligência, agregando valores morais ao seu patrimônio espiritual.
1O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III, item 19
*Paulo Eduardo de Barros Fonseca, Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International